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CACAU
Matéria prima básica do chocolate, o cacau é o fruto do cacaueiro, árvore da família
das esterculiáceas, nativa
de regiões de floresta pluviais da
América Tropical, onde até hoje, é encontrado em estado
silvestre, desde o Peru até o México.
Alimento altamente concentrado, o cacau contém cerca de
40,3% de carboidratos, 22% de gordura, 18,1% de proteínas e
6,3% de cinzas, com pequenos resíduos de água e fibras.
Contém, ainda, as
substâncias de efeito estimulante
Teobromina
(2,2%) e cafeína (1%). Muito energético, possui aproximadamente 4.877 cal/kg.
O uso do cacau na alimentação e fabricação de bebidas já era
conhecido dos povos pré-colombianos da América Central,
particularmente dos maias e astecas. Entre esses povos, as sementes, torradas
e moídas, eram batidas em água quente até fazerem espuma,
sendo a infusão aromatizada com especiarias.
Saindo da floresta amazônica para
conquistar o mundo, o cacau percorreu um longo caminho. Sua
história cercada de lendas, está marcada por episódios curiosos,
foi usado pelos Astecas, como moeda, provocou discussão entre os
religiosos sobre o seu uso nos conventos devido às suas supostas
propriedades afrodisíacas e, por muito tempo, foi uma bebida
exclusiva das mais faustosas cortes da Europa. Suas sementes,
levadas para outras regiões e continentes, formaram grandes
plantações que, hoje, representam importante fonte de trabalho e
renda para milhões de pessoas.
O uso do cacau
através dos tempos
Com as sementes de cacau, os
astecas preparavam uma pasta comestível, a qual adicionavam
farinha de milho e pimenta vermelha; com a polpa, faziam uma
bebida refrigerante. No Brasil amazônico os índios utilizavam
apenas a polpa, de cuja fermentação obtinham uma bebida
alcoólica.
Os conquistadores espanhóis interessaram-se pela bebida dos
astecas e foram os primeiros a adicionar-lhe mel (na ausência do
açúcar) e, mais tarde, baunilha e canela. Hernán Cortés, logo
que a conheceu no México, no começo do século 16, percebeu-lhe o
valor nutritivo, dando ciência do fato ao rei da Espanha. No
México, o chocolate tornou-se tão popular a ponto de ser servido
até nas igrejas. Mas era uma bebida bem diferente do chocolate
que se bebe hoje.
Afirma-se que o primeiro
carregamento de cacau enviado da América à Espanha data de 1585.
A partir daí o produto foi se tornando conhecido em outros
países da Europa. Em 1657, instalou-se em Londres um
estabelecimento onde se servia chocolate. A bebida entrara
também na corte francesa, com Maria Teresa, que, casando-se com
Luís XIV, levou consigo uma criada hábil em seu preparo. Madame
de Sévigné, em uma de suas cartas, refere-se ao chocolate que,
após o jantar, ela tomava com agrado.
À medida que seu consumo
aumentou na Europa, o cultivo do cacau generalizou-se em várias
regiões da América Central e do Sul. Em 1728, foi criada a
companhia Guipúzcoa, especializada na produção de cacau. Do
continente, o cacaueiro foi introduzido nas ilhas da Jamaica,
Trinidad, São Domingos e Martinica. Mais tarde, chegou às
Filipinas e outras regiões da Ásia, tendo conhecido sucessivos e
notáveis êxitos desde que passou a ser plantado na África. Na
América, é cultivado atualmente sobretudo no Brasil, Equador,
México, Colômbia, Venezuela e República Dominicana.
No Brasil, o cultivo de
cacau foi ordenado por carta régia de 1678. Admite-se que na
Bahia, que chegaria a ser uma das mais importantes regiões de
produção no mundo, tenha ocorrido uma primeira tentativa de
plantio em 1665. Outra versão afirma que em 1746 mal se iniciava
ali a cultura cacaueira. As sementes levadas do Pará, onde já em
1689 um francês fabricava pela primeira vez chocolate em Belém,
foram plantadas no atual município de Canavieiras, à margem do
rio Pardo. No sul da Bahia o cacau encontrou um habitat
perfeito. Em 1783, a lavoura cacaueira já era importante na
região de Ilhéus. Em meio a lutas violentas pela posse das
terras, que se prolongaram até as primeiras décadas do século
20, a produção na Bahia firmou-se no século 19, constituindo
fator poderoso para o desenvolvimento regional e originando uma
importante fase econômica -- o ciclo do cacau.
