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Virgínia Brandão

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A palavra "macarrão" vem do grego "makària"
(caldo de carne enriquecido por pelotinhas de farinha de trigo e por
cereais, cerca de 25 séculos atrás). A palavra "pasta" (massa dos
italianos) vem do grego "pastillos" (pastillos é citado em seus
textos por um poeta, especialista em versos culinários, o grande
Horácio).
Finalmente, os latinos da época de Cristo já se deliciavam com um
prato batizado de "macco" (caldo de favas e massas de trigo e
água.). Seguramente, da reunião dessas influências, aparecem na Ilha
da Sicília, cerca de mil anos atrás, o verbo "maccari" (significa
esmagar ou achatar com muita força).
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Sabe-se que o macarrão começou
a ser preparado logo que o homem descobriu que podia moer alguns cereais,
misturar com água e obter uma pasta cozida ou assada. É difícil dizer,
porém, onde e quando isso aconteceu. A história do macarrão se confunde
com alguns fatos históricos, que mostram a trajetória desse apreciado
produto ao longo dos séculos.
Textos de civilizações antigas
relatam que os assírios e babilônios, por volta de 2500 a.C., já conheciam
um produto cozido à base de cereais e água. Mas, a primeira referência do
macarrão cozido, e a
mais próxima ao Ocidente, está no Talmud de Jerusalém, o
livro que traz as leis judaicas do século 5 a.C. O "itriyah" dos antigos
hebreus era uma espécie de massa chata usada em cerimônias religiosas. Em
Roma, no século 7 a.C., comia-se uma papa de farinha cozida em água,
chamada "pultes". Com legumes e carne era chamada de "puls púnica". Com queijo
fresco e mel, "puls Julia".
Na versão mais comum, o macarrão teria chegado ao Ocidente em 1295, pelas
mãos de Marco Polo, mercador veneziano que visitou a China, onde passou 17
anos e teria conhecido a iguaria. Mas, na verdade, isso não passa de uma
lenda difundida a partir dos Estados Unidos no final do século 19, Entretanto, na Itália, em 1279, foi
registrada, em um inventário, que soldado genovês, Ponzio Bastione, deixava
à família uma "cesta de massas".
A palavra utilizada no
inventário era macaronis, que seria derivada do verbo maccari, de um antigo
dialeto da Sicília, que significa achatar que, por sua vez, vem do grego
makar, que quer dizer sagrado. O termo macarrão foi usado na Idade
Média para indicar vários tipos de massas.
A versão mais aceita pelos historiadores até a descoberta dos arqueólogos
chineses em 2005 (ver box à direita) afirmava que os árabes são os
verdadeiros pais do macarrão, levando-o à Sicília no século 9, quando
conquistaram a maior ilha italiana. Era uma massa seca para melhor conservação nas longas travessias pelo
deserto.
Nesta época, a Sicília tornou-se o centro mais importante do comércio e
exportação de macarrão. Os navegadores genoveses transportavam o produto
para importantes portos do Mediterrâneo, como Nápoles, Roma, Piombino,
Viareggio.
Apesar das confusões, uma coisa é certa: a partir do século 13, os
italianos foram os maiores difusores do macarrão no mundo e
inventaram mais de 500 variedades de tipos e formatos. São também os maiores
consumidores, refestelando-se com 28,2 kg de massa ao ano por pessoa. Os
brasileiros aparecem como 4º do ranking, com um consumo anual de 5,8 kg por
pessoa.
MACARRÃO NO BRASIL
No Brasil, aliás como em
boa parte do mundo, o macarrão chegou pelas mãos dos imigrantes italianos,
na segunda metade do século 19 e foi facilmente assimilado e introduzido nos nossos hábitos
alimentares, principalmente na região Sul do país. O
crescente interesse da população pelo produto, fez surgir pequenas fábricas de macarrão,
que tinham
sempre como mão de obra a família italiana. E, foi assim, com uma produção
rudimentar, de baixo volume e bem caseira, até começarem a surgir as primeiras
indústrias de massas alimentícias, que, nos dias atuais, possuem modernas
máquinas e alta tecnologia e respondem pela terceira maior produção do
mundo.
Fontes:
ABIMA
Cia Boa Notícia
Old Cook
Gastronomia Brasil.com
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O fio de macarrão acima foi deixado no prato por um chinês
apressado há cerca de 4 mil anos (foto: reprodução/
Nature)
A origem perdida do macarrão
Em 2005, cientistas
chineses encontraram, em escavações no sítio
arqueológico de Lajia, junto ao Rio Amarelo, na China,
o mais antigo vestígio conhecido da fabricação do
macarrão pelo homem. Com cerca de 4 mil anos, o fio de macarrão
amarelo tem cerca de 50 cm de comprimento por 0,3 cm de
espessura, e estava dentro de uma vasilha virada de cabeça para
baixo, soterrada a cerca de três metros da superfície.
Os pesquisadores relatam, na revista científica Nature, que o
macarrão foi feito de grãos de milheto (uma espécie de milho), e
não de farinha de trigo, como atualmente. A diferença,
entretanto, pára por aí: sua produção, como a do nosso macarrão
atual, consiste em farinha amassada com água, trabalhada e
cortada no formato desejado e depois cozida em água fervente.
A descoberta resolve uma discussão antiga sobre quem criou o
macarrão: chineses, italianos ou árabes. O cientista Houyuan Lu,
do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia de Ciências de
Pequim e líder da equipe responsável pelo achado, disse que, até
agora, o registro mais antigo do prato constava de um livro
escrito entre os anos 25 e 220 d.C.. "Nossa descoberta indica
que o macarrão foi produzido pela primeira vez na China", afirma
o acadêmico.
Segundo ele, o antigo assentamento de Lajia (considerado uma
espécie de Pompéia chinesa por conta de sua riqueza
arqueológica) foi atingido por uma catástrofe repentina. Entre
os despojos estão esqueletos em várias posições incomuns,
sugerindo que os habitantes da área podem ter tentado fugir.
"Baseado em evidências geológicas e arqueológicas, ocorreu um
terremoto catastrófico e, em seguida, inundação das águas do
rio", explicou outro integrante da equipe, Kam-biu Liu, da
Universidade Estadual da Louisiana, nos Estados Unidos.

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