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ALCACHOFRA
Virgínia Brandão
Planta vivaz ou perene, ou
seja, com um ciclo vegetativo que dura mais de dois anos, a
alcachofra (Cynara scolymus) pertence à família das Compostas, a
mesma família das margaridas e dos girassóis. Conta-se que ela
saiu do jardim e foi para a mesa na época do Império Romano,
quando suas propriedades nutritivas e medicinais foram
descobertas e a alcachofra passou a ser privilégio apenas da
mesa de nobres e reis. Hoje, felizmente, não é preciso ser nobre
para desfrutar deste privilégio.
A Planta
Cresce em forma de arbusto, até um
metro de altura, com o caule marcado por estrias. As folhas, com
discretos espinhos nos segmentos, são carnosas. Brácteas ou
folhas modificadas, vermelhas ou verdes, desenvolvem-se umas
sobre as outras ao redor das flores azuis, formando capítulos
compactos de até dez centímetros de diâmetro.
Tais capítulos são as partes
comestíveis da planta, consumidas refogadas ou fritas, com
molhos ou em conserva. A alcachofra é uma flor imatura, da qual
consumimos apenas a parte carnuda das "pétalas" e o "fundo" da
flor, depois de retirados os espinhos. Na verdade, o que se
chama de "flor" na planta é uma inflorescência. A flor é
constituída por um capítulo de grandes dimensões do qual
consumimos apenas o receptáculo carnudo - chamado "fundo ou
coração da alcachofra". As partes chamadas impropriamente de
pétalas são as brácteas da planta.
De origem mediterrânea, requer clima
temperado a frio (média de 20 graus C), áreas úmidas e solo
profundo e bem drenado. Em regiões quentes vegeta bem, mas não
forma os botões florais comestíveis. A multiplicação é
feita por sementes ou mudas. Os pés, para que se desenvolvam
plenamente, devem ficar a intervalos de pelos menos um metro.
Comum como fina iguaria desde
os antigos gregos e romanos, a alcachofra só foi introduzida no
Brasil pelos imigrantes europeus no começo do século 20 e
adaptou-se às condições dos estados de São Paulo e Rio de
Janeiro, onde seu cultivo se faz em maior escala.
De agosto a novembro, estamos em plena época de colheita da
alcachofra. É quando a encontramos com ótima qualidade e
melhores preços. São quatro as variedades mais encontradas no
mercado: Violeta de Proença, Roxa de São Roque, Verde Lion e
Verde Grande da Bretanha.
Propriedades nutritivas e medicinais:
As alcachofras sempre tiveram suas
propriedades reconhecidas. Na Antigüidade, elas já eram
utilizadas pelos médicos no preparo de medicamentos contra a
febre, doenças do fígado, reumatismo e até como antidepressivo.
Rica em matérias minerais,
atribuem-se à alcachofra propriedades anti-reumáticas,
diuréticas e febrífugas. A cada 100g comestíveis, encontramos
boas doses de vitaminas do complexo B, potássio, cálcio,
fósforo, iodo, sódio, magnésio e ferro. A lista de suas
qualidades terapêuticas também é digna de registro. Para
começar, o sabor amargo estimula as secreções digestivas. A água
do cozimento da alcachofra é um verdadeiro chá de efeito
diurético, estimulante da vesícula biliar e ativador da
digestão.
Aliás, a alcachofra é considerada um eficiente auxiliar da
digestão e a ciarina - substância encontrada na planta - pode
melhorar as funções do fígado. A medicina popular já consagrou
esta iguaria como um perfeito alimento-remédio, ideal para as
pessoas com problemas hepáticos e para os diabéticos.
Várias experiências realizadas com o extrato da alcachofra
atestaram sua eficiência na redução do excesso de gordura no
sangue, porém, o simples fato de consumí-la já traz inúmeras
vantagens, entre elas, o poder de combater anemias e raquitismo,
pela boa dose de ferro e vitamina C que contém.
A alcachofra, também, fornece
uma boa quantidade de fibras, que estimulam o funcionamento do
intestino, pelo aumento do trânsito intestinal, auxiliando,
desta forma, no processo de eliminação de peso.
Além disso tudo, a alcachofra também fornece matéria corante que
serve para tingir de amarelo o algodão e a lã.
COMO COMPRAR
Para ter a certeza de que este legume
está bom para o consumo, segure-o pelo talo e sacuda-o
suavemente. Se ele estiver flexível, significa que já está
maduro. Evite o produto se as folhas estiverem abertas ou se a
parte interna das folhas estiver com coloração marrom, pois
indica que já passou da validade.
COMO CONSUMIR
A maioria dos nutricionistas
concorda: o ideal é consumir a alcachofra no mesmo dia da
compra, pois ela começa a perder suas qualidades logo depois de
colhida. Na hora da compra, recomenda-se escolher as que
apresentarem talo longo e inflorescência firme e bem arroxeada.
Para os apreciadores desta flor comestível, os "espinhos" só
devem ser retirados após o cozimento - é quando chegamos ao gran
finale da iguaria: o famoso fundo da alcachofra. Outro detalhe:
recomenda-se consumir a planta logo após o cozimento ou preparo,
para melhor aproveitamento de suas propriedades medicinais e
nutricionais.
Dicas para preparar a alcachofra:
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Corte o talo
perto da base e lave a alcachofra em água
corrente abrindo bem as pétalas para que a água
penetre.
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Deixe de
molho em água com sal e algumas gotas de limão
ou vinagre para não escurecer.
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No cozimento,
use panelas esmaltadas ou em aço inoxidável. As
panelas de alumínio escurecem a alcachofra.
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O tempo médio
de cozimento é de aproximadamente 40 minutos,
dependendo do tamanho e idade da alcachofra. Em
panela de pressão o tempo cai para uns 20
minutos.
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Para saber se
a alcachofra está cozida, é só puxar uma folha:
se ela se soltar com facilidade é porque está no
ponto.
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No cozimento,
evite o excesso de água: coloque o suficiente
para cobrir metade da alcachofra.
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Os talos das
alcachofras também podem e devem ser
aproveitados. Para isso, é só retirar a parte
fibrosa que os envolve, descascando-os com uma
faca. Depois, deixe os talos mergulhados em água
com limão ou vinagre durante alguns minutos e
leve para cozinhar por 30 minutos ou 15 minutos
em panela de pressão.
Curiosidade Histórica
Por volta do século 16, o
consumo da alcachofra na França chegou a ser proibido para
mulheres. É que a esposa do rei Henrique II, a italiana Catarina
de Médicis, adorava alcachofras e corria a fama de que a iguaria
era um poderoso afrodisíaco. O comportamento da esposa do rei
não devia ser muito exemplar, pois, juntando uma coisa com a
outra, acharam que as damas não deviam comer alcachofras e viram
por bem, proibir o consumo apenas pelas mulheres.
Fontes: Enciclopédia
Britânica
Wikipéida
Jardim de Flores
Embrapa
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