A planta
Em estado silvestre, o
cacaueiro pode atingir mais de dez metros de altura. Em cultivo,
no entanto, para facilitar a colheita é costume podá-lo quando
ultrapassa os quatro metros.
Nasce em terrenos quentes e úmidos, onde encontra as condições
necessárias ao seu desenvolvimento, e se desenvolve melhor a
sombra de outras árvores maiores.
Tem tronco liso, de casca
escura. Os ramos se esgalham, formando grande copa. As folhas
são grandes, coriáceas e de cor verde-clara nas duas faces,
chegando a trinta centímetros de comprimento por quinze de
largura. O cacaueiro perde as folhas em abril/maio e em
setembro/outubro.
As flores, pequenas, avermelhadas, inodoras e pouco atraentes,
nascem unidas ao tronco. Delas se originam as bagas ou frutos,
que medem até 25cm de comprimento e adquirem, quando maduras,
tonalidade esverdeada, amarela ou roxa. Os
frutos do cacaueiro nascem diretamente do tronco e galhos mais
velhos do cacaueiro, pendendo ao longo de todo o tronco da
árvore e ficando quase totalmente ao alcance das mãos do homem.
Cada baga
contém, em média, entre trinta e quarenta sementes de cor
marrom-avermelhado, cobertas com uma polpa branca viscosa, doce
e comestível, da qual são produzidos sucos e geléias.
O cacaueiro pode
viver mais de cem anos, começa a frutificar com três, produz
abundantemente a partir dos oito e em geral até os trinta mantém
uma produção satisfatória.
É, entretanto, uma árvore delicada e sensível a extremos climáticos,
e, também, pouco resistente à pragas e fungos.
As
sementes do cacau têm um gosto amargo, levemente adocicado e são
muito oleosas. A polinização das sementes é feita exclusivamente
através do morcego, e a colheita do fruto é feita duas vezes por ano.
Tipos de cacau
Desde o ponto de vista botânico, a espécie Theobroma caco L.
classifica-se em três variedades:
Cacau Criollo: Corresponde a uma planta de pouco vigor e baixo
rendimento, mas que se destaca pela alta qualidade de suas
sementes. Este tipo de cacau possui um cotilédone com
odor de cacau doce misturado a um odor delicado e
característico. Exemplos de cacau “criollo” são alguns dos tipos
de cacau cultivados na Venezuela, no Caribe e na Papua-Nova
Guiné.
Cacau Forasteiro: É caracterizado por ser o de maior tolerância
às doenças que o cacau “criollo” sofre. Representa cerca de 95%
da produção mundial proveniente dos países da África Ocidental e
Brasil.
Cacau Trinitário: É o resultado do cruzamento entre o cacau
“Forasteiro” e o “Criollo”. É mais resistente e produtivo que o
cacau “Criollo”, mas de qualidade inferior. Produzido em
Granada, Jamaica, Trinidad e Tobago, Colômbia, Venezuela e
América Central.
Desde o ponto de vista comercial e industrial, no mercado
mundial os grãos de cacau se classificam em duas categorias:
Cacau Ordinário: Grãos produzidos por cacaus do tipo
“Forasteiro”. São utilizados na fabricação de manteiga de cacau
e produtos que tenham uma elevada proporção de chocolate.
Cacau Fino ou de Aroma: Em termos gerais, correspondem a esta
categoria os grãos de cacau “Criollo” e “Trinitários”. São
utilizados usualmente em misturas com grãos ordinários ou
“Forasteiros” para produzir sabores específicos em determinados
produtos.
Exigências do
cultivo
As regiões com temperaturas
médias anuais entre 24 e 28º
C são as que
apresentam melhores condições para o cultivo do cacaueiro.
