Consumo de álcool e o trânsito
 

Arq. Eli K. Vazzolla
Instituto da Mobilidade Sustentável - Ruaviva
   

Mesmo em pouca quantidade, o álcool e as drogas provocam alterações no comportamento e na capacidade física de quem os consome, comprometendo a capacidade de conduzir um veículo com segurança.

O Código de Trânsito Brasileiro estipula que o limite máximo aceitável de concentração de álcool no sangue é de 0,6 g (seis decigramas) por litro de sangue. O infrator pode ter seu direito de dirigir suspenso, ter o veículo retido e vai pagar multa de R$ 574,61. Em outros países, o limite é até menor, chegando a zero no Japão.

As penalidades são muito severas porque a infração é gravíssima, expondo pessoas a grande risco. Pesquisa do Instituto Médico Legal de São Paulo revela que em cerca de 50% dos acidentes fatais ocorridos, existe o envolvimento de condutores ou pedestres alcoolizados (*). Se, além do consumo de álcool, fosse considerado o consumo de drogas legais e ilegais, essa porcentagem seria bem maior.

Estatísticas em diversas localidades demonstram que o consumo de álcool está presente em cerca de 75% dos choques fatais de carros contra obstáculos fixos, como postes, muros, etc. (**). Além de ser uma das principais causas de mortes no trânsito, a presença de álcool e de drogas também agrava consideravelmente os ferimentos nos acidentes não fatais, responsáveis por muitas seqüelas permanentes.

O álcool e as drogas podem dar uma falsa sensação de segurança. A pessoa pode até se sentir mais esperta, mas na verdade:

  • a capacidade de percepção de tempo, distâncias e velocidades está reduzida;

  • a pessoa tem pouca ou nenhuma consciência de situações de perigo;

  • ocorrem distúrbios visuais, a visão fica nublada;

  • a capacidade de reação rápida diante de emergências é bastante reduzida;

  • até em pouca quantidade, o risco de envolvimento num acidente aumenta 4 vezes;

E o pior de tudo é que a pessoa sob efeito de álcool não tem a percepção de que está alterada, negando que sofra qualquer alteração.

O único remédio é esperar o tempo passar. De nada adianta tomar café forte, fazer exercícios físicos ou tomar banho frio. O efeito de cada dose ingerida precisa de mais de uma hora para ser eliminado. É importante saber também que não existem medicamentos que previnam os efeitos do álcool na capacidade de percepção e reação.

Existem diversos fatores que interferem na taxa de álcool no sangue:

  • a quantidade de álcool ingerida;
  • a porcentagem de álcool da bebida;
  • o peso da pessoa (em pessoas mais leves, a concentração é maior);
  • a presença de alimentos no estômago, que absorvem mais rápido o álcool quando está vazio;
  • o sexo da pessoa: mulheres atingem taxas de álcool no sangue mais altas;
  • a raça: pessoas descendentes de algumas raças metabolizam o álcool mais lentamente, atingindo taxas mais altas;
  • a velocidade da ingestão do álcool, que produz taxas mais altas quando é maior.

Para exemplificar, 2 latas (350 ml) de cerveja bebidas em pouco mais de 1 hora, por um homem de 70 kg elevam sua taxa de álcool para próximo de 0,6g/l, que é o limite legal. Para as outras bebidas, pode-se utilizar a tabela abaixo, sempre considerando que ela é apenas indicativa e que, mesmo abaixo desse limite, o risco de envolvimento em acidentes aumenta muito.

Equivalência entre as bebidas(*):


Tipo de Bebida

Volume médio de álcool

Medida usual

Quantidade de álcool

Cerveja comum

4%

1 lata (350 ml)

14 ml

Cerveja forte

6%

1 lata (350 ml)

21 ml

Vinho de mesa

10%

1 taça (150 ml)

15 ml

Aperitivo

20%

1 dose (60 ml)

13 ml

Pinga

40%

1 dose (60 ml)

24 ml

Whisky

45%

1 dose (60 ml)

27 ml

Conhaque

48%

1 dose (60 ml)

29 ml

Licor

52%

1 cálice (30 ml)

15 ml


Lembre-se:
  • cada um de nós pode colaborar para evitar acidentes de trânsito provocados ou agravados pelo consumo de álcool;
  • nunca sirva bebida alcoólica a quem você sabe que vai dirigir;
  • se você vai sair e sabe que vai beber, deixe o carro em casa: utilize ônibus, táxi ou carona, assim você não precisa procurar lugar para estacionar o carro, não precisa se preocupar com o aparelho de som que pode ser roubado e nem com o alarme de um carro disparado;
  • num grupo de amigos, você pode sugerir que um de vocês seja aquele que não vai beber em cada noite;
  • se você tem um bar ou restaurante, ofereça o serviço de transporte para seus clientes, assim ele poderá voltar muitas e muitas vezes;
  • não beba antes de dirigir.



O efeito do álcool está diretamente relacionado com a concentração no sangue. Em uma pessoa de cerca de 75 Kg, uma concentração de 0,03% de álcool no sangue (provocada por um copo de vinho, por exemplo) já causa uma sensação de relaxamento. Triplicando-se a dose (0,09% de álcool no sangue), a fala e o controle dos músculos são afetados. 

Com 0,12%, a capacidade de raciocínio lógico é reduzida, e desaparecem as inibições e o autocontrole. Aos 0,18% a pessoa tem todo seu comportamento afetado, com pernas bambas e dificuldade em ficar acordada. Se o nível de álcool atinge 0,5% do volume do sangue, a pessoa entra em coma profundo, com alto risco de morte. Finalmente, se o índice chega a 1%, a parte do cérebro que controla a respiração deixa de funcionar, levando à morte. 
 

 


(*)  Fatos e Estatísticas de Acidentes de Trânsito em São Paulo – 2000. Companhia de Engenharia de Tráfego – CET – São Paulo, Prefeitura Municipal de São Paulo.
(**)  Folheto: "Se você vai se abastecer de álcool, deixe o carro em casa", da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte, 1996.

Voltar