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BACALHAU
O
Rei do Atlântico Norte
HISTÓRIA
Virgínia Brandão
Pela enorme fecundidade do bacalhau (cada
fêmea, conforme seu tamanho, chega a colocar de 500 mil a 10
milhões de ovos por vez, embora apenas cerca de 1% sobreviva), não é difícil de se
imaginar que, há 1000 anos atrás, fosse encontrado em altíssima
quantidade em todo o Atlântico Norte. Possivelmente, também, ele
tenha sido pescado por vários povos desde a Antiguidade. Mas, se
é verdade, isso se perdeu no tempo. Não se sabe ao certo quando
sua pesca começou.
O que se sabe, com certeza, é que esse peixe magnífico teve um
papel crucial no desenvolvimento da nossa civilização,
alimentando milhões de pessoas ao longo dos séculos e
viabilizando, sobretudo, as expansões marítimas. Foi pescando
bacalhau que reis portugueses treinaram os marinheiros que
formaram as tripulações das caravelas lusas que singrando os
oceanos redesenhou o mapa do mundo da época. Mais ainda,
este peixe fantástico transformou-se na dieta básica dos navegadores do século 16.
Dele, dependeram algumas economias e formas de subsistência.
O bacalhau desencadeou guerras e revoluções e constituiu um dos motores da
expansão européia na América, gerando os primeiros movimentos de
colonização das futuras Províncias marítimas canadenses e da
costa Leste americana. De fato, em parte, a colonização da
América do Norte foi feita com sua preciosa contribuição
nutritiva. Em torno dele se desenvolveram importantes indústrias
tanto pesqueiras quanto de alimentos processados.
O começo com os vikings
A História do bacalhau (entendendo-se aqui como bacalhau o gadus morhua) remonta a documentos do século 9, que comprovam a
cobrança de impostos sobre o beneficiamento do peixe em fábricas
da Islândia e da Noruega. Os vikings, habitantes dos fiordes da
Escandinávia, guerreiros e navegadores corajosos e indomáveis,
são considerados os pioneiros na descoberta e no consumo do
bacalhau, pois, justamente, viviam no topo do mundo e navegavam
pelos mares do Norte, habitat natural da espécie. Essa
abundância era de tal ordem, que algumas sagas vikings
cantaram a grande quantidade de bacalhau que, diariamente, na
maré cheia, enchia os fiordes - "em alguns locais, os cardumes
eram tão grandes, que a água parecia ferver", diz uma delas.
Como não tinham sal ou não conheciam o processo de salga, os
peixes apenas eram eviscerados e secos ao ar livre,
pendurados em armações de madeira por longo
período
para desidratarem cerca de
3/4 de seu peso.
A técnica, embora conservasse o peixe,
deixava-o tão duro quanto um pedaço de madeira e fazia com que
perdesse boa parte de seu sabor.
Mesmo assim, foi cortando esse peixe duro e seco em pedaços e
mascando-o como se fosse biscoito, que esses desbravadores
escandinavos puderam
viajar da Noruega para as costas distantes e estéreis da
Islândia, Groenlândia e Canadá, exatamente as áreas onde o
bacalhau do Atlântico é encontrado. Foi o peixe seco, também, a
moeda de troca usada pelos vikings para trazer dos portos
europeus as mercadorias que precisassem, como cavalo, gado,
cereal, sal, madeira e tecidos.
E, foi assim, através do comércio com os vikings, que o bacalhau se tornou conhecido dos bascos, povo que
habitava (e ainda habita) as duas vertentes dos Pirineus
Ocidentais, do lado da Espanha e da França, na região costeira
do Golfo de Vizcaya.
Os bascos e a salga do bacalhau
Os bascos foram os primeiros e, durante séculos, os mais
destacados caçadores de baleias do Ocidente. No rastro das
baleias, acabaram chegando até o bacalhau. Como já conheciam o
sal e dominavam a técnica de conservação de alimentos através
dele, aplicaram sua sabedoria ao peixe, salgando-o antes de
secá-lo sob as rochas.
O processo de salga e posterior cura usado pelos bascos era
facilitado pelo baixíssimo teor de gordura e pela alta
concentração de proteínas do próprio bacalhau, o que, além de
melhorar o sabor e a umidade do peixe, mantinha todos os seus
nutrientes e aumentava significativamente a capacidade de
conservação do alimento, ampliando a sua vida útil. Esse era um
ponto muito importante pois, naquela época, alimentos que
estragavam rapidamente tinham comércio limitado e quanto mais
durável o produto, mais fácil era sua comercialização e maior o
seu mercado.
