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PÁSCOA
Celebrando a Vida,
o Renascer e a Esperança
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PESSACH
A festa da Páscoa Judaica
"A cada geração
cada ser humano deve se ver como se ele pessoalmente tivesse saído do
Egito. Pois está escrito: "Você deverá contar aos seus filhos, neste
dia, "D'us¹
fez estes milagres para mim, quando eu saí do Egito..."
(da Hagadá)
Pessach,
(pronuncia-se pêssar) vem de passach - saltar, pular, lembrando a
passagem de D’us sobre as casas dos judeus no Egito, poupando-os das
pragas que lançou sobre os egípcios. Para os judeus é a festa mais
importante, em que se comemora a liberdade e a identidade judaica,
permitindo a sobrevivência desse povo por longos séculos através dos
ritos.
Os judeus, vêem na
Páscoa a definitiva Aliança. Aliança que sustenta a fé absoluta no poder
do Senhor e garante aos homens sua proteção frente à vida e seus
problemas, sustenta na confiança, sua persistência e, conforme as
circunstâncias, seu desassombro ou estoicismo ante as provações. A
Páscoa judaica é portanto a festa da vida, da proteção do Senhor ao seu
povo na sua caminhada.
A Pessach também
carrega um significado agrícola, já que marca o início do período de
colheita na Terra de Israel. O antigo povo de pastores e agricultores
comemorava, nessa época, a chegada do momento mais festivo da natureza,
que era o início da colheita de cevada e a entrega do ômer - parte da
cevada era ofertada a D'us no segundo dia de Pessach. Era um momento de
alegria para este povo que vivia em íntimo contato com a terra, de onde
extraíam a subsistência.
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Moisés liberta os hebreus do cativeiro
no Egito

O povo hebreu foi libertado da escravidão egípcia por Moisés. A
história de Moisés, o profeta, e de como ele teria conduzido o povo
judeu da escravidão à liberdade é contada numa passagem bíblica cujo
sentido é lembrado no Pessach pelos judeus em todo o mundo.
O Antigo Testamento relata que um faraó egípcio, depois de transformar
em escravos os hebreus que lá viviam, baixou um decreto: todos os
judeus deveriam ser mortos ao nascer. A mãe de Moisés, para salvá-lo,
colocou o recém-nascido num cesto, deixando-o a vagar nas águas do rio
Nilo. O bebê foi encontrado e criado pela filha do faraó, vivendo
então como um príncipe. Já adulto, ao ver um guarda egípcio açoitando
um escravo hebreu, matou o guarda e fugiu para o deserto. Lá, num
longo período de meditação, recebeu de Deus a missão de tirar os
hebreus do Egito e conduzi-los para a Terra Prometida. Como o faraó
não aceitava as ordens divinas levadas ao rei por Moisés, Deus
castigou o faraó enviando dez pragas terríveis para o Egito. A cada
desgraça, Moisés procurava o faraó pedindo-lhe que obedecesse a Deus,
mas o rei se recusava a libertar os hebreus. O povo de Israel (os
hebreus) estava a salvo dessas desgraças.
O último castigo enviado por Deus foi a morte de todos os primogênitos
no Egito por um anjo que viria exterminá-los. Mas Moisés ordenou que
os judeus marcassem as portas de suas casas com um sinal feito com
sangue de um cordeiro. Assim, o anjo da Morte não passou pelas casas
identificadas com o sinal, poupando os primogênitos judeus. É daí que
vem o nome Pessach, que significa passagem, passar por cima de alguma
coisa, no sentido de omitir, ou seja, a Morte não passou pelas casas
dos judeus e seus primogênitos foram salvos.
Ao ver o próprio filho morrer, o faraó resolveu obedecer ao Deus de
Moisés, deixando os hebreus irem embora do Egito. Mas depois, traindo
sua palavra, mandou o exército atrás do povo que abandonava o
cativeiro. Então, por meio de Moisés, Deus fez com que as águas do mar
Vermelho se abrissem para dar passagem aos hebreus e se fechassem
sobre o exército do faraó. Dessa forma, o povo judeu pôde seguir seu
caminho para Canaã, a Terra Prometida.
Por isto, é costume os primogênitos judeus
jejuarem no dia 14 de Nissan, véspera de Pessach, como recordação do
perigo que estiveram expostos os primogênitos judeus no Egito.