Temperaturas inferiores a 12º C impedem ou reduzem a
frutificação. A planta requer solos profundos, bem drenados e
ricos em potássio e nitrogênio, desenvolvendo-se bem em regiões
com chuvas regularmente distribuídas durante o ano, de índice
acima de 1.500mm.
Nas áreas de plantio são abertos canais para o escoamento do
excesso de águas pluviais. Criadas à parte em sementeiras, as
mudas são transplantadas para o local definitivo entre o sexto e
o oitavo mês. O sucesso do cultivo depende da proteção contra os
ventos e de um bom sombreamento, fornecido ora por bananeiras,
ora por árvores de porte superior ao do cacaueiro.
As lavouras de cacau não dão origem a paisagens contínuas e
homogêneas, como as de café ou cana-de-açúcar. Em atenção aos
seus hábitos nativos, o cacaueiro é normalmente plantado no
interior de nesgas de mata ou, pelo menos, entre árvores
deixadas de pé durante a preparação das áreas de plantio. A
limpeza dos terrenos resume-se ao que os lavradores do sul da
Bahia chamam de cabrocamento, ou seja, remoção dos arbustos e
vegetação rasteira. Para a vegetação natural, os efeitos do
plantio de cacau, por isso, são bem menos danosos que o das
espécies que exigem derrubada de árvores.
A formação do cacaual é um
empreendimento complexo e dispendioso. Só se obtém bom
rendimento quando a orientação científica substitui as técnicas
primitivas. Além dos problemas de natureza agronômica ligados à
formação de roças de cacau, existem os de natureza econômica.
Até os cacaueiros começarem a frutificar com abundância o
produtor precisa dispor de recursos para a manutenção da
lavoura. Uma fazenda de cacau requer, por outro lado,
instalações caras para o condicionamento e primeiros tratos do
cacau colhido e para seu transporte. Essas exigências reduzem a
participação de pequenos lavradores na produção do cacau e
favorecem o predomínio dos grandes fazendeiros ou grandes
empresas.
Produção e consumo
A
produção de cacau, hoje, concentra-se em uma
faixa estreita entre os 20º ao Norte e ao Sul da linha do
Equador.
O Brasil é o 5° produtor de cacau do mundo, ao lado da Costa do
Marfim, Gana, Nigéria e Camarões.
O Sul da Bahia produz hoje 95% do cacau
brasileiro, ficando o Espírito Santo com 3,5% e a Amazônia em
1,5%. Cerca de 90% de todo o cacau brasileiro é exportado. No
período 1975/1980, o tempo áureo do chamado fruto de ouro, sendo
o Brasil o maior produtor mundial, o cacau gerou três bilhões e
618 milhões de dólares (CEPLAC, 2010).
No Brasil, o cacau é produzido em mais
de 40 mil propriedades rurais distribuídas em mais de 150
municípios, grande parte no Estado da Bahia, existindo cerca de
cinco indústrias de processamento de cacau (Cargill,Joanes,
Barry Callebaut, Nestlé e Indeca) que diferenciam seus produtos
em líquor, torta, manteiga e pó, e 57 indústrias de fabricação
de chocolate, sendo 19 delas de grande porte com mais de 500
empregos gerados e 38 de pequeno porte com menos de 500 empregos
gerados (dados de 2005).
Destas empresas, quarenta e seis são
responsáveis por 90% das vendas externas, referente ao cacau já
processado ou industrializado na forma de chocolate. A
exportação na forma de amêndoas é mínima. Em âmbito mundial,
cinco grandes grupos são responsáveis por 80% das importações.
Os principais produtos exportados por estas empresas são a
manteiga , torta e pó de cacau. A produção de líquor de cacau
(massa de cacau) para exportação não é definitivamente o
principal foco destas empresas.Como conseqüência não existe o
estímulo na produção de um cacau com um bom flavor(sabor e
aroma) ou seja com boas características organolépticas destinado
a fabricação de chocolates (dados de 2010)
Com uma produção de 517 mil toneladas
em 2008, o Brasil ocupa a 4ª posição na produção (sob todas as
formas) mundial de chocolate. Com relação ao consumo, este é da
ordem de 487 mil toneladas; o consumo per capita de chocolates é
de 2,16 kg/habitante/ano, ocupando a posição do quarto mercado
consumidor de chocolates de todos os tipos, ainda com baixa
representatividade na participação no mercado consumidor dos
chamados chocolates negros (com alto percentual de cacau na
composição), crescimento de consumo mundial estimado em 30% ao
ano.
