O palmito é o miolo do gomo terminal superior de algumas espécies de
palmeiras. É
um alimento saboroso, pouco calórico e bastante nutritivo, rico, sobretudo,
em sais minerais. Na gastronomia é um ingrediente nobre, apreciado pelos mais variados e refinados paladares, difundido em diversas cozinhas e que se
presta a muitos usos culinários, dos populares pastéis (quem
resiste?) ao sofisticado carpaccio.
O
palmito já era consumido pelos ameríndios muito antes da chegada dos
colonizadores europeus. Produto exótico, extraído do caule de palmeiras
nativas das florestas tropicais, o palmito é um alimento saboroso, difundido
em várias cozinhas e que se presta aos mais variados usos culinários.
O Brasil é o maior produtor mundial, responsável por 95% do produto
consumido no planeta. Contudo, o caráter extrativista predatório de sua
exploração, que dizimou as reservas nativas da palmeira Juçara (Euterpe
edulis) na Mata Atlântica e está levando para o mesmo caminho as reservas
nativas da palmeira Açaí (Euterpe oleracea), na Amazônia, gerou uma
legislação protecionista rígida e colocou o palmito na mira da extinção e
dos ecologistas até que alternativas ambientalmente corretas e
economicamente viáveis, como a cultura da pupunha para extração de palmito,
começaram a ser implementadas.
O Brasil é o maior produtor de palmito do mundo e consome cerca de 40
toneladas do alimento ao ano.
Este alimento vem da palmeira, sendo retirado do Açaí da Amazônia e Juçara
da Mata Atlântica. Ambos só podem ser extraído com autorização ambiental.
Uma das formas que os produtores vêm encontrando para aumentar a produção é
com o cultivo da pupunha e palmeira-real. A Palmeira-real (origem
Australiana) obtém no corte por árvore, em média, o equivalente a pouco mais
de meio vidro de 300 gramas de palmito cortado em toletes. A palmeira-juçara
produz quase 1,3 vidro por árvore, mas leva 12 anos para produzir, quase
três vezes o tempo de corte da palmeira-real. Hoje cerca de 90% da produção
de palmito vem da palmeira Juçara.
No Brasil, várias palmeiras
produzem palmito comestível. As principais delas são
1-
Euterpe edulis Mart., comumente chamada de palmiteiro juçara ou
jiçara, oriundo da Mata Atlântica.
2-Açaí, oriundo da Amazônia.
3-
Entre as palmeiras comestíveis destacam-se três, que são exploradas
comercialmente no Brasil:
- a Juçara - Euterpe edulis - que cresce em toda a região da Mata Atlântica,
desde o Estado da Bahia até a fronteira do Brasil com a Argentina.
- o Açaí - Euterpe oleracea - que é mais comum na região Norte do Brasil.
- a Pupunha -
Bactris gasipaes, palmeira antes mais utilizada para o
aproveitamento de seus frutos que, a partir da década de 70 do século
passado, passou a ser,
também, explorada para extração do palmito.
Palmito Jussara
A Euterpe
edulis Mart., comumente chamada de palmiteiro juçara ou jiçara,
é a espécie de palmeira mais conhecida e apreciada no Brasil.
Produtora do palmito branco,
a espécie é amplamente distribuída geograficamente, apresenta
grande abundância na área de ocorrência, sendo encontrada na Região
Centro-Sul do País e no Estado de São Paulo. Tem ciclo de vida
curto, posicionamento no estrato médio da floresta, forte
interação com a fauna e comercialização garantida.
Só o miolo da planta, cilindro de 30cm de
comprimento pôr 8cm de diâmetro, se utiliza para o consumo. Este miolo é formado pôr camadas sucessivas, que variam de cor e espessura,
Para se obter o palmito, a palmeira é derrubada, embora se aproveite só a
ponta da planta.
Atualmente a espécie Euterpe edulis é um dos produtos mais explorados da
Mata Atlântica,
sofrendo intenso extrativismo por seu alto valor
econômico como alimento. Essa exploração contribui para a degradação do meio
ambiente e tornou-se um fator de preocupação para a preservação da espécie,
uma vez que não há rebrota após o corte para a extração do palmito. Ao longo
das últimas décadas, diversos dispositivos legais foram criados para evitar
a extinção da palmeira, regulando a extração
e industrialização do produto, a fim de torná-lo uma fonte renovável
de riqueza. Ao lado disso, torna-se necessário intensificar a preocupação
com a reposição da espécie por meio do replantio.
