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Pequeno Glossário da Cozinha
Árabe
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Beduínos

Organizados em tribos, os beduínos são
nômades e vagam pelos desertos do
Oriente Médio, conduzindo rebanhos de
oásis a oásis.
Os beduínos representam apenas uma
pequena parcela da população do Oriente
Médio, mas habitam ou utilizam amplos
territórios na região, principalmente na
Arábia Saudita, Iraque, Síria e
Jordânia. A maior parte deles é de
pastores que migram para o deserto na
época das chuvas, retornando para as
áreas cultivadas nos meses de seca.
Embora tradicionalmente desprezem a
agricultura e o trabalho manual, muitos
beduínos se tornaram sedentários como
resultado de sua evolução política e
econômica, sobretudo depois da Segunda
Guerra mundial. Na década de 1950, a
Arábia Saudita e a Síria nacionalizaram
grandes extensões de terras usadas pelos
beduínos e a Jordânia limitou
severamente a criação de cabras. Desde
então, os conflitos entre beduínos e
agricultores tornaram-se mais
freqüentes.
Os beduínos de maior prestígio são os
criadores de camelos, que ocupam áreas
importantes dos desertos do Saara,
Jordânia e Síria. Seguem-se na
hierarquia os criadores de carneiros e
cabras. Seus chefes são chamados de
xeques.
As tribos beduínas tiveram de se
submeter ao controle dos governos dos
países onde vivem e, assim, abandonaram
as lutas internas e ataques a povoações,
adotando hábitos mais pacíficos e
civilizados. Sobrevivem, porém, muitos
de seus costumes tradicionais: as
famílias são numerosas e de estrutura
patriarcal.




















Falafel

 