O mercado mundial de chocolate
movimenta US$ 60 bilhões (JUSTE, 2009). Segundo dados de 2007 da
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DECHOCOLATE , CACAU,
BALAS E DERIVADOS - ABICAB, o faturamento do setor foi de
R$ 10,4 bilhões, divididos em R$ 7,2 bilhões em chocolates, R$
2,7 bilhões em balas, confeitos e gomas de mascar e R$ 519
milhões em amendoins.
Verifica-se a tendência para o consumo
de produtos com alto teor de cacau, por motivos da preocupação
com a funcionalidade, demanda que a matéria prima cacau fino
pretende atender.
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CACAU
Nome científico:
Theobroma cacao L
Foi o botânico
sueco Carlos Lineu que, no século 18, inspirado
pelas histórias e lendas que envolvem o cacau e pelo sabor do
chocolate, batizou o cacaueiro de Theobroma caco.
Theobroma,
em grego, significa "alimento dos deuses".
Outros idiomas:
Francês -
Cacao
Italiano
- Cacao
Espanhol
- Cacao
Inglês
–
Cocoa
Alemão
- Kakao
O nome da planta é de origem asteca: cacahuatl (cacau) ou cacahuaquahuitl
(cacaueiro); o da bebida, chocoatl (chocolate), de origem maia.
Os
botânicos acreditam que o cacau é originário das cabeceiras do rio Amazonas,
tendo-se expandido em duas direções principais, originando dois grupos
importantes: Criollo e Forastero. O Criollo, que se espalhou em
direção ao norte, para o rio Orinoco, penetrando na América Central e Sul do
México, produz frutos grandes, com superfície enrugada. Suas sementes
são grandes, com o interior branco ou violeta pálido. Foi o tipo de
cacau cultivado pelos índios Astecas e Maias.
O
Forastero espalhou-se bacia amazônica abaixo e em direção às Guianas.
É considerado o verdadeiro cacau brasileiro e se caracteriza por frutos
ovóides, como superfície lisa, imperceptivelmente sulcada ou enrugada. O
interior de suas sementes é violeta escuro ou, algumas vezes, quase preto.











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De início, só se atribuía importância ao cacau por sua
transformação em chocolate, popularizado como um estimulante
contra o frio. Mais tarde, descobriram-se as propriedades
alimentícias e terapêuticas que fizeram do cacau
matéria-prima das indústrias alimentícia e farmacêutica.
Esta utiliza sobretudo a manteiga de cacau, empregada para
combater as rachaduras que o frio causa nos lábios, e a
teobromina, alcalóide básico na elaboração de diuréticos.
SUCO DE CACAU
O suco de cacau possui sabor bem característico, considerado exótico e muito
agradável ao paladar, assemelhando-se ao suco de outras frutas tropicais,
como o bacuri, cupuaçu, graviola, acerola e taperebá. É fibroso e rico em
açúcares (glicose, frutose e sacarose) e também em pectina. Em termos de
proteína e de algumas vitaminas, é equivalente aos sucos de acerola, goiaba
e umbu. Algumas das substâncias que compõem o suco de cacau lhe conferem uma
alta viscosidade e aspecto pastoso.
Fonte:
Indeca
Thesaurus
Enciclopédia Britânica
Sorveteria Confeitaria Brasileira Nº 177
• 2007
Do Consumo de Chocolates à Produção Cacaueira:
Alternativas para Agregar Valor à Cadeia Produtiva do Cacau Fino em Ilhéus -
Bahia – Brasil
de Katianny Gomes Santana Estival/Solange Rodrigues
Santos Correa/Lino Arnulfo Vieira da Cintra
CEPLAC
Sorveteria Confeitaria Brasileira - nº
177 - 2007
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