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POIRE
A Aguardente de Peras
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Joannès Colombier
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Poire é um destilado
de pêra que nasceu na França, mais precisamente em Villette-de-Vienne,
pequena cidade da região de Rhône-Alpes após a Segunda Guerra Mundial. Seu
autor foi Joannès Colombier, um pequeno produtor de peras que,
um dia, resolveu descobrir como ficaria um
destilado daquelas suculentas peras Williams que ele tinha em seu pomar.
Monsieur Fernand
Point, célebre chef restaurateur, proprietário do famoso l'Hotel Restaurant
"La Pyramide", o mais renomado de Viena (aberto em 1925) e amigo de
Colombier, entusiasmou-se com o sabor sofisticado e frutado da aguardente e
comprou toda a Poire William que
seu amigo
pudesse produzir nos 30 anos seguintes. E, foi assim, que, ano após ano, a
bebida foi sendo divulgada dentro dos grandes restaurantes, chegando às
lojas especializadas nos anos 60. De lá pra cá, foi ganhando o mundo com
grande sucesso graças à sua imagem de prestigio e originalidade.
O aroma
particularmente frutado do destilado Poire William é extremamente apreciado.
E não é por acaso que isto acontece, pois uma garrafa contém o equivalente a
14 kg de peras Williams.
Por ser muito consumida na Suíça, muitas
pessoas pensam que é um produto suíço, mas é francês.
No mercado, é possível encontrar dois
tipos de Poires. As puras, feitas como a da J. Colombier, destiladas a
partir de um purê de pêra e produzidas na região francesa da Alsácia, ou na
Suíça, ou as híbridas, produzidas a partir da infusão de peras em uma base
destilada (são usados diversos tipos de aguardentes, dependendo da região
onde são produzidas).
Para servi-lo, o ideal é que esteja em baixa temperatura,
entre 6º e 8º. Assim como outros destilados, a Poire é,
também, um ótimo digestivo para após as refeições.
Para aqueles que quiserem fazer a sua própria Poire "híbrida",
trazemos uma receita caseira muito interessante, usada pelos franceses:
Poire William Caseira
INGREDIENTES
4 peras Williams
300gr de açúcar granulado
2 favos de baunilha
1 litro de aguardente
MODO DE FAZER
Lave bem as peras, seque-as e perfure-as em diferentes lugares.
Coloque-as em um pote de vidro.
Junte o açúcar, os favos de baunilha e despeje a aguardente até cobrir as
frutas.
Guarde o pote de vidro em um local arejado e sem sol durante três ou quatro
meses.
Durante as primeiras semanas, agite o pote a cada dois ou três dias.
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O "La Pyramide", hoje, é um dos Relais & Châteaux da Suíça.
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Fernand
Point
(1897-1955)
Fernand Point, talvez seja a figura mais enigmática da
gastronomia moderna.
Pouco se sabe sobre ele, se comparado com outros chefes célebres. Mais
por razões involuntárias do que qualquer outra coisa, pois esteve na
contramão de tudo o que facilitaria o registro da sua grandeza: atuou
no difícil período entre guerras e na cidade de Viena, longe da
capital gastronômica de Lion.
Abriu seu restaurante - La Pyramide - com apenas 26 anos, em 1923, e
lá ficou até a sua morte, tendo atravessado os anos difíceis da guerra
com coragem e galhardia. Durante o governo de Vichy, na França, servia
gratuitamente os refugiados da invasão alemã; quando os alemães
passaram a procurar seu restaurante, Point deixou de servir jantares;
quando eles começaram a reservar mesas para almoço, fechou o
restaurante. A política também passa pela gastronomia e a reputação de
um chefe só prospera do lado certo.
Point não escreveu livros. Seus ecos nos chegam sobretudo pela geração
de chefs que formou e que revolucionou a gastronomia do século 20.
Paul Bocuse, Alain Chapel, François Bise, Louis Outhier, e Jean e
Pierre Troisgros trabalharam com ele e são os expoentes da sua
“escola”, da qual derivou a nouvelle cuisine. É compreensível que
assim seja, pois Point era de opinião que a “principal obrigação de um
cozinheiro é transmitir para a geração seguinte tudo que aprendeu e
experimentou”. Ele criou um estilo que se traduzia na sua prática e
quem estava ao seu lado pôde aprender.
Mas o que ele mesmo aprendeu e experimentou ficou mais na dependência
de testemunhos orais do que de escritos, pois seu único livro – Ma
Gastronomie – não foi exatamente escrito como tal, sendo a coletânea
de um caderno de aforismos, uma entrevista, depoimentos de terceiros,
alguns menus que preparou em datas célebres e, claro, um conjunto
relativamente pequeno de receitas manuscritas (apenas 169).
As suas receitas, que não foram publicadas em vida, não eram dirigidas
a iniciantes em matéria culinária e, neste sentido, eram radicalmente
distintas das de Escoffier. Trata-se da “cozinha inspirada”, de sorte
que, onde se lê em Escoffier “quatro gramas de sal”, Point deixa para
o último momento a definição da sua dose, em função da “intuição” e do
sabor dominante. As receitas são sugestivas, devendo ser interpretada
pelo cozinheiro.
Sua cozinha é a do foie-gras, da trufa, das coisas do mar, da cozinha
regional elevada a um grau de sofisticação de modo a ganhar,
imediatamente, uma dimensão transcendente. Era também a cozinha das
coisas simples. Como essa receita:
Pudim de tapioca: “Ferver meio litro de leite com 100 gramas de açúcar
e 100 gramas de tapioca grossa. Deixar cozinhar e colocar num prato
inglês, levando ao forno para dourar (ou salpicar açúcar e dourar com
um ferro quente)”. Somente isso, nada mais. E note quão pouco açúcar!
Mas se pode imaginar o impacto desse brûlée de tapioca na distante
Viena...
Point é o cozinheiro “da alma”, do serviço impecável, do chef como
personagem de salão e do vinho como componente de destaque na
refeição. É também quem valoriza as matérias primas em sua
simplicidade, num jogo contraditório entre o “essencialista” (que
encerra nos molhos, esses artefatos, a "alma" ou o melhor das coisas
da natureza) e o “naturalista”, que deixa os ingredientes falarem por
si.
Eis algumas de frases meditadas de Point, que alimentam o mito da sua
figura lendária:
O cozinheiro perde a reputação quando se torna indiferente à sua
obra
A cozinha não é invariável como uma fórmula do Codex. Mas é preciso
evitar mudar as bases essenciais
Uma boa refeição deve ser harmoniosa como uma sinfonia, e também bem
construída como uma catedral romana
Não são os molhos que distinguem um bom cozinheiro. Entretanto, na
orquestra da grande cozinha, o saucier é um solista
O sucesso é uma soma de pequenas coisas feitas ao ponto
Os livros de cozinha se parecem com os frades. O melhor é aquilo que
eles fazem por si próprios
Eu acredito, do fundo do coração, que se vai ao fundo [trocadilho com
“fond”, que sempre usava no singular] dos molhos como ao fundo dos
poços: é lá que está a verdade
Texto: Carlos Dória
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F oto:
Robert Doisneau
Para saber mais sobre o "La Pyramide",
clique aqui.
V eja as imagens
ao lado ampliadas
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Clique aqui
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