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Physalis

Virgínia Brandão

 

Originária da Amazônica e dos Andes, a physalis possui variedades cultivadas na América, Europa e Ásia. Na Colômbia, é conhecida como uchuva e no Japão, como hosuki. É uma planta arbustiva, com folhas aveludadas e triangulares, que pode chegar aos dois metros de altura.

Tem tudo para ser considerada exótica: nome, aparência e preço. Apesar disso, no Norte e Nordeste do país é comum nos quintais e é conhecida por nomes que não podiam ser mais brasileiros: camapum, joá-de-capote, saco-de-bode, bucho-de-rã e mata-fome. Essa variedade nativa é a Physalis angulata, da grande família das solanáceas, a mesma do tomate, da batata, do pimentão e das pimentas.


As frutas são delicadas, pequenas e redondas, com a parte comestível protegida por uma delicada folha seca em formato de balão, assemelhada ao papel de arroz. A coloração vai do amarelo ao verde, passando pelo vermelho.

 

 

Bastante sofisticada, possui um sabor único, levemente ácido e adocicado, sem comparação com outra fruta. Muito versátil, a physalis é consumida ao natural e usada na preparação de doces, geléias, sorvetes, bombons e em molhos de saladas e carnes, aos quais acrescenta um toque exótico. Atualmente, tem sido muito utilizada, também, como tira gosto para degustação de vinhos. Mas, talvez, a mais perfeita de suas combinações seja com o chocolate (experimente mergulhá-las em fondue de chocolate).

 

Nos países europeus e nos asiáticos, a physalis surge em deliciosas receitas, como a britânica gooseberry fool, um creme que combina a fruta com chantilly. A refrescante sobremesa é feita com uma physalis esverdeada, apelidada de limão do norte. Os australianos a transformam em conserva. Pouca gente sabe, mas o tomatillo, produto de destaque na culinária mexicana, é na verdade uma physalis cultivada e consumida desde os tempos dos astecas e indispensável no preparo da típica salsa verde.

 

Apesar de sua popularidade no Norte e Nordeste, a physalis ainda é novidade no Sul e Sudeste. Já é encontrada nos supermercados, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, mas grande parte é importada da Colômbia, a pioneira na produção em grande escala da fruta e que abastece o mercado Norte Americano e Europeu. O preço é alto: uma cestinha com 100 gramas custa entre oito e dez reais. Isso ocorre porque a produção comercial no Brasil é pequena.

 

Usos Medicinais

 

 

 

É rica em vitaminas A, C, fósforo e ferro, além de alcalóides e flavonóides. Purifica o sangue, fortalece o sistema imunológico, alivia dores de garganta e ajuda a diminuir as taxas de colesterol. A população nativa da Amazônia utiliza os frutos, folhas e raízes no combate à diabetes, reumatismo, doenças da pele, bexiga, rins e fígado. Estudos científicos recentes em andamento e ainda não concluídos revelaram forte atividade como estimulante imunológico combatendo alguns tipos de câncer além de efeito antiviral contra os vírus da gripe, herpes, pólio e HIV tipo 1. Mais recentemente cientistas da Fundação Oswaldo Cruz do Ceará descobriram uma substancia chamada "physalina" que atua no sistema imunológico humano evitando a rejeição de órgãos transplantados. A FioCruz e seus cientistas estão requerendo a patente desta descoberta.

 

Plantio

 

A physalis é uma planta rústica, que exige poucos cuidados, e que até agora não apresentou doença significativa. Desenvolve-se bem em regiões quentes, de clima tropical e subtropical, mas tolera bem o frio. Tanto que o município de Carazinho, no Rio Grande do Sul, está se tornando um pólo produtor, com o plantio planejado de 40 mil plantas. O plantio pode ser feito durante o ano todo. Antes de plantar, é aconselhável realizar análise de solo, que deve ser preparado com recomendações para tomate. Os melhores solos são os areno-argilosos e pouco ácidos.

Inicia a produção de frutos a partir do 4 a 5 mês e estende a produção por um período de até 6 meses se for submetida a um bom trato cultural. As frutas podem chegar a pesar de 4 a 9 gramas por unidade com diâmetro de 1 a 2 centímetros. Cada planta pode produzir de 2 a 4 quilos de fruto. Bastante rústica e de fácil manejo pode-se introduzir até 6.000 plantas por hectare.

 

 
   

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Atualizado em: 13 fevereiro, 2012.