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Jezebel Salem

 

 

E por falar em "gourmand"...

Apresentando-me (como me foi solicitado).


Não é cômodo desenhar seu próprio perfil. Mas talvez, bem que poderia começar assim:


"Jezebel Salem é jornalista há 25 anos e sua senda profissional, de algum modo, por curiosidade, por gosto e por apetite mesmo, sempre bisbilhotou, passou e acabou ficando pela cozinha".


Tudo começou precisamente em 1986/87. A primeira revista essencialmente voltada para o bem comer e beber, a histórica revista "Gourmet" estava dando seus primeiros passos. Hoje, quando folheamos aqueles antigos números, surge uma clara constatação da antiguidade, da simplicidade e falta de técnica com que eram feitas aquelas primeiras viagens no mundo maravilhoso da gastronomia! - a palavra, aliás, mal existia e quando nos referíamos ao fato, ou dizia-se que escrevia sobre gastronomia, não faltavam aqueles que entendiam "astronomia"!!...


Bem, nestes 20 anos, nesse complexo e saboroso terreno da cozinha, da culinária - e da mesa e seus rituais, sua cultura, e seus desdobramentos - muito se cresceu, muito se aprendeu, muito se fez. Em vinte anos, pouco mais, pouco menos, o Brasil (especialmente nas grandes cidades) deu um salto e chegou praticamente a maioridade nesse âmbito. Haja visto a quantidade de informação, editoras de livros, mídia especializada, profissionalismo, número de casas voltadas ao paladar, feiras de produtos e serviços do setor, tudo para que se possa comer e beber do bom e do melhor. E, finalizando, temos até uma super oferta de curso superior, adivinhem do que: exatamente, gastronomia!... Uma evolução admirável, se considerarmos que, há apenas 20, 30 anos, o chique era servir "Stroganoff" em ocasiões especiais e que coquetel ou festa que se apresentasse tinha apenas coxinha e empadinha na bandeja. Sem falar no ponche...


Nesses 20 anos também crescemos em exigências, a medida que a oferta se multiplicava, se especializava, se ramificava. Hoje, é só folhear os guias especializados em rotas e em propostas gastronômicas: uma avalanche de opções, de concorrentes, de ofertas, das mais extravagantes as mais qualificadas e equilibradas.


Mas voltando a minha história, como nada é por acaso, logo naquele começo, na primeira reportagem que me incumbiram na minha estréia na Gourmet, vim a conhecer a "diva" da escrita culinária - naquela época ainda bem low profile, a Nina Horta. O fato é que ela, além de escrever deliciosamente bem, sabia e sabe de tudo dentro de uma cozinha. Com seu charme nato, e sua biblioteca Alexandrina de quitutes do mundo todo, ela me deu uma boa mão naquele primeiro artigo: "pães de milho", imaginem. Ficou bom mesmo. Dali para frente, não parei mais: de beliscar em tudo quanto fosse receita, página de livro, caçarola no fogo, cozinha experimental, mesa de restaurante, balcão de confeitaria, etc., etc.


Vieram também as outras mesas de redações: teve o começo da página "O Melhor de Tudo", do jornal O Estado, seção gastronômica inventada por uma jornalista chamada Vera Moreira, página que existe até hoje, religiosamente toda as sextas-feiras. Depois veio a revista Gula, da qual participei do número zero até a primeira dezena de publicações. E ainda existiram os livros, os artigos para outras revistas, as colunas em jornais que já não existem. Comer, comer, comer!!! E ainda continuei magra por alguns anos... Depois, mais recentemente, criou-se uma seção eno-gastronômica no jornal Gazeta Mercantil. Por coincidência, mais uma vez, estava de volta a sua direção um jornalista que, além do incomparável conhecimento nas áreas ditas "sérias" dos editoriais, é um gourmand de alta linhagem, como de fato e direito existem poucos. Mário Alberto de Almeida. E como nada é coincidência, era ele mesmo que, em outros tempos havia praticamente fundado e levado avante aquela pioneira "Gourmet". Então que eu estava ali novamente, no momento e na hora certa. E foram mais 3 anos de afinamento de paladar, de rodopio de vinhos nas taças, de refinamento de conhecimentos, de apuramento de texto. Ah que vida!...


Agora, bem recente, temos a mídia eletrônica. E no vai-e-vem dos portais, alguns mais outros menos saborosos, alguns dentro ou fora do ponto, alguns bem ou mal temperados, surge este, o nosso site. Também por coincidência, eu estava lá, ou vieram me chamar, não importa... mas gente, eu conheço essa moça, a que criou e edita todo este site, há muito e bom tempo. Ela também começou pelas nobres cozinhas da cidade, trabalhando ao lado de um ícone da gastronomia paulista, Emmanuel Bassoleil, nos velhos e bons tempos do Roanne. E ela também, sempre manifestando essa inclinação poética (e científica) pela comida, só poderia dar no que deu.


E aqui chegamos, em nova etapa do sonho: um correio só de gourmands, de nova estampa, novo fôlego e cheio de temperos - dos convidativos aos especulativos. O sal e o açúcar da vida, literalmente! - e eletronicamente! Uma comunidade de interessados pensa melhor - e vive melhor - se bem alimentada desta classe de ingredientes. Parabéns, Correio Gourmand! Ponto. Com. - e, por enquanto, Br.


Jezebel Salem

jezebela@terra.com.br

 

 

 

 

 
 

 

 

 

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Atualizado em: 04 março, 2010.