AÇÚCAR
A CANA DE AÇÚCAR
Cana é o termo genérico que designa os colmos das gramíneas, tais
como bambu, taquara e a cana-de-açúcar. Utilizada na fabricação
de cestos, móveis e bengalas.
A cana de açúcar, nome comum de uma herbácea vivaz, planta da
família das gramíneas, espécie Saccharum officinarum, originária
da Ásia Meridional, é muito cultivada em países tropicais e
subtropicais para obtenção do açúcar, do álcool e da aguardente,
devido a sacarose contida em seu caule, formado por numerosos
nós.
Os colmos, caracterizados por nós bem marcados e entrenós
distintos, quase sempre fistulosos, são espessos e repletos de
suco açucarado. As flores, muito pequenas, formam espigas
florais, agrupadas em panículas e rodeadas por longas fibras
sedosas, congregando-se em enormes pendões terminais, de
coloração cinzento-prateado.
Existem diversas variedades cultivadas de cana-de-açúcar, que se
distinguem pela cor e pela altura do caule, que atinge entre 3 e
6 m de altura, por 2 a 5 cm de diâmetro, sendo sua multiplicação
feita, desde a Antigüidade, a partir de estacas (algumas
variedades não produzem sementes férteis). A cana-de-açúcar é
cultivada, principalmente, em clima tropical onde se alternam as
estações secas e úmidas. Sua floração, em geral, começa no
outono e a colheita se dá na estação seca, durante um período de
3 a 6 meses.
Embora se tenha ensaiado com êxito o uso de várias máquinas para
cortar cana, a maior parte da colheita ainda é feita
manualmente, em todo o mundo. O instrumento usado para o corte
costuma ser um grande machete de aço, com lâmina de 50 cm de
comprimento e cerca de 157 cm de largura, um pequeno gancho na
parte posterior e cabo de madeira. Na colheita, a cana é abatida
cortando-se as folhas com o gancho do machete e dando-se outro
corte na parte superior, à altura do último nó maduro. As hastes
cortadas são empilhadas e depois recolhidas, manualmente ou com
máquinas. Atadas em feixes, são levadas para as usinas, onde se
trituram os caules para extração do caldo e posterior obtenção
do açúcar.
No Sudeste do Brasil, é plantada de outubro a março e colhida
de maio a outubro, e, no Nordeste, de julho a novembro e colhida
de dezembro a maio. De acordo com as condições de produção, o
rendimento anual é de 50 a 100 toneladas por hectare. A média
brasileira é de 60 toneladas por hectares e, no Estado de São
Paulo, de 74 toneladas por hectares (1983), com teor de açúcar
extraído de 9 a 12% e rendimento em álcool de 70 litros por
tonelada.
O bagaço, resíduo da cana depois da extração do suco, é
aproveitado como bagaço hidrolisado, juntamente com a levedura
da cana (resíduo da fermentação), em rações para a alimentação
do gado confinado. A vinhaça ou vinhoto, outro resíduo, também
pode ser usada como adubo, mas, no Brasil, muitas vezes, é lançada
aos rios, apesar da proibição, causando grave poluição e
mortandade de peixes.
O Caldo de Cana
Caldo de cana ou garapa é o nome que se dá ao líquido extraído da
cana-de-açúcar no processo de moagem.
É rico em sacarose, sendo usado como matéria-prima na fabricação de
açúcar, etanol (álcool etílico) e cachaça. O resíduo industrial na
destilação, para fabricação de álcool e cachaça, é o melaço, ou
mel-de-furo.
O caldo de cana é consumido também in natura, como alimento muito
energético. Também é utilizado como base para a produção de melado e
rapadura, alimentos muito populares na região nordeste do Brasil.
O valor nutricional da cana está diretamente ligado ao seu alto teor
de açúcar (40% a 50% de açúcares na matéria seca), uma vez que o seu
conteúdo protéico é extremamente baixo, o que lhe confere a
característica de ser um alimento muito desbalanceado em relação a
seus nutrientes.
O maior consumo de caldo de cana na população é na forma de bebida, puro
ou acrescido de limão. Sua comercialização tem sido em litros, prensado
e embalado na hora da aquisição. Os pontos de venda geralmente são
adaptados em quiosques em avenidas, junto às feiras e sacolões.
Na Culinária
A sua aplicação em preparações culinárias é pouco divulgada ou
conhecida. O seu uso como ingrediente deve ser avaliado pois contribui
com o sabor doce e característico, mas também cor, e alguns minerais
quando comparado com o açúcar (sacarose) amplamente utilizado.
As alunas de graduação do curso de nutrição Luciana Takano de Almeida
Silva e Mariana Satomio do laboratório de Técnica Dietética do
Departamento de Nutrição/FSP/USP, desenvolveram um trabalho de
adaptação de algumas receitas usando o caldo de cana como ingrediente.
As preparações adaptadas com caldo de cana apresentaram características
sensoriais satisfatórias. Observou-se que, quando utilizado como
ingrediente em preparações de coloração clara, conferiu uma tonalidade
ligeiramente esverdeada (cor do caldo de cana), o que prejudicou sua
aceitação. Em preparações com ingredientes com cor determinada (fubá,
chocolate) esse aspecto não influenciou. Houve necessidade de adaptações
quando substituiu o açúcar pois seu grau de doçura acrescido do sabor
dos minerais e compostos presentes, deve ser em quantidades reduzidas,
em até 50%. Pode ser mesclado com açúcar mascavo, açúcar cristal e
substituir outros líquidos, mas é necessário equilibrar os ingredientes
como a gordura, os líquidos totais para a manutenção da umidade e maciez
e a intensidade do doce.
Como as quantidades do caldo de cana utilizadas são menores nas receitas
adaptadas, a sua contribuição em nutrientes especialmente do ferro é
pequena, mas não insignificante.
O uso do caldo da cana de açúcar pode ser incrementado em diversas
preparações, em especial, bolos, pães, pudins, ou até mesmo em vitaminas
de frutas. O seu sabor característico pode não ser desejável, mas se
combinado de maneira correta resulta em produtos com qualidade, como as
preparações aqui apresentadas.