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REGIÕES PRODUTORAS
Da França à China, passando pelo Brasil, África do Sul e Austrália, os
vinhedos e a produção de vinho, antes restrita à Europa, o "Velho Mundo",
espalhou-se praticamente por todo o planeta.
As regiões mais favoráveis ao cultivo de uva Vitis vinífera estão
localizadas entre os
paralelos 30 e 50 do globo terrestre, em ambos os hemisférios. É nessa
faixa, portanto, que estão localizados os maiores países produtores de
vinhos de qualidade. São eles (em ordem alfabética):
Alemanha
África do Sul
Argentina
Austrália
Brasil
Chile
Espanha
Estados Unidos
França
Itália
Portugal
Uruguai
O mercado atual
Cada dia
mais, o mercado do vinho está internacionalizado e globalizado, o que tem
provocado mudanças no setor,
obrigando aos agentes desta cadeia produtiva mundial, a tornarem-se cada vez
mais competitivos. Sabe-se que a
maior parte da produção de uvas para a elaboração de vinhos finos está
localizada entre os paralelos 30° e 50°
Norte e de 30º a 50° Sul, onde a uva Vitis vinífera está melhor adaptada, o
que corresponde à faixa onde estão localizados os
tradicionais países produtores de vinhos, como França e Itália.
É o terroir, expressão francesa que
identifica os quatro elementos fundamentais de um vinho: o solo, o clima, a
casta e a interferência do homem.
Entretanto, novos países estão começando a produzir vinhos, provando que não
é somente nos antigos e
conhecidos terroirs europeus que se fazem vinhos de qualidade. Esta abertura
fez com que aumentasse o número
de países produtores, os chamados países do “novo mundo vinícola” com a
contribuição do Hemisfério Sul,
essencialmente Chile, África do Sul e Austrália que, com os EUA, têm marcado
a produção mundial com
volumes importantes destinados aos mercados externos.
Segundo a Food and
Agriculture Organization of the
United Nations (FAO), a produção mundial de uva e vinho é crescente até o
ano de 1982 (72,57 milhões
toneladas de uva e 37,36 milhões toneladas de vinho). No entanto, pode-se
observar que a partir de 1982, houve
queda dessa produção, chegando a menos 17,43% de uva e menos 38,22% de vinho
processado (1982 a 2002).
Portanto, nesse período a produção de uva pode estar atendendo a outras
finalidades como: uvas de mesa, suco,
vinagre, vinho, geléias, entre outras (FAO, 2005). Em 2002 o mundo produziu
61,80 e em 2004 passou para
65,49 milhões de toneladas de uva, um crescimento de 5,63%, o que pode
sugerir que a produção de vinho
também acompanhe essa tendência. Segundo dados OIV (Office International de
la Vigne et du Vin ) de 1996, o
principal produtor mundial de vinho é a França, seguido pela Itália, Espanha
e Estados Unidos. O Brasil fica em
décimo sexto. Em relação ao consumo, o primeiro país consumidor é a França,
seguido pela Itália, Portugal e
Luxemburgo. O Brasil é o vigésimo nono no ranking.
O mais recente membro do clube dos grandes produtores do mundo é a China.
Embora o cultivo da videira seja milenar no país, há menos de uma década o
hábito do vinho era praticamente desconhecido da maior parte da população.
A entrada do vinho nos hábitos chineses precipitou-se quando os
membros do Governo, numa recepção oficial, se prontificaram a efetuar um
brinde com um copo de vinho tinto, ação que, num país como a China, acabou
por ter um efeito "explosivo" e mais eficaz que qualquer campanha de
"marketing". Desde então as campanhas pró-vinho sucedem-se e o consumo
cresceu geometricamente. Com uma classe média estimada em 200 milhões de
pessoas e 520 milhões de garrafas de vinho consumidas por ano no país, das
quais somente 5% são importadas, não é difícil concluir como esse
crescimento pôde se dar num espaço de tempo tão curto. Mas, quem já tomou
garante, a qualidade deixa muito, mas muito a desejar. Pelo visto, há,
ainda, um longo caminho a ser percorrido para que se concretizem as
estimativas de alguns entendidos, de que até 2058, a China liderará a
produção mundial, "com Cabernets capazes de concorrer com os de Bordeaux".
Fonte:
Enciclopédia Britânica
Revista Exame
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A nova geografia do vinho
Espumante inglês? Riesling sueco?
Se a temperatura do planeta subir 2 graus,
essas são as garrafas com que a humanidade vai
brindar a entrada de 2058.
