Massa fina, levemente frita
na manteiga e recheada, a
crepe francesa (la crêpe, em francês) é uma
tradição da cozinha popular
da França e a principal
comida de rua de Paris, onde
são vendidas em bancas
espalhadas por toda a
cidade. Nasceu na Bretanha,
no Norte do país, nas mesas
simples dos camponeses, mas,
na Capital, foi alçando vôos
mais altos conforme foram se
sofisticando os recheios. De
Paris, ganhou o mundo e
conquistou adeptos nos
quatro cantos do planeta.
Com uma textura suave, o
sabor da crepe se define a
partir do recheio pois a
massa mesmo tem sabor
neutro. Usualmente,
manteiga, açúcar cristal,
mel, geléias, cremes, doces
em pasta, frutas e sorvetes
servem de recheio para as
crepes doces e, queijos,
ovos, hortaliças, carnes,
embutidos, pescados e tudo o
mais que a imaginação (e o
bom gosto) puder imaginar
recheiam as crepes salgadas.
Sempre deliciosa e agradando
a todas as idades, a massa
da crepe tem baixo teor de
gordura, o que faz dela um
alimento leve e saudável.
Evidentemente, dependendo do
recheio, isso deixa de ser
verdade. Pode ser servida
quente ou fria, aberta,
enrolada ou empilhada, como
entrada, sobremesa ou
lanche.
Se você está se perguntando
qual a diferença entre a
crepe e a nossa tão querida
panqueca, é mais uma questão
de textura mesmo (no que se
refere à massa). A diferença
básica está no uso da
manteiga, que dá à
massa da crepe uma textura
mais delicada que o da nossa
panqueca tradicional.
E é, justamente, na massa
que reside o segredo de uma
boa crepe. Para que fique
com uma textura
delicada, é importante que a
massa fique de repouso
depois de preparada por, no
mínimo, uma hora, dizem os
franceses. Os mais radicais
falam em, no mínimo, duas
horas. A razão é o glúten,
proteína presente na farinha
de trigo, que se abranda
durante um período de
repouso, conferindo mais
elasticidade e plasticidade
à massa. Outra questão é o
como bater a massa - à mão
dizem os tradicionalistas,
no liquidificador dizem os
pragmáticos. Na receita que
apresentamos abaixo,
você vai encontrar as duas
maneiras de fazer. Escolha a
que preferir, ou as duas, de
acordo com o tempo que
disponha. Mas, lembre-se, em
geral, a tradição gera
comidas mais saborosas.
A frigideira ideal para
crepes é de ferro fundido,
um bom condutor de calor, o
que faz com que o cozimento
se dê de modo uniforme. As
antiaderentes também são
boas. Recomenda-se uma
frigideira de 18 e 22 cm de
diâmetro.
LA CHANDELEUR
Na França, no dia 2 de
fevereiro, festeja-se a
Festa das Candeias - la
Chandeleur. A tradição, de
origem religiosa,
transformou-se hoje num
alegre convívio familiar à
volta da famosa crepe
francesa.
Os franceses têm centenas de
histórias ligadas às
crepes, que surgiram no
tempo dos romanos, passaram
pela época dos primeiros
cristãos e resistiram
inalteradas na sua forma e
composição até os tempos
modernos.
Em torno delas existem
engraçadas superstições. Uma
delas é tentar jogá-la para
o ar, segurando a frigideira
apenas com uma das mãos,
mantendo a outra ocupada com
uma moeda de ouro. Se cair
certinho, serão garantidas
ao felizardo equilibrista
melhores oportunidades e
riqueza.
Em muitas regiões os
camponeses tinham o costume
de deixar uma crepe aberta na
cozinha para atrair sorte e
afastar o fantasma da fome.
É que as crepes, pelo seu
formato e cor, lembravam as
moedas de ouro usadas na
época, os famosos "luíses",
cuja denominação se referia
aos diversos reis com o nome
"Luís" que a França
conheceu. Não tendo um "luís"
real, tinham a crepe.
Também há quem diga que o
formato e a cor da crepe
lembram o sol e a luz que se
festeja nesse dia. Nas
igrejas, as tochas são
substituídas por círios
benzidos que são mantidos
acesos para afastar o mal,
as trovoadas, a morte, e
proteger as plantações.
A tradição também se repete
na Bélgica e na Suíça.