Não se pode
afirmar precisamente onde e quando o vinho foi feito pela primeira
vez, pois, do ponto de vista histórico ele nasceu antes da escrita.
Os enólogos (enologia é a ciência que estuda o vinho) dizem que a
bebida surgiu por acaso, talvez por suco de uvas amassadas
esquecidas num recipiente que sofreram posteriormente os efeitos da
fermentação, porém, o cultivo das videiras para a produção do vinho
só foi possível quando os nômades se tornaram sedentários.
Os egípcios
foram os primeiros a registrar em pinturas e documentos, datados de
1000 a 3000 a.C., o processo da vinificação e o uso da bebida em
celebrações. Os faraós ofereciam vinhos e queimavam vinhedos aos
deuses, os sacerdotes usavam-nos em rituais e os nobres, em festas
de todos os tipos.
A partir de
2500 a.C., os vinhos egípcios foram exportados para a Europa
Mediterrânea, África Central e reinos asiáticos. Os responsáveis por
essa propagação foram os fenícios, povo oriundo da Ásia Antiga e
natos comerciantes marítimos. Em 2 mil a.C., chegaram à Grécia.
Cultivado ao longo da costa do mediterrâneo, o vinho seria cultural
e economicamente vital para o desenvolvimento grego.
O vinho
também está relacionado à mitologia Grega. Dionísio, filho de Zeus e
membro do 1° escalão do Olimpo, era o deus das belas artes, do
teatro e, principalmente, do vinho.
A bebida
tornou-se mais cultivada e cultuada do que jamais fora no Egito,
sendo apreciada por todas as classes. A partir de 1000 a.C., os
gregos começam a plantar videiras em outras regiões européias.
Há ainda os
que acreditam que os franceses da idade da pedra já conheciam e
produziam um tipo rústico de vinho, pois no lago de Genebra foram
encontradas sementes de uvas selvagens há 12.000 anos ou mais.
Depois da
Grécia, o vinho foi parar em outra grande civilização. Fundada em
753 a.C., Roma era inicialmente uma vila de pastores e agricultores.
A partir do século VI a.C., começou a se expandir e, já em 146 a.C,
a península Itálica, o mediterrâneo e a Grécia estavam anexados ao
seu território.
Os vinhedos
eram cultivados em áreas interioranas e regiões conquistadas. Os
romanos levavam o vinho quase como uma “demarcação de território”,
uma forma de impor seus costumes e sua cultura nas áreas que
conquistavam. Dessa forma, o vinho terminou virando a bebida dos
legionários, dos gladiadores, das tabernas enfurnadas de bravos
guerreiros. Junto com os romanos, os vinhedos chegaram à
Grã-Bretanha, à Germânia e, por fim, à Gália ― que mais tarde viria
se chamar França, o lar do vinho.
Sucedendo a
queda romana, uma grande crise abateu a Europa. Províncias foram
reduzidas a reinos de futuro impreciso que se relacionavam mal,
causando grande instabilidade econômica. A produção do vinho sofreu
um retrocesso. Já não envelhecia mais em barris de boa madeira, o
que implica no aumento do tempo de oxidação da bebida. Como
conseqüência, seu consumo tinha que ser imediato, perdendo a áurea
de fineza dos vinhos antigos. A vinicultura somente voltaria a ser
beneficiada com o surgimento de um grande poder religioso: a Igreja
Católica.
Desde o
século 5, quando o imperador romano Constantino converteu-se ao
cristianismo, a Igreja fortaleceu-se como instituição. Foi
considerada a detentora da verdade e da sabedoria. O simbolismo do
vinho na liturgia católica não poderia ter enfoque maior: era o
sangue de Cristo. A Igreja começou a se estabelecer como
proprietária de extensos vinhedos nos mosteiros das principais
ordens religiosas da Europa. Os mosteiros eram recantos de paz, onde
o vinho era produzido para o sacramento da eucaristia e para o
próprio sustento dos monges. Importantes mosteiros franceses se
localizavam em Borgonha e Champagne, regiões que foram e são
“nascentes” de vinhos de qualidade. A bebida também se sobressaiu no
setor médico: acreditava-se que vinho aromatizado possuía
propriedades curativas contra diversas doenças. Com o aprimoramento
das receitas, surgiram outros vinhos além do tinto, como os brancos,
rosés e espumantes. Por volta do século 13, as cruzadas católicas
livraram o Mar Mediterrâneo do monopólio árabe, possibilitando a
exportação do vinho pelas vias marítimas.
Já com a
Revolução Industrial, no século 18, o vinho perdeu muito em
qualidade, porque passou a ser fabricado com técnicas bem menos
rústicas, para possibilitar sua produção em massa e venda barata.
Embora as antigas tradições tentassem ser preservadas em regiões
interioranas francesas, italianas e alemãs, a produção vinícola
sofreu modificações irremediáveis para adaptar-se ao mundo
industrializado.
O continente
americano recebeu os vinhedos durante o período de colonização
espanhola. Cristóvão Colombo trouxe uvas às Antilhas em 1493, e após
a adaptação às nossas terras tropicais, as videiras foram exportadas
para o México, os Estados Unidos e as colônias espanholas na América
do Sul.
Martim Afonso
de Souza trouxe ao Brasil as primeiras videiras em 1532. No mesmo
ano, Brás Cubas cultivou as vinhas no litoral paulistano, seguindo
com o cultivo às terras interioranas.
Na década de
1870, até o início deste século, uma doença parasitária das vinhas,
provocada pelo inseto Phylloxera vastatrix, cuja larva ataca as
raízes trazida à Europa em vinhas americanas contaminadas, destruiu
praticamente todas as videiras européias. A salvação para o grande
mal foi a descoberta de que as raízes das videiras americanas eram
resistentes ao inseto e passaram a ser usadas como porta-enxerto
para vinhas européias.
A descoberta
feita por Louis de Pausteur sobre os microorganismos e a fermentação
e publicadas na sua obra "Études sur le Vin" constitui o marco
fundamental para o desenvolvimento da enologia moderna.
A partir do
século ´20 a elaboração dos vinhos tomou novos rumos com o
desenvolvimento tecnológico na viticultura e da enologia,
propiciando conquistas tais como o cruzamento genético de diferentes
cepas de uvas e o desenvolvimento de cepas de leveduras selecionadas
geneticamente, a colheita mecanizada, a fermentação "a frio" na
elaboração dos vinhos brancos, etc. Ainda que pese o romantismo de
muitos que consideram (ou supõem?) os vinhos dos séculos passados
como mais artesanais, os vinhos deste século têm, certamente, um
nível de qualidade bem melhor do que os de épocas passadas. Na
verdade algumas conquistas tecnológicas, como as substituições da
rolha e da cápsula por artefatos de plástico e da garrafa por
caixinhas do tipo "tetra brik" são de indiscutível mau gosto e
irritam os amantes do vinho.
No século 20,
a vitivinicultura evoluiu muito, a elaboração dos vinhos tomou novos
rumos com o desenvolvimento tecnológico na viticultura e da enologia.
Conquistas tais como o cruzamento genético de diferentes cepas de
uvas e o desenvolvimento de cepas de leveduras selecionadas
geneticamente, a colheita mecanizada, a fermentação "a frio" na
elaboração dos vinhos brancos, etc. e a produção mecanizada elevaram
substancialmente a qualidade e o sabor do vinho, feito sob medida
para agradar qualquer paladar.