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A festa de Pessach
tem início com uma cerimônia no entardecer do 14º dia (primeiro dia de
lua cheia da primavera) do mês de Nisan (primeiro mês do calendário
judaico) e prolonga-se por 7 dias em Israel e por 8 dias em outros
lugares do mundo. O primeiro dia representa a saída do Egito e o sétimo
a passagem pelo mar vermelho, onde os judeus atravessaram em terra firme
e seca. Os dias intermediários são chamados de Chol Homoed. Pessach
sempre ocorre na Primavera de Israel, época de renovação da natureza.
Quando Pessach cai num Sábado chama-se Shabbat Hagadol (o grande Shabbat),
porque os judeus saíram do Egito também num Sábado.
O pão ázimo (Matzá)
Nestes oito dias, é
proibido comer qualquer alimento que contenha como ingredientes grãos de
trigo, centeio, cevada, aveia ou espelta, passíveis de fermentação
quando em contato com a água. Em outras palavras, qualquer tipo de pão,
biscoito, bolo, massa, cerveja, whisky, vodka, licores, etc, estão
proibidos, mesmo em pequenas quantidades. Isto acontece para
lembrarem-se de quando um povo inteiro, conduzido pela vontade de D'us
encarnada em Moisés, saiu tão apressadamente do Egito que a massa
preparada para o fabrico do pão não teve tempo de fermentar.
A única exceção a
esta regra é a Matzá (pão ázimo), alimento básico durante Pessach.
Trata-se de uma espécie de bolacha não-fermentada, preparada à base de
água e farinha de trigo. O processo de fabricação é cuidadosamente
controlado e o tempo total de preparo não pode exceder 18 minutos, a fim
de garantir que não tenha indício de fermentação. As perfurações feitas
na Matzá antes de ser colocada no forno impedem a formação de bolhas de
ar e o crescimento da massa. Depois de assada, esta não corre mais o
perigo da fermentação, podendo, portanto, ser consumida sob qualquer
forma. Atualmente é mais comum encontrar Matzá industrializada, sendo
costume de alguns comer Matzá feita à mão.
A Pessach é uma
festa tipicamente familiar. No dia anterior à celebração faz-se uma
profunda limpeza da casa, principalmente na cozinha, procurando não
deixar nenhum alimento fermentado (chametz). Muitas famílias utilizam
panelas, pratos e talheres que jamais estiveram contato com alimentos
chametz, caso contrário é necessário fazer uma purificação destes
utensílios, escaldando-os.
Depois, há o ritual
simbólico de procura de fermento, chamado Bedikat chametz. Depois que a
casa está completamente limpa e todos os alimentos fermentados foram
eliminados, os pais espalham algumas migalhas de pão pelo ambiente e as
crianças procuram o chametz com a ajuda de uma vela. Então, utilizando
uma pena e uma colher de pau, as migalhas são coletadas e, na manhã
seguinte, queimadas fora de casa para ensinar às novas gerações que só é
permitido comer pães ázimos, seguindo a prescrição do livro do Êxodo.
Daí em diante, por 9 dias, contando a véspera, não entrarão nas casas
judias massas fermentadas.
A cabala ensina que
o fermento representa as imperfeições morais e as tendências negativas
dos homens que devem fazer um exame de consciência dos seus atos, do seu
comportamento, para se libertarem das más qualidades. Da mesma forma que
a massa fermentada enche-se de ar e cresce, assim também é o homem que
se enche de vaidade e vazios.
O Seder de Pessach
Naquele dia contarás a teu filho, dizendo: É isto pelo que o Senhor
me fez, quando saí do Egito (Êxodo 13:8).
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Matzá |
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A Festa de Pessach tem como ponto
central, a realização do Seder -
ordem em hebraico - ceia ritual festiva da primeira noite da Pessach (na
Diáspora²
a primeira e a segunda), que recebe este nome por ser
composta de quinze etapas, as quais devem ser cumpridas seguindo-se uma
ordem pré-estabelecida pela lei e tradição judaicas. Religião e
gastronomia unem-se, tornando o cultivo da História mais vibrante, mais
dinâmico.