De fato, o processo mais adequado para a exploração do palmiteiro é o manejo
sustentado, que não apenas se torna uma nova fonte de renda para as áreas
florestadas
e famílias inteiras que se dedicam a extração de produtos da
floresta, como desempenham um papel ecológico fundamental no
ecossistema, evitando-se o risco de extinção da espécie.
A Planta
Euterpe edulis é uma espécie perenifólia, ombrófila, mesófila ou levemente
higrófila (LORENZI, 1992), que apresenta estipe único, sendo incapaz de
produzir perfilhos, o que acarreta na morte da planta após corte do palmito
(TSUKAMOTO FILHO et al.,2001).
O palmito-juçara é uma palmeira caracterizada como espécie climácica e com
estratégia de regeneração do tipo banco de plântulas, com distribuição
espacial agrupado próximo das plantas parentais (FANTINI et al.,2000),
encontrando-se no estrato médio da floresta, sendo característica da
Floresta Estacional Semidecídual, Floresta Ombrófila Densa e Cerrado.
Informações Botânicas
Morfologia
A árvore chega a atingir até 20 m de altura e 30 cm de DAP, na idade adulta.
Seu tronco reto, cilíndrico, não-estolonífero (não brota na base); seu
estipe (caule) não é considerado fuste. Entre o término do tronco e a parte
onde nascem as folhas, há uma seção verde, mais grossa que o tronco, formada
pela base do conjunto de folhas. Dentro desta seção encontra-se a parte
comestível da palmeira (CK AGRÍCOLA,s/d).
As folhas são alternas, pinadas, com até 3 m de comprimento. As pinas são
longas e estreitas; as bainhas são bem desenvolvidas formando um coroamento
verde muito característico no ápice do caule (CK AGRÍCOLA,s/d).
As flores são unissexuais, sendo as masculinas em maior número, de coloração
amareladas, numerosas, com 3 a 6 mm de comprimento, distribuídas em grupo de
três, uma feminina entre duas masculinas. A inflorescência é um espádice de
50 a 80 cm de comprimento, composto de várias espigas, inseridas abaixo das
folhas. Na antese, a inflorescência está envolta por uma grande bráctea que
a protege até o seu desenvolvimento (CK AGRÍCOLA,s/d).
Os frutos são carnoso, fibrosos, com endosperma muito abundante e não
ruminado (QUEIROZ, 2000).
A semente é quase esférica, parda-grisácea a parda-amarelada, envolta por
uma cobertura fibrosa, com até 10 mm de diâmetro. As sementes desta espécie
possuem endosperma muito abundante, com alto teor de reservas, as quais
constituem-se de carboidratos (cerca de 88%), proteínas (10%) e lipídeos
(2%) (REIS,1995).
Reprodução
Planta monóica, sua dispersão é feita por vários mamíferos (morcegos,
porcos-do-mato, serelepes) e aves (sabiás, jacus, tucanos, macucos,
jacutingas).
A floração ocorre de setembro a dezembro, no Paraná, em Santa Catarina e no
Rio Grande do Sul, e de setembro a janeiro, em São Paulo (CK AGRÍCOLA,s/d).
Os frutos amadurecem de abril a novembro, em Santa Catarina e no Rio Grande
do Sul; de maio a outubro, no Paraná e, de maio a novembro, em São Paulo. O
processo reprodutivo inicia ao redor dos seis anos de idade, em plantio. A
frutificação é, em geral abundante, podendo uma planta em condições
favoráveis, produzir 216 a 528 cachos/ha e de 6 a 8 kg de frutos por ano, o
que equivale entre 8.000 e 10.000 sementes ou média de 5 kg (CK
AGRÍCOLA,s/d).
Os padrões de floração e frutificação do palmiteiro Euterpe edulis Mart
foram estudados por 4 anos (1994 a 1997) por Fisch el al. (2000). Como
resultado, a floração desta espécie apresentou-se como um episódio singular,
que se iniciou no final da estação seca (agosto) e se concentrou nos meses
de outubro e novembro. A maturação dos frutos ocorreu nos meses de maio e
junho e se estendeu até novembro (97).