Não estranhe se daqui a 50 anos você estourar uma garrafa de surrey - e não
de champanhe - para comemorar a chegada do ano novo. Surrey, no sul da
Inglaterra, é uma das cidades produtoras de vinhos espumantes que podem
desbancar produtores tradicionais (como a região francesa de Champagne)
casoa temperatura do globo continue a subir.
Um aumento de 2°C mudará a geografia do vinho no planeta. Grosso modo, as
áreas com potencial para o cultivo de vinhedos de qualidade ocupam uma faixa
latitudinal em cada hemisfério. Com a alteração climática, essas faixas
tendem a ser deslocadas para mais longe da linha do Equador, favorecendo os
países de clima frio.
Como o clima é apenas um dos fatores decisivos para a produção de um vinho
de renome (ao lado do solo, da qualidade das parreiras e da tecnologia), há
quem acredite, contudo, que as regiões tradicionais como a França não
perderão a dianteira - desde que estejam dispostas a usar espécies que se
adaptem às novas condições.
REGIÕES TRADICIONAIS
Argentina e Chile
As regiões mais tradicionais dos dois países - o vale Central do Chile e as
terras baixas de Mendoza, no oeste Argentino - devem ser afetadas
negativamente pelo aumento de temperatura.
Serra gaúcha (Brasil)
Apesar da melhoria técnica, o clima e o solo são um entrave para a produção
de vinhos de alto padrão, principalmente tintos. O aquecimento pode fazer
com que a região se concentre na produção de espumantes.
Champagne (Nordeste da França)
O leve aumento de temperatura está beneficiando os vinhos da região,
tornando-os mais "redondos". Se o calor piorar, as uvas perderão em acidez,
parâmetro decisivo na qualidade de um grande espumante.
Borgonha (Leste da França)
Produz os melhores tintos do mundo à base da uva pinot noir. Ocorre que essa
é uma das variedades mais vulneráveis a mudanças climáticas. Com o
aquecimento, é provável que os produtores tenham de buscar outra uva.
Vale do Reno (Alemanha)
O vale do Reno é hoje conhecido por produzir um dos melhores vinhos brancos
do mundo feitos a partir da uva riesling - variedade que se dá muito bem em
zonas de clima frio demais para os vinhos tintos.
Califórnia (EUA)
O famoso vale de Napa, que já tem um clima considerado mais quente do que o
necessário para produzir vinhos de alta qualidade, pode perder sua
supremacia para outras regiões mais frias nos EUA.
Austrália meridional
Se a temperatura subir mais de 1,5°C até 2040, as uvas da região podem
perder até 50% de qualidade para a produção de grandes vinhos. O cultivo de
espécies como pinot noir e sauvignon blanc deve se tornar inviável.
NOVOS VINHEDOS
Argentina e Chile
No Chile, a área de Bio-Bio, ao Sul de Santiago, pode se tornar uma das
regiões produtoras de destaque no país. Em Mendoza, na Argentina, as
parreiras devem subir mais em direção aos gelados Andes.
Campanha Gaúcha (Brasil)
A região que faz fronteira com o Uruguai pode se tornar a grande região
vinícola do país. Não é à toa que muitos produtores da Serra Gaúcha já estão
se estabelecendo nos pampas.
Inglaterra
O aquecimento global pode tornar os ingleses, quem diria, grandes produtores
mundiais. As regiões mais beneficiadas estão no sul da Grã-Bretanha, como os
condados de Kent e Surrey, que já têm vinhos razoáveis.
Alemanha
Com o aquecimento global, a Alemanha pode concorrer seriamente com os
vizinhos franceses como produtora dos grandes vinhos tintos do mundo (hoje,
os tintos alemães são poucos e de qualidade sofrível).
Suécia
Praticamente desconhecido como produtor de vinhos (com razão, pois a friaca
sueca não é amiga das videiras), o país escandinavo pode passar a produzir
vinhos riesling de renome mundial.
Canadá
Mais conhecido por produzir ice wine (um vinho doce, para acompanhar
sobremesas), feito a partir de uvas congeladas ainda no pé, o Canadá pode se
tornar uma potência vinícola na América do Norte.
Tasmânia (Austrália)
Apesar de produzir vinhos sem fama mundial desde a década de 1970, a
Tasmânia, ilha ao sul da Austrália, pode se tornar a principal região
produtora do país caso a temperatura siga aumentando.
Fontes: Revista Superinteressante - 02/2008
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