O FOOD SERVICE E O FUTURO MUITO PRÓXIMO
*Sérgio Frota
01/dez/2011
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Acabo de ver os meus filhos chegarem entusiasmados de uma viajem à
Disney. Eles voltaram eufóricos com o que viram. Tudo muito barato.
Roupas, produtos eletrônicos e comida. Aluguel de carro, diversão.
Parece que voltaram de um lugar mágico.
O
mesmo aconteceu com um amigo meu, que foi a duas feiras dedicadas a
equipamentos de cozinha profissional, uma nos Estados Unidos e outra na
Itália. Nos Estados Unidos foi ver a NRA e na Itália a Host. De novo achou
tudo barato.
Será que é um mundo mágico? Ou ficou todo mundo louco?
Na
semana passada eu fui ao lançamento e noite de autógrafos de um livro que um
amigo, o advogado Durval de Noronha Goyos, escreveu. “O crepúsculo de
Império e a aurora da China” onde narra com extrema clareza o que se passa
hoje.
O
que está dito ali é assustador!!!
Não
se trata simplesmente de a China estar substituindo a liderança tradicional
dos Estados Unidos. O mundo está mudando. É uma oportunidade impar para as
empresas que estão atentas.
Surgem novas forças na economia
Em
busca de tecnologia e mão-de-obra qualificada. Ou simplesmente de mão de obra
barata. Da disponibilidade de fontes de energia, da disponibilidade de
terra, ou sol, de água, ou em função de mecanismos cambiais e por aí vai.
A
economia mudou e está mudando. Ela busca resultados onde quer que seja
possível encontrá-los. O Brasil está mudando, a velha profecia está se
materializando. O velho dito está se tornando realidade.
Brasil, o celeiro do mundo
Antigamente nós nos referíamos ao Brasil como o “celeiro do mundo” para
transmitir a idéia de que o Brasil estava destinado a se transformar num
gigante dos negócios do campo. Seria a solução para fome do mundo.
Hoje, essa idéia faz muito sentido e neste momento o Brasil é uma das
grandes potências, não só no negócio agro pecuário, mas também em outras
áreas como mineração, produção de energia e indústria de equipamentos e bens
de consumo. Em todas essas áreas o Brasil dispõe de alta tecnologia e boa
capacidade empresarial.
Neste momento o Brasil tem cerca de 60 milhões de hectares de terrenos
utilizados em algum tipo de atividade no campo e outros 300 milhões de
hectares de terras disponíveis para expansão da atividade. A Rússia é o
segundo país em disponibilidade de área para crescimento, com 166 milhões de
hectares disponíveis para crescimento e os Estados Unidos têm mais 150
milhões de hectares para desenvolver.
É
também importante a capacidade industrial já instalada no Brasil para
produção de máquinas e bens de consumo e agora vivemos a expectativa da
grande produção de petróleo e de bio energia. Com 8.5 milhões de Km2
de extensão, o que equivale a 6% das terras do
Planeta Terra, o território brasileiro abriga 12% da água doce - insumo de
vital importância - de superfície existente no Planeta Terra, cerca de 3% da
população do planeta e 3% do PIB mundial.
Além
disso, é bom lembrar que o litoral brasileiro tem cerca de 6.000 km de
extensão, sendo boa parte em área tropical e subtropical com condições
climáticas propícias para o turismo, isso tudo aliado à nossa imagem de povo
bonito e alegre. Esse conjunto de coisas pode ser de grande valia para o
crescimento da atividade de turismo e de lazer.
O
futuro do food service
O
cenário futuro para o mercado de Equipamentos para Food Service no Brasil é
o de um ambiente muito competitivo, mais sofisticado e com a possível
entrada de itens importados e empresas internacionais.
Alguns fabricantes internacionais de equipamentos de Cozinhas Profissionais,
na condição de importadores, como a sueca Electrolux, as alemãs como a
Rational, a Convotherm e a Winterhaulter já estão por aqui. A francesa
Robot Coupe também entre outras.
Outras como a Hobart, a portuguesa Mercatus e a norte americana Middleby já
estão operando no Brasil. A espanhola Fagor está a caminho daqui e a
Manitowoc pensa, seriamente, no mercado brasileiro, como muitas e tantas
outras.
Todas serão atraídas pelas oportunidades que estão postas e o valor do
câmbio Real. Essas empresas também verão o Brasil como base para suas
operações na América do Sul. Não será surpresa começarmos a ver equipamentos
fabricados na China ou na Índia sendo trazidos para o Brasil.