E, assim, os bascos puderam ir ainda mais longe que os vikings e entraram para a História como os primeiros comerciantes do
bacalhau já curado, salgado e seco tal qual conhecemos hoje,
conforme atestam registros históricos. Por volta do ano 1000, já
haviam expandido enormemente o mercado do bacalhau, que
tornou-se um negócio verdadeiramente internacional e chegou a
lugares muito distantes de seu hábitat setentrional.
A contribuição católica
Uma parte considerável do sucesso dos bascos no comércio do
bacalhau pode ser creditado aos infindáveis dias de jejum que a
Igreja Católica medieval impunha aos seus fiéis:
todas as sextas-feiras (pois Cristo foi crucificado
em uma sexta-feira), os quarenta dias da quaresma, além
de vários
outros dias assinalados no calendário religioso cristão - o que
na prática representava quase metade dos dias do ano.
Nesses dias, era proibido manter relações sexuais e ingerir comidas
“quentes” como as carnes. As carnes de peixe e baleia,
entretanto,
talvez por virem da água, eram consideradas
"frias"
e permitidas. Os bascos. que tradicionalmente já
vendiam carne de baleia aos católicos, passaram a vender, também, o bacalhau.
Comida dos pobres
Desde a Idade Média, o bacalhau constituiu um recurso alimentar
de grande importância para os europeus, sobretudo para a
população pobre. Por não ser fresco, ele era mais barato e
durava anos sem estragar. Ao mesmo tempo, era muito nutritivo e
seu sabor muito mais agradável do que o de outros pescados
salgados. Assim, o bacalhau ganhou as mesas mais simples e ajudou as
populações européias a atravessar diversos períodos de
fome e miséria ao longo dos tempos.
O grande segredo
Mas não foram apenas o sal, a técnica da salga, o impulso da
Igreja Católica e os pobres que fizeram do comércio do bacalhau
um forte e lucrativo negócio internacional para os bascos. Um
grande segredo, muito bem guardado, foi fundamental para esse
estrondoso e absoluto sucesso.
Naqueles tempos, barcos pesqueiros de várias nacionalidades,
pescavam o bacalhau no Mar do Norte e ao largo das costas da
Islândia, onde, estranhamente, os pescadores bascos nunca eram
vistos. Mesmo assim, a cada primavera, a frota pesqueira basca
içava velas e partia para regressar no outono, carregada de
bacalhau já seco e salgado, pronto para a venda. Como o pescado
não podia ser salgado e seco sobre a cobertura dos barcos,
então, onde estiveram os bascos pescando e salgando o seu
pescado?
Esse segredo só foi, de fato, revelado no final do século 15,
quando as descobertas de Colombo, levaram diversos povos
europeus a seguir a mesma rota na esperança de encontrar, por
ali, o caminho marítimo para as ambicionadas Índias e se
depararam com os grandes bancos da Terra Nova e Labrador e seus
gigantescos cardumes de bacalhau, assim como enormes extensões
de terreno junto a linha costeira onde o peixe podia ser
processado e seco.
Agora, imaginem vocês quem eles encontraram por lá além do
bacalhau? Pois é, isso mesmo, os pescadores bascos. Ou seja,
séculos antes da descoberta oficial da América, os bascos já
haviam chegado lá, mas não contaram para ninguém, pois queriam
os gigantescos cardumes do gadus morhua só pra eles.
O "fiel amigo" português
Assim como os bascos, os portugueses, também,
conheceram o bacalhau através do contato com os
vikings que, pelo menos desde o século 10, iam
buscar sal em terras lusitanas, onde
estabeleceram colônias ou feitorias, como
indicam as construções ovais, ao estilo
"viking", em Pedrinhas, perto da Freguesia de
Fão, um dos mais importantes centros salineiros
de Portugal na Idade Média.
Existem registros do século 11 que dão conta do
estabelecimento de relações amigáveis entre os
normandos (povo medieval estabelecido no Norte
da França, cuja aristocracia descendia em grande
parte de vikings da Escandinávia) e as
populações do litoral de Portugal. Alguns
estudiosos acreditam que. entretanto, pelo menos
nessa época, não tenha sido o bacalhau o elo que
permitiu que essas relações amigáveis se
estabelecessem, e sim, o interesse dos
portugueses nos conhecimentos normandos sobre a
navegação atlântica. Pensando bem, faz sentido,
já que Portugal, alguns séculos depois,
tornar-se-ia a maior potência marítima do
Ocidente.
