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YOM KIPUR
O Dia do Perdão Judaico
Eliana Rosebaum Didio
Para falarmos de Yom
Kipur temos que citar Rosh Hashana, porque são as festas mais
importantes dos Judeus, além do Yom Kipur ser 10 dias após Rosh Hashaná.
Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico, é observado no primeiro e no segundo
dias de Tishrei, o sétimo mês do calendário judaico. Esse ano, 2006,
caiu em 22 (véspera), 23 e 24 de setembro.
"Que você seja inscrito no Livro da Vida"
Esta é a saudação usual durante esse período e, acredita-se, que, em
Rosh Hashaná, o destino da humanidade seja registrado por
"D'us¹ no Livro
da Vida
No Yom Kipur, o livro é fechado e lacrado. Um Ano Novo bom e feliz é
concedido àqueles que se arrependeram dos seus pecados.
O Yom Kipur é o dia mais solene judaísmo. É o tempo em que se eleva a
alma para perto do Trono e Balança Divina. É o início de um dia de jejum
e abstinência, quando o material se submete ao espiritual e cada judeu
vai examinar seus atos e buscar perdão pelos erros que cometeu contra
D'us. É um dia de arrependimento e perdão.
Sem a possibilidade do arrependimento, o mundo não poderia existir, já
que ao criar o homem com o livre arbítrio - a liberdade de escolha entre
o bem e o mal - D'us deu-lhe a possibilidade de errar, de se afastar
Dele. Mas ofereceu-lhe, também, a possibilidade de voltar para Ele, a
possibilidade de mudar o curso de sua vida, de arrepender-se, de
"aproximar-se de D'us, afastando-se do pecado," de fazer teshuvá
(arrependimento, retorno ao bem). O Talmud afirma que "Sete elementos
foram criados antes do universo, entre os quais a Torá e o
arrependimento..." (Nedarim 39b). Portanto, antes mesmo de ser criado,
D'us deu ao homem, elemento fundamental de toda a Criação, a
possibilidade de se afastar de seus erros. Segundo nossos sábios, a
eficácia do arrependimento, do retorno a D'us, está acima da lógica
humana.
No calendário hebreu, o Yom Kippur começa no crepúsculo que inicia o
décimo dia do mês hebreu de Tishrei (o que coincide com setembro ou
outubro), continuando até ao seguinte pôr do sol. Esse ano, 2006, a
véspera de Yom Kipur caiu no dia 01/10 e foi até 02/10 passado.
Durante um longo ano, comete o homem toda sorte de erros, atropelos,
voluntários, involuntários. O processo da teshuvá não poderá realizar-se
magicamente em um dia.
O Yom Kipur é o dia do perdão - quando Deus perdoa a todo Israel.
Durante esse dia, nada pode ser comido ou bebido, inclusive água. É
permitido lavar a boca, escovar os dentes ou banhar o corpo. Somente o
rosto e as mãos podem ser lavados pela manhã, antes das orações. Não se
pode carregar nada, acender fogo, fumar, nem usar eletricidade. O jejum
não é permitido para crianças menores de 9 anos, pessoas gravemente
enfermas, mulheres grávidas e aquelas que deram a luz há menos de trinta
dias.
Se uma pessoa, enquanto estiver jejuando, passar mal a ponto de quase
desmaiar, deve-se lhe dar comida até que se recupere. Se houver perigo
de uma epidemia e os médicos da cidade aconselharem que é necessário
comer a fim de resistir à moléstia, exige-se que todos comam.
Observa-se, também, que as más ações ou transgressões têm duas
polaridades: uma do homem em relação ao homem e a outra do homem em
relação a Deus. A primeira é a da vida diária, exterior, social e
inter-humana. A outra, do âmbito da alma, é o segredo da consciência. A
primeira é coisa de homens e os homens têm de resolvê-la: "As
transgressões que vão de homem a homem, não são espiadas pelo Yom Kipur
se, antes, não forem perdoadas pelo próximo ".
Daí que se costuma pedir, previamente, o perdão de nossos semelhantes,
se eles não perdoam, Deus não poderá intervir.
