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dia dos namorados
POEMA CULINÁRIO
Na Noite
dos Namorados:
Como chegar
ao "Jardim das carícias"
passando
pela "Ponte das turquesas"
Jezebel Salem
Uma coletânea anônima, recheada
de pequenos poemas de amor, antiqüíssimos escritos árabes,
fazem a moldura para esta noite dedicada aos pares de
enamorados, àqueles que buscam uma unidade, um vínculo feliz.
Uma overture ao eterno desejo do amor! E uma justa
homenagem ao povo que primeiro exaltou o amor romântico.
A tradução dos versos reunidos
neste "O Jardim das Carícias" achei num antigo e delicioso
livro "As mais Belas Páginas da Literatura Árabe", de Mansour
Challita.
Deixando "o jardim" para
alcançar outra ala não menos importante, a cozinha, o tema
escolhido também remete aquele lado da lua, naqueles tempos em
que Istambul era o umbigo do mundo, centro de cultura opulenta,
requintada, fulgurante, como sua cozinha. Luxo, beleza,
sensualidade e façanhas gastronômicas que esquecemos como
surgiram, por onde passaram, até onde chegaram.
Uma outra obra, desta vez da
historiadora brasileira Fernanda Camargo Moro, é que me
forneceu a escolha do tema, com seu último livro, "A Ponte das
Turquesas", onde realizou um precioso levantamento sobre a
história deste mundo perdido em brumas e mistérios perfumados a
aloés e bálsamos: as civilizações de Bizâncio, Constantinopla,
depois Istambul. A historiadora adentra o fabuloso mundo dessas
cozinhas que deixaram um legado imenso ao mundo ocidental: do
croissant à massa folhada, entre outros arroubos culinários.
Ame e aproveite muito, cada
pétala, cada sumo! Com fantasia, coragem, paixão e gosto! - que
o tempo passa e amanhã, quem sabe...
Comece com "O
primeiro beijo":
"... Ela estava de pé, bem perto de mim. Olhei-a
até a alma e minhas mãos agarraram seus dois pulsos. Cerrando
os olhos ofereceu-me sua face. Contenta-se acaso o viajante
sedento com frutos, quando uma fonte está próxima? No fim,
nossos lábios se uniram. E todo o seu corpo, contra o meu, nada
mais era do que uma boca..."
Sirva então seu beijo
acompanhado de "Gunesli Yogurt" - ou Iogurte com
Damascos:
Bata 3 a 4 colheres de sopa de
iogurte bem denso – ou a chamada coalhada seca – juntamente com
5 a 6 damascos secos finamente picados, 1 dente de alho
esmigalhado e sal a gosto. Misture bem e sirva em seguida.
Em seguida, comecem a prestar
atenção naquele "Facho
Luminoso" que emana da presença do ser
amado.
"... Poli teu corpo com tantas carícias, que ele
parece agora a pedra sagrada de El Djouf, que tantos lábios
gastaram. O sol pode apagar-se e a lua cair: teu corpo me
iluminará como uma lua maravilhosa..."
Tal facho de luz merece um segundo prato de
brilho, tal qual era servido nas festas do Palácio Topkapi, o
Serralho. Assim é a vez da "Harisa de Arroz":
Um peito de galinha; 200gr. de
arroz; um copo de leite; sal; uma colher de sopa de açúcar; uma
noz de manteiga sem sal; uma colher de sopa de água de rosas.
Cozinhe a galinha, separe o
caldo e desfie finamente a carne enquanto ainda quente.
Mergulhe o arroz em 200ml do caldo que ficou separado e deixe
absorver. Coloque o leite numa caçarola, junte o arroz e deixe
cozinhar. Quando cozido, junte o açúcar, o peito desfiado,
misture acrescentando a noz de manteiga. Tire do fogo, junte a
água de rosas e deixe descansar antes de servir.
Depois tome pela mão seu par e reclinados
sobre o
"Nosso
banco"
leiam os versos de uma tristeza delicada,
de quem se amou mas não pôde, por alguma razão, recuperar
aquele momento de eternidade.
"...
Tinha-me dito que
esperaria naquele lugar onde nós nos havíamos amado tanto. Eu
não voltei.
Quando passares pelo caminho de
Dar Zidah, detém-se diante de um jardim guardado por dois
ciprestes e chama pelo seu nome. Se ninguém te responder,
empurra o portão e entra, e dá de beber às roseiras que rodeiam
um banco de mármore..."
Console-se então com este
clássico Sorbet ou Sorvete de Limão - que tanto
serve para entremear outros pratos num banquete, como para
finalizar seu poema culinário para este Dia dos Namorados.
Prepare 250ml de
suco de limões, de preferência usar os amarelos ou sicilianos.
Junte o dobro de água e 300gr. de açúcar, 1 clara de ovo batida
bem firme e raspas de casca de um limão. Ferver a água com
açúcar para fazer uma calda leve. Fora do fogo, juntar o suco
de limão. Depois de frio bater bem na batedeira e levar para
congelar. Quando estiver quase sólido bater uma vez mais,
adicionando a clara e as raspas de limão. Deixar gelar
novamente. A versão sorbet não deve levar a clara.
E para acompanhar o café
(inimaginável um banquete de amor sem o perfume desta bebida
com que os árabes seduziram o mundo todo), mais um poeminha
para sussurrar entre os amantes,
"A
sultana do Amor"
"... Vi seus olhos e minha
vida se deslumbrou para a eternidade.
Ouvi sua voz e não pude mais ouvir outra música.
Respirei seu perfume e não pude mais inclinar-me
sobre as rosas..."

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