Mas, mesmo que o know how da navegação tenha
sido o foco, o bacalhau parece ter agradado
muito aos portugueses também. Tanto, que eles
passaram a pescá-lo. Um acordo de 1353, firmado
entre os reis Pedro I de Portugal e Edward II da
Inglaterra, estabelecia autorização para
pescadores de Lisboa e do Porto poderem pescar o
bacalhau nas costas da Inglaterra por 50 anos. A
necessidade de estabelecer um acordo indica que
a pesca já vinha sendo realizada e, em tal
quantidade, que se justificava enquadrar essa
atividade nas relações entre os dois reinos. Já
nos séculos 14 e 15, o bacalhau era parte
integrante da dieta da população portuguesa de
forma regular.
Uma carta náutica datada de 1424 de autoria de
um tal Zuane Pizzigano, cartógrafo italiano ao
serviço de Portugal, sugere que os portugueses,
assim como os bascos, também, já haviam estado
na América muito antes que Colombo sequer
cogitasse sua expedição. O documento reproduz
com exatidão um grupo de quatro ilhas com nomes
de raiz portuguesa, denominadas Saya, Satanazes,
Ymena e Antília, localizadas no Atlântico,
a Noroeste dos Açores, que, claramente,
coincidem com a Terra Nova (Newfoundland) e Nova
Escócia de um lado e Avalon e, presumivelmente,
a Ilha do Príncipe Eduardo, por outro. Mas,
todos sabemos, a História "oficial" é outra...
De fato, entretanto, foram os portugueses os
primeiros a irem pescar o bacalhau na Terra
Nova, depois de sua descoberta "oficial" pelo
explorador genovês Jean Cabot (ou Caboto), que,
agindo sob a bandeira da Inglaterra, desembarcou
em terras do Canadá em 1497. Em 1499, João
Fernandes Lavrador e Pedro de Barcelos obtiveram
licença do rei de Portugal para procurar terras
no Atlântico Norte, dando o nome Labrador a uma
zona que fica ao Norte da Terra Nova. Isso
intensificou mais ainda a pesca lusitana no
ártico, fato de fundamental importância para o
futuro das navegações portuguesas, que
transformaria Portugal no mais rico e poderoso
país do mundo no século 16.
As longas viagens às Índias e travessias pelo
Atlântico (mais de três meses em média) exigiam
alimentos secos, que não se deteriorassem,
garantindo a sobrevivência das tripulações. O
bacalhau era a resposta para esse importante
problema das travessias marítimas e desempenhou
um papel importante na alimentação dos
navegadores. Também foi um dos responsáveis
pelos muitos casos de escorbuto, resultantes da
falta de vitamina C, por não ingerirem folhas
verdes e frutos frescos, mas que ficavam bem
alimentados ficavam.
Até hoje, o bacalhau é o “fiel amigo” dos
portugueses e não é por acaso que o peixe se
tornou uma das principais tradições culinárias
do país. Cada português come, em média, de oito
a nove quilos de bacalhau por ano, servido numa
infinidade de receitas - mil segundo eles mesmos
dizem.
A pesca na Terra Nova
Desvendado o segredo dos bascos, com a
descoberta "oficial" das terras americanas do
Norte (e de seus gigantescos bancos de cardumes
de gadus morhua), não só os pescadores
portugueses, mas os espanhóis, franceses,
ingleses e holandeses, também, começaram a
pescá-lo. Um produto desse valor comercial,
evidentemente, não poderia passar despercebido,
sobretudo aos países que possuíam uma grande
frota pesqueira.
Em 1510, Portugal aliou-se à Inglaterra contra a
França para controlar a pesca do bacalhau na
Islândia.
Em 1532, o controle da pesca do bacalhau na
Islândia fez deflagrar um conflito entre
ingleses e alemães, que entrou para a História
como "Guerra do bacalhau". Em 1585, mais um
sério conflito envolveu ingleses e espanhóis.
Por essa razão, ao longo dos séculos vários
foram os acordos assinados entre os países para
regular os direitos de pesca e comercialização
do bacalhau.
Em 1506, D. Manuel já cobrava imposto (“Dízimo
da pescaria”) sobre a pescaria nas terras (ou
seria melhor mares) do Canadá, descoberta por
seus patrícios, com a finalidade de patrocinar
expedições para a pesca do bacalhau.
Existem registros de que, em 1508, o bacalhau
correspondia a 10% do pescado comercializado em
Portugal.