A proibição mais
forte no Yom Kipur é relacionada à comida - Comer (desde um pouco antes
do pôr-do-sol de Domingo (dia 01), até o nascer das estrelas da
segunda-feira, (dia 02). Essa, como outras proibições, tem como essência
causar aflições ao corpo dando prioridade a alma
A GASTRONOMIA DE YOM KIPUR
Enquanto o Yom Kipur
é dedicado ao jejum, o dia anterior é dedicado a comer. De acordo com o
Talmud, a pessoa "que come no nono dia de Tishrei (e jejua no décimo), é
como se tivesse jejuado em ambos os dias, o nono e o décimo". Também as
orações são minimizadas para que os judeus possam se concentrar em comer
e se preparar para o jejum.
No dia que precede o Yom Kipur, recomenda-se que se coma mais que o
habitual para se fazer face ao jejum, evitando-se alimentos
excessivamente salgados ou condimentados que provoquem sede excessiva,
pois ao começar o jejum, além de não se comer, não se bebe água até o
término.
Alguns quebram o jejum ainda na sinagoga com bolo de nozes e mel.
Os Ashkenazim costumam quebrar o jejum com um caldo de galinha quente
acompanhado de Kreplach recheado de frango, chá, arenque, galinha
assada, etc.
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Burekas |
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Os Sefaradim são mais adeptos do lanche, que pode se iniciar com um suco
de frutas. São também colocados à mesa Burekas, pastas de queijo.
azeitonas. biscoitos, pãezinhos e, as vezes, caldo de galinha.
No Marrocos, é mais usual se preparar um cuscuz de galinha, além de
galinha ensopada com grão de bico e uma rica sopa com todos os vegetais,
que alguns denominariam como Harira, da qual os muçulmanos fazem uso
também no jejum de Ramadâ.
Em casa, o jantar tradicional começa com um peixe defumado ou marinado:
a salinidade faz com que se tome mais líquidos e re-hidrata o organismo
mais rapidamente.
Alguns grupos da Europa central, costumam, neste dia, fazer uma refeição
láctea: lokshem kugel (bolo de macarrão) ou as blintzes (panquecas) de
queijo. Em quase todas as casas há, também, um prato de galinha.
Outro costume envolve os judeus da Turquia. No jantar de "quebra-jejum",
costumam servir huevos haminados (ovos cozidos por um processo especial
que leva mais de 6 horas). O ovo sempre foi o símbolo da vida e da
continuidade para muitos povos antigos. Diz a lenda turca que, se você
dividir um huevo haminado com alguém, um ficará com raiva do outro até o
fim do próximo ano.
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Kreplach |
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Os judeus Sefaradi (do Oriente e da Península Ibérica) têm o couscous
como prato de cerimônia para as festas de fim de ano. Comem acelga para
remover os inimigos do caminho, a vagem de metro para aumentar as
bênçãos recebidas, o doce de abóbora em pedaços para pedir que os nossos
pecados sejam também reduzidos a pedaços e a romã para que nossas
virtudes se multipliquem como suas sementes.
Curiosidade:
Existiram 2 grandes comunidades judaicas na Índia, a de Bombaim e a de
Calcutá. As receitas de ambas eram iguais na essência, mas tudo o que
era feito com carne em Bombaim, era feito com frango em Calcutá: a
comunidade de Bombaim tinha um shohet, ou seja, um rabino habilitado a
abater animais segundo os rituais kasher (o código religioso sanitário
que diz o que o povo judeu pode comer e o que não pode). Assim, a
comunidade de Calcutá só comia carne quando o Shohet para lá viajava.
D'us
1-
D'us ou D-us é uma das formas utilizadas pelos judeus de língua
portuguesa para se referirem ao criador do mundo sem citar seu nome
completo em respeito ao terceiro mandamento recebido por Moisés
(Não tomarás em vão o nome de YHWH). Em
outros idiomas, eliminam-se também uma ou mais letras da palavra
correspondente, como no hebraico transliterado El'him ou no inglês G-d /
G'd.
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Fontes:
Livro - Cozinha Judaica 5.000 anos de histórias e gastronomia
Kaplan, Ariyeh, Inner Space
The ArtScroll Mesorah Series,
Yom Kippur
Wikipédia
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Receitas
Tradicionais
Conheça algumas
deliciosas receitas usuais na refeição que antecede o jejum do Yom Kipur
e no tradicional jantar que rompe o jejum. São receitas muito gostosas e
não muito complicadas de se fazer. Experrimente!
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Burekas - Pastéis
Judaicos Sefharadim
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Kreplach -
Massa
semelhante ao Capeletti italiano-
Chittarnee -
Peito de Frango Agridoce ao Molho de Cebola
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