Vitivinicultura brasileira
A viticultura brasileira nasceu com a chegada
dos colonizadores portugueses, no século 16. As primeiras videiras
teriam sido trazidas por Martin Afonso de Souza, que as plantou em
sua Capitania, a de São Vicente. Presume-se que eram vinhas
adequadas para a produção de vinho (Vitis vinifera), originárias de
Espanha e Portugal. O cultivo teria se espalhado por outras regiões,
mas em 1789, um decreto protecionista promulgado por Portugal
proibiu o plantio de uvas, inibindo completamente a produção e
comercialização de vinho no Brasil. Permaneceu como cultura
doméstica até o final do século 19, tornando-se uma atividade
comercial a partir do início do século 20, por iniciativa dos
imigrantes italianos estabelecidos no sul do país a partir de 1875.
As videiras de origem americana, principalmente cultivares de Vitis labrusca,
foram a base para o desenvolvimento da vitivinicultura brasileira.
Destacaram-se as cultivares “Isabel” como uva para a elaboração de vinho e
“Niágara Branca” e “Niágara Rosada” como uvas de mesa. Outras uvas
importantes na vitivinicultura da época foram “Jacquez” e “Herbemont”, ambas
cultivares de Vitis bourquina, e a híbrida interespecífica “Seibel 2”, entre
outras de menor importância. As castas européias (Vitis vinifera), apesar
dos esforços envidados para seu cultivo, não tiveram expressão nos
primórdios da vitivinicultura comercial brasileira devido às perdas causadas
pela incidência de doenças fúngicas, especialmente pelo míldio (Plasmopara
viticola) e pela antracnose (Elsinoe ampelina).
Com o advento dos fungicidas sintéticos, efetivos no controle destas
doenças, a partir de meados do século 20, as videiras européias ganharam
expressão com o cultivo de uvas para vinho no Estado do Rio Grande do Sul e
com a difusão da uva “Itália”, especialmente no Estado de São Paulo.
Desde seu início até a década de 1960, a viticultura brasileira ficou
restrita às regiões sul e sudeste, mantendo as características de cultura de
clima temperado, com um ciclo vegetativo anual e um período de repouso,
definido pela ocorrência de baixas temperaturas dos meses de inverno. A
partir de então, o cultivo da uva “Itália” foi levado, com sucesso, para a
região semi-árida do Vale do Sub-Médio São Francisco, marcando o início da
viticultura tropical no Brasil. Sempre com base na uva “Itália”, a
viticultura tropical expandiu-se rapidamente, com a consolidação do pólo do
Norte do Paraná, na década de 1970, e dos pólos do Noroeste de São Paulo e
do Norte de Minas Gerais na década seguinte. A partir de 1990 surgiram
diversos novos pólos vitícolas, alguns voltados à produção de uvas de mesa,
outros direcionados à produção de uvas para a elaboração de vinho e suco.
Panorama Geral
A viticultura, no Brasil, ocupa uma área de, aproximadamente, 77 mil
hectares, com vinhedos estabelecidos desde o extremo sul do país, em
latitude de 30º 56’ 15’’S, até regiões situadas muito próximas à linha do
Equador, em latitude de 5º 11’ 15’’S. Em função da diversidade ambiental,
existem pólos com viticultura característica de regiões temperadas, com um
período de repouso hibernal; pólos em áreas subtropicais, onde a videira é
cultivada com dois ciclos anuais, definidos em função de um período de
temperaturas mais baixas, no qual há risco de geadas; e, pólos de
viticultura tropical, onde é possível a realização de podas sucessivas, com
a realização de dois e meio a três ciclos vegetativos por ano. A produção de
uvas é da ordem de 1,2 milhões de toneladas/ano. Deste volume, cerca de 45%
é destinado ao processamento, para a elaboração de vinhos, sucos e outros
derivados, e 55% comercializado como uvas de mesa.
Do total de produtos industrializados, 77% são vinhos de mesa e 9% são sucos de uva, ambos elaborados a partir
de uvas de origem americana, especialmente cultivares de Vitis labrusca,
Vitis bourquina e híbridos interespecíficos diversos. Cerca de 13% são
vinhos finos, elaborados com castas de Vitis vinifera; o restante dos
produtos industrializados, 1% do total, são outros derivados da uva e do
vinho. Grande parte da produção brasileira de uvas e derivados da uva e do
vinho são destinados ao mercado interno. O principal produto de exportação,
em volume, é o suco de uva, sendo cerca de 15% do total destinado ao mercado
externo; apenas 5% da produção de uvas de mesa é destinada à exportação e
menos de 1% dos vinhos produzidos são comercializados fora do País.
O mundo inteiro esta descobrindo o vinho brasileiro. O Brasil tem
desenvolvido uma capacidade excepcional para a produção de vinhos de
qualidade. Atualmente o país é considerado uma das melhores regiões no mundo
para o cultivo de uvas destinadas a produção de vinhos espumantes. O Brasil
exporta hoje vinhos para 22 países, dentre os principais destacamos Estados
Unidos, Alemanha, Inglaterra e República Tcheca.
Fonte:
Ibravin