Ocorrência
O palmito ocorre no estrato médio da Floresta Ombrófila Densa, desde o sul
da Bahia (15ºS) até o norte do Rio Grande do Sul (30ºS), com distribuição
preferencial ao longo do litoral brasileiro, no domínio Florestal Tropical
Atlântica, ocorrendo também na maior parte das formações Estacional Decidual
e Semidecidual (REIS et al.,2000)
Clima
Segundo Carvalho (1993), a temperatura média anual das áreas onde ocorrem os
palmitos varia entre 17ºC a 26ºC, sendo a média do mês mais frio de 13º a
24º, tolerando regiões com até sete geadas anuais e temperatura média do mês
mais quente de 20º a 27º. Ainda, de acordo com o autor, a espécie ocorre em
regiões com precipitação média anual entre 1000mm a 2200mm, apresentando
melhor crescimento com índices pluviométricos superiores a 1500mm,
distribuídos de maneira uniforme. A espécie ocorre também em regiões com
estacionalidade (Florestas Estacionais), tolerando uma estação seca de até
três meses, com déficit hídrico leve como no sul da Bahia e sul do Mato
Grosso do Sul.
Solo
Os solos em que a planta melhor se adapta são argissolo, latossolo, neossolo
quartzarênico e nitossolo.
Em pesquisa realizada por Nogueira Jr. et al. (2003) para verificar a
influência da umidade do solo no desenvolvimento inicial de plantas do
palmiteiro, concluiu-se que os parâmetros altura e diâmetro do colo foram
mais influenciados pelos microssítios e que o número de folhas e segmentos
foliares não apresentaram diferenças nos ambientes estudados. O crescimento
de plântulas foi favorecido pelo microssítio saturado (grota com umidade do
solo durante o estudo variando entre 61 a 75%) e o de jovens foi favorecido
pela Meia-encosta, cuja umidade do solo durante o estudo variou entre 40 e
46%. Esses resultados sugerem que para E. edulis há diferenças na exigência
dos fatores ambientais requeridos para o crescimento em função da mudança de
estádio ontogenético.
Palmito é um nome que se dá a uma parte comestível de uma
planta chamada Euterpe edulis, comumente conhecida pôr juçara.
Palmito é um alimento repleto de benefícios á saúde,
Valor Nutricional do Palmito:
100 gramas de palmito contém
em média:
Energia..................................................18,2cal
Colesterol
......................................................0
Glicídios
..................................................3,8g
Lipídeos
.................................................0,1g
Proteinas
..................................................1,6g
Cálcio
................................................61mg
Fósforo ................................................56mg
Ferro ...............................................0,7mg
Potássio ...............................................200mg
Vitamina C ...............................................17mg
VALOR NUTRICIONAL: O palmito fresco tem
cerca de 5,2% de glicídios e 2,2% de lipídios. Já no palmito em
conserva esses valores são 3,3% e 1,6%, respectivamente. Os dois
tipos têm cálcio, magnésio, potássio, fósforo e ferro, além das
vitaminas A e do complexo B e C.
CALORIAS POR 100 GRAMAS ( uma xícara de chá
rasa): 26kcal, no caso do fresco, e 18 kcal, no palmito em
conserva.
-5,2% de Glicídios.
-3,3% / 1,6% de conserva
-2,2% de lipídios.
-Cálcio.
-26 Kcal (palmito fresco).
-18 Kcal (palmito em conserva)
-Ferro
-Fósforo.
-Vitamina A, B e C.
-Potássio.
-Magnésio.
Destaque Nutricional:
O palmito tem poucas calorias e gorduras, sendo, porém,
rico em sais minerais como cálcio, fósforo e ferro. Também é um boa fonte de
vitamina C e, em menores quantidades, de vitaminas do complexo B.
Saboroso, versátil e pouco calórico, o palmito está entre os
alimentos preferidos na mesa do brasileiro.
Pode ser consumido frio acompanhando saladas ou cozido nas mais diversas
preparações.
Apresenta valor calórico baixo e é rico em fibras, sendo interessante para
os que realizam dietas de redução de peso. Entre outros benéficos, o palmito
apresenta boa quantidade de sais minerais, como ferro e fósforo, além de ser
de fácil digestão.
é um alimento de difícil acesso e que, por conta da
alta demanda, tem se tornado bastante atraente aos
produtores.
"Não é um alimento calórico, é um alimento bastante
nutritivo, saboroso e muito rico em vitaminas e minerais",
comentou a nutricionista Lígia Vieira.
