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PANELAS
PANELA
BARRO
A argila foi o primeiro material utilizado pelo homem para
confeccionar utensílios domésticos. Quando saiu das cavernas e
se tornou um agricultor, ele necessitava não apenas de um
abrigo, como de vasilhas para armazenar a água, os alimentos
colhidos e as sementes para a próxima safra. Tais vasilhas
tinham que ser resistentes ao uso, impermeáveis à umidade e de
fácil fabricação e essas características foram encontradas na
argila, elemento abundante na natureza.
Inicialmente, as peças
eram modeladas à mão em barro cru, tal qual era extraído da
terra, e secos ao sol e ao vento. Com o tempo, o homem descobriu
que se cozidas no fogo, as peças se tornariam mais rijas e
duradouras. Surgiam as panelas de barro, que se perpetuariam
junto a todos os povos, tanto no uso, como na própria
tecnologia de fabricação que, fora o uso do torno, em nada se
alterou até os nossos dias.
Comida quentinha e saborosa
As panelas de barro deixam a comida uma delícia
e a conservam quente por mais tempo. É uma opção
especial que não tem contra-indicação. Os peixes e carnes com
molhos são os melhores pratos para serem preparados.
Entretanto,
é preciso estar atento à procedência da panela de barro, pois se
ela não for de boa qualidade, pode conter grande quantidade de
metais pesados como o chumbo, o cádmio e o níquel, prejudiciais
ao organismo.
A limpeza também deve ser feita cuidadosamente, porque se trata
de material poroso: o sabão ou o detergente podem ser
absorvidos. Para que se evitem quebras e trincas, recomenda-se
esperar a panela esfriar antes da lavagem.
As mais
famosas e conhecidas panelas de barro do Brasil são as do
Espírito Santo, sobretudo as produzidas pelas Paneleiras de
Goiabeiras, bairro de Vitória. Consideradas um dos ícones da
cultura popular do Estado, a panela de barro é suporte
indispensável para o preparo da moqueca e da torta capixabas,
pratos típicos da sua culinária. Os produtos nela preparados têm
aspecto e paladar bem mais apetitosos. Ela se integrou de tal
forma na culinária capixaba que faz parte de sua tradição
Cuidados necessários
Para melhor
durabilidade e rendimento, e para que não haja interferência dos
produtos usados na feitura da panela no sabor da comida, como
acontece com a panela de pedra-sabão, a panela de barro também
precisa ser curada antes do seu primeiro uso.
As
Paneleiras de Goiabeiras, aconselham o que chamam
de segunda queima, que deve obedecer ao seguinte procedimento:
1- Colocar
dentro da panela 2 colheres de sopa de óleo de cozinha, de
preferência oliva, levando-a ao fogo.
2- Deixe o
óleo queimar até a fumaça começar a ficar preta e apague o fogo.
Alguns
aficionados desse utensílio tão especial, sugerem, ainda, que,
depois dessa queima, antes de usar a panela pela primeira vez,
ela seja colocada em banho-maria com água fervente por cerca de
20 minutos, para eliminar qualquer resquício de cheiro ou gosto
indesejado.
Depois, com
o uso, assim que aquecida prepara rápido os alimentos e tem a
vantagem de mantê-los quentes, borbulhando na mesa.
Para
escolher uma boa panela para uso, leve em consideração:
-
A cor - negra intensa, revela boa imunização. Fungos
desintegram o barro que esfarinha;
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A espessura - quanto mais fina, melhor a qualidade da matéria
prima utilizada;
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O formato - panela certinha denuncia uso do torno, baixa
densidade do barro e porosidade;
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O brilho - mostra que o barro foi comprimido e a goma aflorou;
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O som - suspenda a panela com umas das mãos e com os nós dos
dedos da outra mão, bata no fundo, se o som for chocho, indica
que há
rachaduras, ocos ou houve queima incompleta da peça.
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A comida na panela
A
princípio qualquer comida pode ser feita nas panelas de barro, desde
feijoada, nos caldeirões, também produzidos em Goiabeiras, até um
simples arroz. Mas é a moqueca capixaba - moqueca é capixaba, o
resto é peixada, como diz um velho provérbio local - o carro-chefe
da venda das panelas de barro. Simplesmente porque moqueca feita em
outra panela perde a graça especial de chegar fumegante, em uma
trempe de arame, à mesa. Outra comida típica capixaba que não vive
sem a panela de barro é a tradicional torta capixaba, feita a partir
de uma mistura de frutos do mar, palmito e ovos. A torta é um prato
obrigatório durante a Páscoa e conta a história que foi criada pelas
escravas, a exemplo da feijoada, a partir das sobras dos alimentos
das grandes fazendas. Tanto a moqueca quanto a torta levam como
tempero singular o coentro e ao contrário da Bahia, Estado que faz
divisa ao norte com o Espírito Santo, não são usados leite de coco,
óleo de dendê ou pimenta. O tempero da comida capixaba, suave,
lembra mais o de Minas Gerais, vizinho do lado oeste e o do Rio de
Janeiro, que faz divisa ao sul. Mas uma coisa é certa, a comida
capixaba tem uma personalidade forte, bem definida, que a difere dos
pratos cariocas e mineiros. O responsável por isso é o inigualável
sabor do coentro que mesmo em pequenas quantidades aguça os
paladares mais exigentes e não há estrangeiro nessa terra que não
pergunte. Que gostinho é esse?
Cláudia
Rodrigues
Século Diário
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