Desde tempos imemoriais o Seder, ocupa um lugar de destaque na
liturgia e na vivência do lar judaico. Cheio de símbolos e metáforas do
passado, presente e futuro, reúne a família judaica em todos os cantos
do mundo em torno de uma vivência comum. Esta noite está composta por
preceitos que têm sua origem na Torá, normas que vêm dos ditames
rabínicos e por um sem número de costumes e tradições que têm por
finalidade recordar cenas do passado.
No Seder todos
- velhos, adultos e crianças - têm sua função. É o momento de reviver o
passado e recriar a experiência dos antepassados na noite em que
partiram do Egito. Tudo gira em torno da tradição que passa de pai para
filho, dando, assim, continuidade a esse elo inquebrantável. Durante toda
a cerimônia da noite do Seder, é lida a Hagadá (livro que narra a
história da libertação do povo hebreu,do Egito). Cada participante deve
ter um exemplar, para que possa envolver-se ativamente em todos os
passos da celebração. Por esta leitura procura-se ensinar às futuras
gerações por que aquela noite não é como as outras.
Inicia-se o Seder
com orações e um gole de vinho. A criança mais nova da família começa o
ritual com quatro perguntas em forma de canto sobre o sentido das
cerimônias e a saída dos judeus do Egito. Passa-se então às leituras da
Hagadá. No Pessach são as crianças que conduzem a festa. Cabe a elas
abrir a porta para a visita de Elias que, segundo a tradição, visita
todos os lares nesta noite para trazer suas bênçãos. As crianças
demonstram, abrindo as portas, a segurança de estarem sob a proteção de
Deus. São elas também que participam da busca do afikoman, um pedaço de
Matzá que os mais velhos escondem pela casa.
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Keará de Pessach |
No início da ceia, o
responsável pela celebração do Seder (geralmente o pai ou o avô da
família), sentado numa poltrona confortável, com uma almofada como
encosto, para poder se reclinar, tem diante de si, sobre a mesa, a Keará
- "prato" com os símbolos de Pessach:
Zroa: no ângulo superior direito, osso com carne assada, como
lembrança do cordeiro pascal que era sacrificado em Pessach na época do
Templo.
Beitzá: no ângulo superior esquerdo, um ovo, lembrança dos
sacrifícios da festa.
Maror: no centro, raiz forte, recordando a amargura que sofreu o
povo judeu durante a escravidão no Egito . Alguns judeus também usam,
como maror, batatas cozidas.
Charósset: no ângulo inferior direito, uma mistura de maçãs e
nozes picadas e amassadas com vinho tinto kasher , simbolizando a massa
dos blocos utilizados no trabalho dos nossos antepassados no Egito.
Karpás: no ângulo inferior esquerdo, salsão ou outro tipo de
verdura que se molham em água salgada - símbolo das lágrimas dos
escravos no Egito e as águas do mar que abriram passagem ao povo judeu.
Chazéret: entre estes dois últimos, rabanete ou alface amarga,
que será utilizada como uma segunda porção de Maror.
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Quatro nomes de uma mesma Festa
Pessach é conhecido por quatro nomes:
Chag ha'Pessach - a Festa do Cordeiro Pascal, em alusão ao
sacrifício feito pelos cativos no Egito antes da última praga. Tal
oferenda foi instituída nas gerações posteriores, sendo abolida
juntamente com os demais quando da destruição do Segundo Templo.
Chag Hamatzót - a Festa dos Pães Ázimos. "Comereis pão sem
fermento durante sete dias..." (Êxodo 12:15). Revivemos a pressa em
fugir do Egito, não dando tempo à massa fermentar. Durante os dias da
Festa, alimentamo-nos com pães assados unicamente de água e trigo.
Chag ha'Aviv - a Festa da Primavera. A vida começa a brotar no
hemisfério Norte nesta época. Com ela, renovam-se nossas esperanças de
uma vida melhor a todos. Pessach, segundo a Torá, deve ser celebrado
justamente neste tempo tão propício à reflexão, tanto que, em função
da disparidade entre os calendários lunar (judaico) e solar - o
primeiro tem alguns dias a menos, o que acarretaria, com o passar dos
anos, em um distanciamento de Pessach da Primavera - a cada dois ou
três anos, um mês é adicionado.
Zeman Cherutênu - época de nossa libertação. Nós, seres
humanos, como um todo.
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O vinho é outro
elemento indispensável na celebração do Seder e é um símbolo de júbilo.