Importante, também, é termos em mente que o mercado brasileiro será disperso
por todo o território nacional e que o Brasil é um país de proporções
continentais. A atividade deverá se desconcentrar das grandes áreas
metropolitanas, exceto no tocante aos setores Hoteleiro, Supermercadista e
de Restaurantes, principalmente nas cidades que receberão jogos da Copa do
Mundo de 2014 e das Olimpíadas.
Além, é claro, de outros eventos que acontecem a todo momento e vão ganhando
importância, como o Futebol , o Grande Prêmio de Fórmula 1 à medida que
economia enriquece e as necessidades se sofisticam.
O
setor de Alimentação Fora do Lar (food service), desde Lanchonetes até
Restaurantes Comerciais e Restaurantes Industriais, deve continuar a
crescer porque cada vez mais as pessoas passam mais tempo fora de casa, a
trabalho ou por lazer.
As
Padarias cada vez mais estão se transformando em grandes servidores de
refeições. Os Hospitais estão se modernizando por que a sociedade está se
modernizando.
O
setor Hoteleiro de Turismo Lazer deverá crescer acentuadamente em
praticamente todo o litoral enquanto que o Setor Hoteleiro de Turismo de
Negócio deverá crescer também nas novas fronteiras do desenvolvimento
econômico.
O
mesmo ocorrerá com os Restaurantes Industriais. O agro negócio, a crescente
indústria do Metanol, do Bio Diesel, da Energia Eólica e Energia Solar, o
desenvolvimento dos novos campos de produção de Petróleo, as grandes
Mineradoras, ocorrerão em regiões distantes dos grandes centros urbanos onde
a atividade econômica brasileira sempre esteve concentrada. As grandes obras
estão acontecendo.
A
realização da Copa do Mundo de Futebol no Brasil em 2014 e das Olimpíadas em
2016, vão influir diretamente na necessidade de crescimento da oferta dos
setores Hoteleiro e Food Service nas cidades e regiões onde ocorrerão os
jogos. Principalmente nessas regiões e nas regiões propícias para o turismo
de lazer esses 2 setores, Food Service e
Hoteleiro, tendem a se sofisticar e demandar por equipamentos mais
requintados.
Já estamos observando hoje, e vamos ver cada vez mais, a crescente
influência o Brasil junto aos países nossos vizinhos.
Para
estar devidamente integrada nesse contexto e apta a participar desse
mercado, as empresas brasileiras deverão tomar uma série de ações de caráter
geral e de caráter específico. Abaixo enumero algumas dessas ações,
logicamente existem outras.
Algumas medidas interessantes
Fortalecer a marca da empresa com ações de divulgação através de sites,
portais eletrônicos e feiras no Brasil e no exterior.
Aproximar dos sites de gastronomia. Esses canais se comunicam muito bem com
a alta gastronomia, que estará cada vez mais presente nos setores mais
sofisticados dos Restaurantes e da Hotelaria.
Trabalhar os Arquitetos, Engenheiros e Construtores que têm atividades por
todo o País e em todos os segmentos de negócios.
Aproximar mais a empresa das associações que congregam os Bares e
Restaurantes. Aproximar a empresa das associações que congregam as empresas
de refeições coletivas.
Aproximar das Associações que cuidam dos assuntos institucionais dos
nutricionistas.
Aproximar a empresa em relação às faculdades de gastronomia, de engenharia e
de arquitetura que formam os futuros especificadores.
Treinar muito os colaboradores da empresa fortalecendo a estrutura composta
por profissionais competitivos, com bom conhecimento do negócio da empresa e
boa visão geral do mercado. Ouvir bons consultores em assuntos de real
interesse da empresa.
A
empresa brasileira no futuro próximo
Pensar hoje como será a empresa no futuro é nossa obrigação. Temos que fazer
isso. Temos que ser fortes no mercado e devemos começar hoje a definir ações
para que estejamos prontos quando o futuro chegar. Vou direto à frase
existente no Centro de Treinamento do nadador Michael Phelps:
“Quando chega o dia da competição, a oportunidade de treinar já acabou”
Queremos a medalha de ouro e agora é a nossa hora de preparar produtos
adequados, montar um time campeão e treinar muito.
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Sérgio Frota é paulista de Pirassununga, formado em
administração de empresas pela Universidade de Brasília, com
diversos cursos de extensão acadêmica e mais de 35 anos de
experiência nas áreas comercial e de projetos em diversas
empresas, sobretudo no segmento da indústria de equipamentos
para cozinhas profissionais. É, também, professor de Gestão de
Restaurantes no curso de Administração de Empresas com Ênfase em
Turismo das Faculdades Anglo Latina, vice-presidente do Sindal -
Sindicato dos Fabricantes de Cozinhas Industriais e escreve
sobre marketing para gastronomia no Correio Gourm@nd.
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