Em 1521, João Álvares Fagundes, explorou a costa
Norte da Terra Nova descobrindo o golfo de São
Lourenço, e recebeu a doação real da Capitania
daquelas terras. A pesca do bacalhau
intensifica-se e, no reinado de D. João III
(1521 a 1557), a frota bacalhoeira portuguesa
descarrega mais de três mil toneladas de peixe.
Durante todo o século 16, os portugueses
mandaram, sistematicamente, à Terra Nova, para a
pesca do bacalhau, uma frota que chegou a ser de
150 navios. Saindo no mês de maio e regressando
em outubro, os navios portugueses largavam dos
portos do continente para efetuarem as suas
campanhas de pesca.
Um livro de registros da Câmara da vila
portuguesa de Aveiro, contém um alvará expedido
ano de 1572, que atesta que já, então, havia na
vila estendais para secar e beneficiar o "fiel
amigo".
A perda da independência para os espanhóis, em
1580, praticamente pôs fim à pesca no Novo
Mundo. Entre outras razões porque Filipe II de
Espanha, que se tornara rei de Portugal com a
morte do sobrinho D. Sebastião, confisca todas
as embarcações da frota bacalhoeira portuguesa
para engrossar as fileiras da "Invencível
Armada". Dessa forma, já em 1624 não havia
nenhuma embarcação para a pesca do bacalhau nos
portos de Aveiro e Viana do Castelo, de onde
habitualmente se armavam barcos para a pesca do
bacalhau. Como, entretanto, o consumo do peixe
nas terras lusitanas não mudou, Portugal passou
a importar o pescado.
Só por volta do século 19, após quase 300 anos,
a pesca do bacalhau voltaria a se reanimar,
porém, sem jamais atingir o mesmo volume de
antes. Em 1891, constituiu-se a Parceria Geral
de Pescarias e, sob forma de parceria marítima,
as pescas voltaram a acontecer. Dos anos 30 aos
60 do século 20 a pesca de bacalhau passa a ser
feita, também, nas proximidades da Groenlândia e
volta a fornecer a Portugal mais de 80% de sua
demanda pelo produto. Na década de 1930,
Portugal já tinha 51 navios responsáveis pela
pesca do bacalhau, porém a frota já mostrava-se
antiquada, em madeira, com alguns navios sem ao
menos um motor auxiliar. Daí, até 1940, a frota
aumentou em mais 15 navios, porém, nesta mesma
época os primeiros arrastões começaram a
participar da pescaria, aumentando
consideravelmente a concorrência. Próximo a 1960
os resultados das pescarias já não são os mesmos
e a frota de navios começa a diminuir
consideravelmente, até que, em 1970, as águas
territoriais do Canadá são alargadas e são
estabelecidas cotas máximas de pesca para frotas
estrangeiras. Com tudo isso, hoje, há apenas um
número pequeno de navios portugueses que se
dedica à pesca do peixe, que passou a ser
importado na sua maior parte, além de
substituído por peixe congelado.
Ao longo dos séculos, o consumo do bacalhau
disseminou-se pelo planeta e a pesca
indiscriminada reduziu os
estoques do peixe nos oceanos, fazendo o preço
subir. Hoje, a pesca está controlada, apesar de
ser feita no período da reprodução, entre maio e
outubro. É a época em que o peixe se apresenta
gordo e saboroso.
No Brasil
O bacalhau é uma das nossas heranças lusitanas mais saborosas e
de maior sucesso. Chegou ao Brasil junto com as primeiras
caravelas, mas somente com a vinda da corte portuguesa e dos
comerciantes lusos para cá, no início do século 19, o consumo do
pescado foi difundido entre a população, impulsionado, com
certeza, também, pela abertura dos portos promovida por D. João
VI. Com ela, o Brasil estreitou os laços comerciais com a
Noruega e começou a importar diretamente o bacalhau. O primeiro
carregamento do produto importado oficialmente diretamente da
Noruega chegou ao Rio de Janeiro em 1843.
O fato é que o bacalhau fincou raízes por aqui, sendo, hoje, no
Brasil inteiro, ingrediente obrigatório nos cardápios da
Quaresma e em datas festivas. Tradicionalmente, durante nessas
datas, é comum as famílias se reunirem ao redor da mesa e para
degustarem uma bela bacalhoada, muitas vezes receitas
familiares, transmitidas de geração para geração.