A preservação do palmito
Juçara está diretamente ligada à manutenção da
biodiversidade da Mata Atlântica, uma vez que sua semente e
seu fruto servem de alimento para diversos animais, como
tucanos, sabiás, macucos, periquitos, maritacas, jacus,
jacutingas, porcos do mato, antas, marsupiais,
ratos-de-espinho, esquilos, tatus e capivaras. Além disso, o
palmito juçara serve de alimento para o homem e suas
palmeiras fornecem frutos, açúcar, óleo, cera, fibras,
material para construções rústicas, matéria-prima para a
produção de celulose, entre outros.
Um problema pouco conhecido é
sobre as más condições de extração do palmito, por exemplo,
quando é extraído e colocado em latas produz toxinas
(veneno), pois o palmito pode conter esporos da bactéria
Clostridium botulinum. Entretanto, esta toxina não resiste a
altas temperaturas, a fervura por 15 minutos elimina o
perigo. (veja Entrevista Dr Bactéria).
O palmito é um alimento obtido da região da região próxima
ao meristema apical, do interior do pecíolos das folhas de
determinadas espécies de palmeiras (ou popularmente, o
"miolo" da palmeira). Trata-se de um cilindro branco
contendo os primórdios foliares e vasculares, ainda macios e
pouco fibrosos. Os palmitos são conservados em salmoura e
consumidos frios acompanhando saladas ou cozidos em diversas
receitas. Lembre-se sempre de comprar vidros de palmitos com
CNPJ da empresa e registro no Ministério da Saúde ou
Agricultura.
COMO COMPRAR
No momento da compra, é interessante estar atento a alguns detalhes:
●
A lata não deve estar amassada ou defeituosa
●
O produto não deve apresentar coloração escura ou
rosada no corte
●
A “água” de conserva não deve ser esbranquiçada
●
Deve-se procurar a aquisição de produtos que tenham
na embalagem origem do cultivo, registro no
Ministério da Saúde e IBAMA.
-
-
-
- A extração do palmito implica na morte da palmeira, colocando em risco a
espécie da qual é obtido.
A extração do palmito da pupunha acontece cerca de 18 meses após o
plantio, sem que haja necessidade de “matar” a palmeira. Outra vantagem:
novos cortes podem ser feitos na mesma planta, o que dispensa o replantio da
área. O cultivo é indicado para áreas agrícolas tradicionais, pois não
oferece dano às matas nativas, sendo esta a principal vantagem ecológica.
xtração do palmito.
As
espécies Euterpe são nativas das florestas Atlântica e
Amazônica, diferentemente da pupunha, que se presta à agricultura e vem
demonstrando ser uma alternativa rentável para a agricultura familiar que
contribui para necessita de desmatamento e preparo de áreas nativas para o
seu cultivo, com utilização de fertilização química e agrotóxicos para
combate a pragas,
principal diferença entre a palmeira Juçara e a
palmeira do Açaí está no tronco. A juçara possui um único tronco,
enquanto que o açaí cresce em touceiras de 6 a 12 troncos.
Além dessas duas variedades mais comuns no Brasil, há ainda a possibilidade
de aproveitamento do palmito da pupunheira - .
PUPUNHA - o palmito ecológico
De vilão do extrativismo, o
negócio com o palmito virou uma atividade
ecologicamente sustentável. Cada planta que cresce
na lavoura é uma palmeira a menos derrubada
ilegalmente na floresta.
O palmito é preparado de três modos: picado, rodela
e o nobre. 70% da produção do palmito in natura, é vendida diretamente
para as feiras livres. O excedente vai para duas indústrias de
Jaboticabal e Cajobi. Como a demanda é sempre maior que a oferta, os
produtores da cidade já fizeram o pedido de registro no Ministério da
Agricultura para a produção em conserva .
Sinonímia botânica: Euterpe equsquizae Bertoni ex Hauman,
Euterpe globosa Gaertn
Outros nomes (vulgares): ensarova, içara, inçara, iiçara,
juçara, palmito, palmiteiro-doce, palmito-branco,
palmito-juçara, palmito-vermelho, ripa, ripeira, açaí do sul,
ensarova
Palmeira
Tão rica é a variedade de plantas palmáceas na paisagem do
Brasil que, durante muito tempo, o país foi conhecido como
Pindorama, que quer dizer "terra das palmeiras".
