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Confeitaria brasileira faz História no México
Outubro/2008 - Qualquer amante dos prazeres da
boa mesa sabe que, no Brasil, nos últimos
10 anos pelo menos, a oferta de delícias dos mais
variados tipos cresceu muito, mas muito mesmo.
Isso salta aos olhos, e pra boca, de todos que
se aplicam na arte do bem comer.
O que poucos sabem, entretanto, é
que por trás de todo esse progresso, há um
exército de homens e mulheres vestidos de
branco, com um chapéu meio engraçado na cabeça,
que se fecham em suas cozinhas cercado de
pupilos e vão criando, ensinando e treinando
todos eles para, um dia, mostrarem, na
emocionante arena dos Concursos
Gastronômicos, os
seus conhecimentos e o seu talento.
Um Concurso Gastronômico é, realmente, um
show de técnica, talento e arte. Seja qual for a
sua categoria, implica, sempre, em muito
treinamento e empenho, gerando aperfeiçoamento e
valorização profissional. Neles, são colocados em
destaque todos os sabores, todas as artes do
saber culinário, toda a imaginação e
criatividade dos grandes profissionais. Cada
concurso é, também, uma chance ímpar para que os
jovens profissionais expressem sua competência e
conquistem o reconhecimento de seus pares e do
mercado. Para a platéia, os Concursos
Gastronômicos são
excelente fonte de novas idéias mas, sobretudo,
são um espetáculo muito empolgante em que é
impossível conter a emoção. Um espetáculo que
vale a pena assistir.
Ao longo da minha vivência nessa
área, tive o privilégio de acompanhar, de muito
perto, os mais importantes Concursos
Gastronômicos promovidos no Brasil. Ao mesmo
tempo que vi aflorarem talentos, crescer a
auto-estima dos profissionais e o respeito do
mercado por eles, assisti, também, ao gigantesco
esforço e empenho para que os Concursos
acontecessem, superando inúmeras barreiras que
iam desde o custo - é caríssimo promovê-los -
até o convencimento dos empresários empregadores
para que, não apenas liberassem seus
profissionais para competir, como lhes
propiciassem condições de treinamento. Não havia
essa cultura por aqui e, aí, voltamos ao
exército enchapelado de chefs de cozinha, hoje
numeroso, mas, na época, restrito a poucos, que
eram donos de seus próprios restaurantes, ou
trabalhavam nos grandes hotéis, e que treinaram
suas equipes e as inscreveram nos certames.
Todo esse movimento começou pela
cozinha salgada, cuja evolução, ao longo do
tempo, pôde ser sentida até nos restaurantes por
quilo que se espalham por todo o País. Chegamos
ao Bocuse d'Or, a Copa do Mundo dos Chefs de
Cozinha, e, desde 1995, vimos competindo nessa
arena onde disputam as 22 cozinhas consideradas
as melhores do planeta.
Mas, quando se falava em
confeitaria, a coisa era diferente, as
dificuldades se multiplicavam. Faltava tradição,
profissionais, produtos de qualidade,
equipamentos, utensílios, interesse em
patrocinar - faltava tudo. Confeitaria era
sempre no futuro.
Bem, o futuro chegou. E chegou no
México, com a conquista do primeiro lugar do
Gran
Concurso Maya Latinoamericano de Repostería - a
"Copa Maya", o que, por si só, já é um fato
importantíssimo, pois faz da Confeitaria
brasileira a melhor da América Latina. Mas, é
ainda mais
importante, porque essa classificação é o nosso passaporte para
a "Coupe du Monde de la Pâtisserie", o
grande palco da confeitaria mundial e a grande meta de
todos que lutaram por essa vitória.
Esse é, pois, um momento
histórico para o Brasil, nossa Confeitaria e
nossos profissionais que, na França, em janeiro
de 2009, farão par com os melhores
talentos das 22 melhores pâtisseries do mundo.
Em meu nome, e no do CORREIO
GOURMAND, prestamos aqui nossa homenagem à
vitoriosa equipe do Brasil, coordenada pelo
chef Jorge Monti, presidente da Associação
Brasileira da Alta Gastronomia - ABAGA; seu capitão, o chef
Marcelo
Pinheiro, chef executivo do InterContinental
São Paulo, e os chefs Rafael Barros, chef
pâtissier e proprietário da Confeitaria paulista
Opera Ganache, Cledivânio Adjar, chef pâtissier do InterContinental São Paulo, e Ramiro Bertassin, chef
pâtissier do Hotel Renaissance São Paulo.
Homenageamos, também,
personagens-chave de todo esse percurso, como a
própria ABAGA, mentora e promotora desse
movimento; alguns executivos visionários de
empresas poderosas, como Bruno Stierli, então na
Neslté, e Roberto Denuzzo, da Sadia, que,
bravamente, conseguiram fazer acontecer aqueles
que considero as "células mater" de toda essa
evolução - os Concursos Nestlé Toque d'Or e o
Chef Talento Sadia; o Hotel InterContinental, na
pessoa de seu atual gerente-geral Francisco Paco
Garcia, cujo apoio irrestrito, desde o início,
foi inestimável e fundamental para que
chegássemos até essa conquista; o talentosíssimo chef David Jobert,
na época no InterContinental e hoje encantando
os ilustres hóspedes do Hotel La Cigogne, no
Qatar, Oriente Médio, que generosamente ofertou
todo o seu saber e prestígio para essa
empreitada; a Barry Callebaut, na pessoa de
Antônio Moreira, que sempre fez o possível e o
impossível pra colaborar, e o Sindicato do Café,
na pessoa do incansável Nathan Herszkowicz,
outro visionário que na esteira do café tem
contribuído para difundir a Gastronomia
Brasileira nos quatro cantos do mundo.
Todos
eles - pessoas, empresas, instituições - junto
com inúmeros outros que anonimamente
contribuíram, fizeram essa História e tornaram
realidade essa vitória que é deles e que é
nossa, de todos nós.
Parabéns Brasil!!
Virgínia Brandão
EQUIPE BRASILEIRA JÁ VITORIOSA NO MÉXICO

Chefs
Marcelo Pinheiro,
Rafael Barros, Cledivânio Adjar, Ramiro Bertassin e
Jorge
Monti


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Virgínia Brandão é
diretora da VB Bureau de Projetos e Textos, agência de marketing
integrado especializada em gastronomia, e autora do projeto Correio Gourm@nd
do qual é editora e, onde, também, escreve sobre o Mundo Gourmand.
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virginia@correiogourmand.com.br |
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