Os cariocas, em especial, são apaixonados pelo peixe que, desde
os tempos da Corte, se fez presente corriqueiramente em suas
mesas, não apenas na sexta-feira Santa, mas, também, nos
cardápios de domingo - tradição mantida, ainda hoje, em muitos
restaurantes da "Cidade Maravilhosa". É, também, impensável para
o carioca Natal sem bacalhau.
Antigamente no entanto, o bacalhau era um alimento bastante
popular, acessível a todas as camadas, o que permitia que fosse
muito mais presente na dieta nacional do que hoje. Mesmo assim,
iguarias com o nobre pescado estão sempre presentes nos bons
restaurantes e nos cadernos de receitas das donas-de-casa
brasileiras.
Hoje, 95% do bacalhau vendido no Brasil vem da Noruega. Salgado
e seco, como o conhecemos, só existe aqui e em Portugal. A
Espanha o aprecia menos desidratado, enquanto a Itália prefere o
stockfish, que chama de stoccafisso. É um bacalhau secado ao ar
livre, no frio do Pólo Norte, em cavaletes de madeira. Desidrata
intensamente, fica rijo e fino. O nome diz tudo: stockfish
deriva do norueguês klippfisk, que significa peixe-pedra. Se o
nosso bacalhau precisa ser demolhado durante até 48 horas, para
perder o sal, o dos italianos só recupera a maciez após
permanecer 92 horas na água. A espera compensa. Ao ser
reidratado, o stockfish quase dobra de peso. Existe também o
bacalhau fresco. Mas é um produto mais raro, com um sabor bem
diferente do salgado.
Desde 2004, as importações brasileiras superam as portuguesas.
Atualmente somos os maiores importadores de bacalhau do mundo e
o Mercado Municipal Paulistano o seu maior entreposto de venda
mundial.
De acordo com o CNP (Conselho Norueguês da Pesca), a pesca anual
do Cod atinge 230 mil toneladas, valor próximo ao do Saithe, que
é de 200 mil toneladas; já a do Zarbo chega a 14 mil toneladas.
Hoje, a Noruega detém cerca de 82% do mercado total brasileiro
de bacalhau dos tipos cod, saithe, ling e zarbo. De acordo com
os dados do CNP, as exportações no acumulado de janeiro a
dezembro de 2007 somaram 30.197 mil toneladas, contra 27.408 mil
toneladas no mesmo período de 2006. Em 2008, as exportações
continuam a apresentar crescimento em relação à média mensal dos
anos anteriores. Em janeiro do ano passado, a Noruega exportou
3.993 toneladas de bacalhau para o Brasil, alcançando quase o
dobro no mesmo mês em 2008, com 7.471 toneladas exportadas. São
Paulo é o maior importador brasileiro, porém, ao chegar aqui, o
produto também é distribuído para outras cidades brasileiras.
Em 2007, o Brasil assumiu a primeira posição em volume de vendas
entre os importadores dos diversos tipos de Bacalhau da Noruega,
seguido de Portugal, República Dominicana, República Democrática
do Congo, Angola, Itália, França, México e Congo. Até 2006 o
país era o terceiro colocado, ficando atrás de Portugal e União
Européia. No que se refere ao consumo do Bacalhau tipo Cod (Gadus
morhua), Portugal assume o primeiro lugar. No Brasil, é maior o
consumo dos tipos Saithe, Zarbo e Ling.
Segundo dados do Instituto Norueguês foram exportadas 5.425
toneladas do Bacalhau tipo Saithe para o Brasil em janeiro de
2008, contra 1.921 toneladas no mesmo mês em 2007, já
registrando um crescimento significativo.
Segundo dados do Conselho Norueguês da Pesca, nos dois primeiros
meses de 2008, o Brasil ultrapassou de longe Portugal,
tradicional importador, na compra de bacalhau da Noruega. Foram
9 mil toneladas compradas pelo Brasil, contra 2,2 mil importadas
por Portugal.
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Parte de
galeão basco encontrado em Newfoundland,
Canadá.
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Newfoundland - a Terra Nova no Canadá.
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Secagem
natural do bacalhau em Portugal, tradição
que se mantém até hoje, como na foto cima da
praia de Nazaré.
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Secagem
do bacalhau na Terra Nova - Canadá.
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Cada navio bacalhoeiro
português levava entre 40 a 60 barquinhos de
5 metros que se encaixavam uns nos outros,
chamados dóris, Eles podiam transportar
quase uma tonelada de peixes cada um.
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Armada
inglesa escolta a Corte Portuguesa rumo ao
Brasil.
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D. João VI no Rio de Janeiro
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Bolinho
de bacalhau, um dos ícones da cozinha de
boteco carioca.
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