Elaboração
A vinificação
compreende diferentes operações, mas basicamente consiste na
transformação do conteúdo açucarado do mosto em álcool etílico e outras
substâncias por fermentação. Desenvolve-se em três fases: o tratamento
mecânico do produto recolhido na vindima, isto é, dos cachos de uva; a
fermentação propriamente dita; e o envelhecimento.
No tratamento mecânico verificam-se diversas operações, como: pisa ou
esmagamento, em que ocorre o estouro das bagas, das quais sai a polpa e
o suco; a retirada da parte lenhosa do cacho; espremedura, ou coleta do
suco; e prensagem, que se faz antes de proceder à fermentação nos vinhos
tintos. No final dessa fase, realiza-se a correção das polpas, que tem
como objetivo compensar as deficiências ou excessos no conteúdo de
açúcar (com adição de polpas menos doces, por exemplo) ou de ácidos (se
a acidez for muito baixa, acrescenta-se ácido tartárico; se alta, se
reduz com carbonatos). Acrescentam-se à polpa outras substâncias, como
anidrido sulfuroso ou taninos, para evitar a proliferação de
microrganismos prejudiciais. Nesse ponto esteriliza-se o mosto, no qual
se inocula em seguida a levedura.
A fermentação é um processo bioquímico pelo qual os açúcares do mosto --
glucose, frutose e outros -- experimentam degradação e transformação por
ação das enzimas da levedura até produzir álcool etílico e dióxido de
carbono. A concentração de álcool pode oscilar entre 7 e 15% ou mais,
segundo o tipo de vinho, a duração do processo etc. A temperatura não
deve ultrapassar 20° C, exceto em alguns casos, e por isso os mostos
devem ser refrigerados, já que há produção de calor durante a
fermentação.
A uma primeira fase de fermentação rápida, segue-se outra, lenta, em
barris ou tanques especiais, que pode prolongar-se por semanas. Nessa
fase se depositam as leveduras mortas e os componentes que formam as
borras, constituídas pelos restos de terra da vinificação. As borras se
separam do caldo fermentado mediante a passagem para outro tanque ou
barril limpo, onde o vinho fica em repouso. Os produtores recorrem a
procedimentos como o filtro ou a clarificação (por meio de gelatina,
clara de ovo, soro etc.), para eliminar partículas em suspensão.
A etapa final é a de conservação e envelhecimento, na qual o vinho é
engarrafado e as garrafas dispostas em adegas onde permanecerão por
alguns anos, de acordo com o grau de maturação que se pretenda obter.
Para alguns tipos de vinho é necessário um período de envelhecimento em
pipas de madeira, antes do engarrafamento. Os vinhos verdes são de
pronta comercialização; outros têm maturação longa, quando se aprimoram
as propriedades organolépticas.
Entre os subprodutos resultantes do processo de vinificação
encontram-se: o bagaço, resíduo derivado da prensagem da uva e que
contém casca, sementes trituradas e massa de polpa, passível de ser
utilizado como adubo depois de enriquecido com ácido fosfórico e
potassa, ou como alimento de gado, depois de seco; as sementes, ou
grainhas, das quais se extrai um óleo de aplicação na indústria
alimentícia; e as borras, com elevado conteúdo de sais tartáricos.
Fonte:
Enciclopédia Britânica