É costume mergulhar um dedo na taça de vinho quando se pronuncia o nome
de cada uma das Dez Pragas, retirando-o em seguida e despejando fora uma
gota de cada vez. A quantidade deve ser suficiente para que cada um
possa ter sua taça cheia quatro vezes durante a cerimônia. Além de ser
um sinal de júbilo, como em toda comemoração judaica, este número
representa as quatro formas pelas quais Deus prometeu a libertação ao
povo (Êxodo 6:6-7): "Eu vos libertarei do jugo dos egípcios e vos
livrarei da servidão. Eu vos redimirei com o braço estendido (...) e vos
tomarei por meu povo".
Complementam a mesa do Seder de Pessach:
- três
pães ázimos (Matzot)
são dispostos à
mesa, um sobre o outro, em um recipiente especial com três divisões, ou
cada um envolto em um guardanapo. Cada pão representa um dos três grupos
judeus: Israel, Levi, Kohen. Um dos pães é partido ao meio e suas
metades são reservados para o afikoman, sobremesa servida ao fim do
Seder. Sobre os outros dois é recitada a benção do pão.
- uma taça de
vinho, geralmente de ouro ou prata, especialmente reservada para Eliahu
Hanavi, o profeta Elías. Acredita-se que ele chega simbolicamente a cada
lar judeu para participar por uns instantes junto com os presentes da
noite do Seder.
- taças de vinho
para todos, nas quais se beberá, sucessivamente quatro vezes durante a
noite. Essas quatro taças de vinho celebram a libertação dos judeus da
escravidão do Egito.
A cerimônia só
termina quando todos comem um pedaço do afikoman. Às vezes, é feita uma
brincadeira, e aquele que conduz as celebrações esconde o afikoman
embrulhado num guardanapo para que as crianças descubram o esconderijo.
Aquelas que conseguem encontrar o tesouro ganham prêmios. Em algumas
famílias, são as crianças que escondem o afikoman, e o líder tem de
resgatá-lo em troca de um presente.
Depois, vem a bênção
de ação de graças e é tomada mais uma taça de vinho, que é dedicada ao
profeta Elias.
Ao final da celebração do Seder, é apresentada uma série de canções e
melodias judaicas tradicionais, das quais, a última, é denominada "No
ano que vem em Jerusalém", significando um voto de esperança que
expressa o que está no coração de todo judeu: que se restabeleça o Reino
de Deus e que Jerusalém seja o símbolo, mesmo incompleto, da vida nos
tempos messiânicos.
Na primeira noite do Seder, há sempre alguns convidados. É dever
convidar aqueles que estão tristes, sós, sem família, para que possam
celebrar juntos a Festa da Liberdade.
Um outro costume da
Pessach é a coleta de dinheiro para comprar matzot., vinho e outros
alimentos para os pobres.
1-
D'us ou D-us é uma das formas utilizadas pelos judeus de língua
portuguesa para se referirem ao criador do mundo sem citar seu nome
completo em respeito ao terceiro mandamento recebido por Moisés
(Não tomarás em vão o nome de YHWH). Em
outros idiomas, eliminam-se também uma ou mais letras da palavra
correspondente, como no hebraico transliterado El'him ou no inglês G-d /
G'd.
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2-
Diáspora é o nome dado ao processo de dispersão
dos judeus pelo mundo no decorrer dos séculos, e a conseqüente formação
de comunidades judaicas fora da Palestina. Por extensão de sentido,
diáspora também se aplica à dispersão de qualquer povo em conseqüência
de preconceito ou perseguição política, religiosa ou étnica
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O Calendário Judaico
O calendário judaico, diferentemente
do gregoriano (cristão) que é solar, está baseado no movimento
lunar, quando cada mês (com 29 ou 30 dias) se inicia com a lua
nova. Se comparado com o calendário gregoriano, temos em um ano
solar 12,4 meses lunares, ocorrendo uma diferença a cada ano de
aproximadamente 11 dias. Para compensar essa diferença, a cada
ciclo de 19 anos acrescenta-se um mês inteiro (Adar II), o ano de
13 meses ou embolísmico. Essa alteração é necessária por causa da
Páscoa. A Páscoa judaica deve cair sempre na primavera. |
Virgínia Brandão

Fonte:
Federação Israelita de Minas Gerais
Ática Educacional
Associação da Juventude Israelita
Hehaver
Jewish Zionist Education
NetJudaica
Revista Morashá
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