Palmeira é o nome genérico das plantas da classe das
monocotiledôneas pertencentes à grande família das palmáceas,
das quais se conhecem cerca de quatro mil espécies diferentes, a
maioria delas nativas das regiões tropicais, especialmente do
Brasil e da Colômbia. As palmeiras apresentam características
morfológicas bem diferenciadas, em especial o caule, lenhoso e
cilíndrico, coroado por um penacho de folhas. Diverso do tronco
das árvores, o da palmeira recebe denominação própria: estipe ou
espique. Na maior parte das espécies é reto e esguio, mas pode
ser curto e dilatado, ou ainda fino e trepador, capaz de
enredar-se em árvores e alcançar uma centena de metros. Sua
estrutura lembra a da haste do milho, ou seja, tem casca
endurecida, formada por fortes fibras, que envolve um cerne de
tecido branco e esponjoso. Ao contrário das árvores comuns, as
palmeiras não apresentam crescimento lateral (galhos), porque
lhes falta a camada geradora responsável pela formação de
estruturas secundárias. Suas folhas, de lâmina partida, em forma
de leque ou pena, variam muito em tamanho e medem de poucos
centímetros a mais de 12m de comprimento.
As flores das palmáceas nascem em espigas ou cachos, protegidas
por uma bráctea de consistência coriácea. As inflorescências das
palmeiras mais comuns apresentam comprimento da ordem do
centímetro, mas em algumas espécies são de excepcional
desenvolvimento, como no talipote (Corypha umbraculifera) da
Índia, que sustenta uma quantidade de flores próxima dos
sessenta milhões. Mais comumente as palmáceas são dióicas, isto
é, apresentam flores masculinas e femininas em pés separados. O
fruto também varia segundo as espécies: pode ter o tamanho de
uma ervilha ou volume maior que o de uma bola de futebol, como
no caso do coco. Pode ainda ser macio, como a tâmara, ou ter
envoltório duro como madeira.
Variedades. A maior parte das palmeiras é nativa de regiões
tropicais, mas algumas espécies ocorrem em regiões subtropicais
ou mesmo temperadas quentes, como a Chamaerops humilis,
existente nas margens do mar Mediterrâneo; a palmeira-de-mel (Jubaea
spectabilis), nativa do Chile; e o "palmeto" (Sabal palmetto),
da costa leste dos Estados Unidos.
Em qualquer parte dos trópicos onde cresçam árvores, podem
crescer palmeiras. Assim, no continente americano, elas são
encontradas desde o litoral até os Andes colombianos, onde se
acham as pouco comuns palmeiras-de-cera (Ceroxylon andicola),
cujos estipes podem alcançar cerca de setenta metros. Algumas
espécies crescem em areais, outras em pântanos, ou então
caracterizam o cerrado, como na Venezuela e Colômbia, e a
caatinga, no Brasil. Há espécies que vivem em densas selvas
tropicais, tanto em planícies quanto em montanhas. Em algumas
áreas formam bosques, como fazem nas Antilhas a palmeira-real e
semelhantes, ou as espécies características dos cocais, do
centro-norte do Brasil.
Utilização. Poucas plantas são mais valiosas para o homem do que
as palmeiras. Além da beleza, que as torna elemento paisagístico
incomparável, fornecem vários produtos de utilidade imediata. Em
muitas espécies, o estipe é empregado em construções rústicas,
como viga para pontilhões e para jangadas, caibros e ripas.
Escavado, pode servir como canoa ou calha. Quase todos os
estipes têm o broto terminal, ou palmito, muito tenro e de sabor
agradável. A colheita do palmito, no entanto, implica a morte da
palmeira.
As folhas podem ser utilizadas para cobertura de choupanas e,
desmanchadas, muitas se prestam para a confecção de vassouras e
utensílios trançados, como esteiras, cestos, chapéus etc. Podem
fornecer fibras com inúmeras aplicações e as da carnaúba (Copernicia
cerifera) produzem excelente cera, básica para a indústria de
graxas, sabões, vernizes, tintas etc.
Os frutos de muitas palmeiras valem pela polpa comestível, crua
ou preparada em doces, ou ainda pelo líquido que contêm,
excelente refrigerante, como no caso do coco-da-baía (Cocos
nucifera). As sementes são as partes mais aproveitadas das
palmeiras, por serem ricas em óleos. Algumas têm largo emprego
na alimentação, como o coco-da-baía, e o óleo de muitas delas,
como o dendê (Elaeis guineensis), de largo uso na indústria, na
culinária e no preparo de sabões e tintas. A substância córnea
que envolve a semente da jarina (Phytelephas macrocarpa) lembra
o marfim e é usada para o fabrico de botões e bijuteria.
