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Governo
lança campanha de conscientização sobre consumo da lagosta
07/12/2008 -
O governo federal lançou nesta quinta-feira (04)
uma campanha para conscientizar o consumidor
sobre a pesca predatória de pescados. O primeiro
alvo da campanha é a lagosta, um dos crustáceos
mais apreciados pelos turistas que visitam as
praias brasileiras, especialmente as do
Nordeste, e também o segundo produto da pauta de
exportações de pescados do Brasil, atrás apenas
do camarão.
"Temos que conscientizar o consumidor para que
ele não coma lagosta fresca em janeiro. Não dá
pra ir à Praia do Futuro (em Fortaleza, Ceará) e
querer comer lagosta fresca", exemplificou o
ministro Altemir Gregolin, da Secretaria
Especial de Aqüicultura e Pesca.
Apenas lagostas de estoque devem ser consumidas
até maio deste ano, quando acaba o período de
defeso ou reprodução da lagosta, quando a pesca
fica proibida.
O Ministério do Meio Ambiente e o Ibama também
trabalham na campanha, que tem o apoio da
Infraero para a distribuição de painéis com
instruções sobre como identificar a lagosta que
pode ser consumida. O objetivo é conscientizar
também os turistas estrangeiros que visitarem o
litoral brasileiro neste verão.
Uma das principais informações refere-se ao
tamanho do pescado. No caso da lagosta vermelha,
a cauda não pode ter menos de 13 centímetros. O
tamanho mínimo para a lagosta cabo verde é 11
centímetros.
As lagostas vermelha e cabo verde são as mais
consumidas pelos públicos interno e externo. A
exportação de lagosta totaliza US$ 80 milhões ao
ano e é responsável por 150 mil empregos em toda
a cadeia produtiva, desde a pesca até a
distribuição.
Mas o volume de lagosta coletada vem diminuindo.
Passou de 11 mil toneladas em 1991 para 7 mil
toneladas em 2006. O governo colocou em curso
medidas de controle e fiscalização. Recadastrou
a frota pesqueira, apreendeu redes de pesca e
ampliou o período de defeso de quatro para seis
meses.
No caso do recadastramento, chegou-se ao número
de 3 mil licenças concedidas. Os trabalhadores
que não obtiveram permissão para manter-se na
atividade pesqueira participaram de cursos de
capacitação e receberam um salário mínimo
durante três meses.
As redes não podem ser usadas para a pesca da
lagosta, é permitido apenas o uso de covos, uma
espécie de armadilha que captura apenas lagostas
maiores. Para estimular a substituição do
equipamento, a secretaria de aqüicultura
destinou R$ 13 milhões ao pagamento de mais de
12 mil km de redes entregues voluntariamente
pelos pescadores. "Isso equivale a uma vez e
meia o litoral brasileiro", destacou o ministro
Carlos Minc (Meio Ambiente). Também foram
apreendidos outros 3 mil km de redes ilegais.
O número de embarcações que farão a fiscalização
do litoral brasileiro passou de seis para 14
neste período de defeso, que teve início agora
em dezembro e vai até maio do ano que vem. Até o
ano passado, a proibição da pesca terminava em
março. "Essa mudança foi feita porque foi
estudado o ciclo de reprodução da lagosta e se
percebeu que era necessário mais tempo até que
ela chegasse ao tamanho ideal", explicou Minc.
Do ano passado para cá, foi verificado um
aumento da exportação de caudas de lagosta. Em
2007, o volume exportado ficou em 1,6 mil
toneladas. Este ano, passou para 2,1 mil
toneladas. "Isso já é um início de recuperação
da pescaria", afirmou Gregolin, da Secretaria da
Pesca. "Esse aumento indica que as medidas já
estão dando resultado. E verificamos também um
aumento gradativo na produção", completou.
Para Carlos Minc, o mais importante é a
conscientização. "Essas questões não se resolvem
só com repressão. É preciso também conscientizar
o consumidor, os sindicatos de trabalhadores, as
comunidades, e valorizar o produto", destacou.
Depois da lagosta, o trabalho de conscientização
será focado em outros pescados, como sardinha e
camarão.
Fonte:
UOL Notícias
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