Os coqueiros (nome genérico pelo qual são conhecidas as
palmeiras que dão frutos comestíveis ou de uso industrial) estão
entre as plantas mais úteis em diferentes regiões da Terra. A
tamareira (Phoenix dactylifera) é de grande valor para os
árabes, e seus frutos são de vital importância para as tribos do
deserto. A palmeira-real (Roystonea regia), de Cuba, é
considerada patrimônio nacional e está protegida por lei.
Gorduras e óleos são os produtos mais importantes obtidos de
palmeiras. A cobertura externa macia e o caroço do fruto,
chamados de polpa ou de noz, são a fonte de tais óleos. A copra,
parte branca do coco, quando dessecada, torna-se o principal
ingrediente gorduroso empregado na fabricação do sabão. No
Brasil e em outros países sul-americanos se exploram várias
espécies de palmeiras nativas produtoras de gordura, como o
babaçu (Orbignya martiana), o aricuri (Cocos schizophyla e Cocos
coronata) e o murumuru (Astrocaryum murumuru). A incisão no
caule da palmeira buriti (Mauritia vinifera) permite recolher
uma bebida adocicada, reconfortante, de onde o nome vulgar de
palmeira-do-vinho. Do açaí (Euterpe oleracea) se extrai um
refresco escuro e espesso, um dos mais típicos produtos do
estado do Pará.
Açaí; Babaçu; Buriti; Carnaúba; Coco; Dendê; Sagu; Tâmara
Pupunha
Muitas frutas nativas da Amazônia, malgrado seu valor nutritivo,
como a pupunha, tiveram seu consumo por longo tempo restrito à
região, como parte de hábitos herdados dos índios. Entre essas
frutas destaca-se a pupunha, que despertou interesse por suas
propriedades e subprodutos que fornece.
Pupunha (Bactris gasipaes) é uma palmeira multicaule da família
das palmáceas, a mesma da carnaúba, do babaçu e do açaí. Atinge
vinte metros de altura e, na fase adulta, erguem-se do solo de
10 a 15 caules secundários, os quais formam imponente touceira
ao redor do espinhoso caule central e garantem a renovação da
planta. Nem todos esses filhotes chegam a frutificar e os
estéreis podem ser aproveitados para a obtenção de palmitos,
sucedâneos perfeitos dos palmitos de açaí e juçara, espécies já
por demais submetidas à devastação extrativa.
Em condições naturais, a pupunha começa a frutificar em grandes
cachos aos cinco anos, tempo que se reduz à metade em condições
especiais de cultivo. As flores masculinas caem após liberar o
pólen e as femininas desenvolvem-se em pequenos frutos
vermelhos, amarelos ou alaranjados, com cerca de cinco
centímetros de diâmetro. Muito ricos em vitamina A e com
expressivo teor de proteínas e amidos, podem ser comidos cozidos
em água e sal e se prestam também à extração de óleo e à
produção de farinha. Dos resíduos, faz-se ração para animais. A
partir da década de 1970, a pupunha tornou-se alvo de pesquisas
para o cultivo intensivo em outras áreas. Na Bahia, primeiro
estado extra-amazônico a cultivar a espécie, a colheita da
pupunha vai de novembro a março.
Perigo Usado em tortas, cremes, aperitivos, acompanhamento
para churrasco e o que mais a imaginação mandar, o palmito exige
atenção. "A grande preocupação que o consumidor deve ter é com a
procedência desde a colheita até o consumo final", explicou
Ligia sobre o risco de se contrair o botulismo.
Segundo a nutricionista Lígia Vieira, a visualização do
produto é muito importante para definir a compra. Uma lata
amassada ou defeituosa, por exemplo, pode oxidar o conteúdo
causando danos à saúde. "Se o produto estiver com coloração
escura ou apresentar cor rosada em seu corte, não compre. Nestes
casos o palmito poderá estar infectado pelo elemento
ferruginoso", afirma.
Evite comprar quando o líquido estiver com a coloração
esbranquiçada, já que isso é um forte sinal de que pode existir
a presença de elementos químicos, nocivos à saúde. Outro erro é
achar que palmito bom e macio é aquele que flutua. Normalmente,
o produto flutua na falta de oxigenação, ficando duros.