harissa




Baklava


homus

pão

couscous

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COZINHA ÁRABE
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A
aromática e colorida comida das arábias
Virgínia Brandão
A cultura gastronômica árabe é fruto da riquíssima mescla das tradições do
Oriente Médio com as culturas e tradições dos povos e civilizações com que
os árabes entraram em contato no curso de sua História. Devemos procurar
suas origens nos beduínos do Oriente Médio, em sua alimentação, sempre
influenciada pelo deserto que freqüentemente atravessavam.
Embora o mundo árabe se constitua de muitos Estados diferentes, a religião
em comum os conecta de forma inexorável. A grande maioria dos árabes é
muçulmana e, como tal, seguem a normas alimentares ditadas pelo Alcorão. E,
como veremos, o Islã determina muitos detalhes da vida e da cultura dos seus
fiéis, influenciando, portanto, de forma decisiva, a exótica e deliciosa
"cozinha das árabias".
Nos países islâmicos, por princípio religioso, o consumo de carne suína é
proibido, de forma que, na totalidade das cozinhas árabes, a carne de porco
jamais é utilizada. O álcool, também, é proibição rígida do Alcorão, o
que, naturalmente, tem efeitos na cozinha árabe, onde todos os pratos são
preparados sem álcool.
Umas pitadas de História
Para entender a História do povo árabe, entretanto, é importante conhecer um
pouquinho a História da Arábia antes do advento de Maomé, a época chamada de pré-islâmica,
que, em todos os pontos de vista, foi profundamente diferente da cultura árabe-mulçumana que a
seguiu.
Antes de 622 d.C., data que corresponde ao ano I do Égira (fuga de Maomé e
seus seguidores de Meca para Medina), não existia uma real nação, mas um
sistema tribal. Desde tempos remotos, os árabes habitavam a península
Arábica, uma terra árida e
imensa, equivalente a um terço da Europa, pouco povoada e, em muitas partes,
deserta. Pela baixa incidência de chuva, eles aprenderam a procurar a água,
cavando poços profundos. E, quando, então, uma nascente jorrava, surgia um
oásis, estupendo e verde. Com o sucesso de lavouras ao longo das áreas dos
oásis,
foi possível o cultivo de legumes, especialmente a berinjela, assim como a
cultura do arroz e outros grãos, que ampliaram o cardápio árabe de forma
significativa.
Algumas populações semi-nômades cultivavam cereais, legumes e
frutas, mas essa atividade estava condicionada às boas condições climáticas.
Mas, a grande maioria era de nômades e pastores, aos quais as difíceis condições ambientais impunham
este tipo de vida. Deslocavam-se através das regiões secas do deserto do
Norte da África, seguindo continuamente para aonde as condições fossem mais
propícias.
Já há 2000 anos a.C., domesticaram o camelo, animal bem
adaptado às condições do deserto que, junto com outros animais, como vacas,
cabras, ovelhas, além de meios de transporte, serviam como fonte de
alimentação fresca e disponível. Por isso, na cozinha árabe, o consumo de
carne é em grandes proporções, complementado por frutas secas, como as
tâmaras, pão pita, cereais e diferentes condimentos. O leite de camelo e as
tâmaras cultivadas nos oásis eram a alimentação base dos beduínos. Havia uma
relação muito próxima entre os diversos grupos, pois tinham necessidade uns
dos outros. Em geral, as relações entre eles eram pacíficas e de natureza
econômica.
Os nômades árabes mantiveram excelentes e intensas relações de comércio com a Índia e outras
regiões da Ásia. Conheceram cedo, e muito antes de outras nações,
o prazer dos condimentos e das especiarias indianas e dominaram o precioso
comércio entre Ásia e Europa ao longo de séculos. O camelo, animal resistente
e veloz, era útil no transporte de pesadas cargas. As caravanas saídas das
zonas mais férteis, ao Sul da península Arábica, atravessavam todo o deserto, indo até
o Norte e por todo Oriente Médio, para revender os artigos produzidos localmente,
assim como aqueles originários da Índia, da África e do Oriente. E, em
algumas regiões, os beduínos cobravam uma taxa por essa travessia em seus
territórios.
Em 632 d.C., depois da morte do profeta Maomé, os árabes começaram suas
expansões, até a criação de um grande Império, que se estendia da Ásia ao
Norte da África, passando pela Espanha e Veneza. A Capital desse grande
Império era Bagdá. E, durante a expansão árabe, os hábitos alimentares
herdados dos beduínos do deserto foram se amalgamando com as refinadas
tradições bizantinas e de outros povos conquistados.
Essas novas gerações
árabes se alimentavam de legumes e verduras como abobrinha, alho-porro,
cebola e feijão, e, também, de muita fruta. Por essa época, o arroz originário
da Índia se difundiu por todo o Império. Pratos e receitas, algumas
milenares, como a do Falafel,
um bolinho feito com grãos-de-bico, especialidade síria e jordaniana,
muito popular no mundo todo hoje, que já eram conhecidos no tempo dos faraós.
Na corte de Bagdá, a cozinha foi transformada em arte, de tal forma que se
deu, ali, a origem a uma real literatura gastronômica. Os pratos foram
enriquecidos e se tornaram cada vez mais complexos e sofisticados. E os
grandes jantares, as festas, o prazer da comida e o prazer coletivo de estar
à mesa, se uniram ao grande espírito de hospitalidade dos árabes. De fato,
hoje, nas sociedades árabes, é forte a tendência a tudo que favoreça a sociabilização, incluindo a comida e a cozinha. A mesa posta é o melhor
momento para se conversar e se compartilhar opiniões e experiências.
Em 1258, com a chegada dos Mongóis, Bagdá cai e junto, também, todos os seus feitos
culinários. Mas essa grande tradição foi retomada pelos turcos
Otomanos a partir do século 14, trazendo muito da culinária árabe de
volta. Os Sultões deram bastante crédito às artes da cozinhas, incentivando
na compilação de livros e receitas de estudiosos, filósofos e doutores.
A Cozinha
Na cultura árabe,
a comida representa uma importante base para a comunicação, e as refeições
são o centro dos encontros familiares e círculos sociais. A variedade de sua
culinária é enorme e, embora não exista de fato o que denominamos de "cozinha árabe", por tratar-se de vários países árabes, podemos descobrir
a riqueza e a peculiaridade dessas diversas cozinhas que imprimem suas
tradições e História na gastronomia da região. Como, por exemplo, o carneiro
assado da Arábia Saudita, que é resultado claro dos hábitos dos beduínos
nômades dedicados ao pastoreio.
Se voltarmos no
tempo e percorrermos a História da culinária árabe, saberemos, por exemplo,
por que os povos dessa região têm na carne a base de sua alimentação,
enquanto outros alimentos são consumidos em menor proporção, como as frutas
frescas e hortaliças, ou, como os peixes ou frutos do mar, muito raros em
suas mesas. Encontraremos, também, o leite de cabra e de camelo, e o gosto
pelas especiarias, como acontece na elaboração da kafta, um tipo de
almôndega, aromatizada com elas. A introdução das especiarias na cozinha
árabe é resultado direto do comércio que eles faziam no Mediterrâneo e
lembram a intensa atividade comercial de uma época.
E é o sabor
desses temperos, incorporados em sua cultura culinária ao longo dos tempos,
que lhes confere a fama de cozinha aromática. Mas não apenas aromática,
também de cozinha visual, que desperta o paladar no alegre colorido de seus
pratos, além dos deliciosos aromas. Tudo isso, resultado da utilização de ervas
frescas, como salsa, hortelã, coentro, alecrim, de condimentos
como açafrão, noz moscada e canela, ou outros mais picantes como a harissa –
uma pasta feita de pimenta malagueta, muito utilizada em receitas árabes.
Os doces,
elaboradíssimos, são geralmente feitos de nozes, amêndoas, frutas secas e
mel, e aromatizados com deliciosas essências, como a de rosas e a de flor de
laranja, que evocam as “mil e uma noites”. Em alguns países, ainda são
usadas as flores de laranja para aromatizar a água que servirá à preparação
de pratos.
Comparados à maioria
dos doces ocidentais, a doçaria árabe é bem mais acentuada no açúcar, mas
cai bem no gosto dos brasileiros, pois se semelham na doçura à confeitaria
portuguesa e às nossas compotas regionais e doces de fazenda. Uma iguaria da
doçaria árabe muito conhecida no mundo inteiro é a Baklava, torta de massa
folhada de origem turca.
A importância dos
grãos na culinária da região é enorme. Muitos pratos árabes, alguns deles
muito conhecidos de nós, são à base deles, como o já citado falafel e o homus, feito
com a pasta de grão-de-bico.
Já o peixe não
representa um papel importante na cozinha árabe, pois esse tipo de alimento,
sensível, se deteriora extremamente fácil no deserto quente. Somente em
regiões ao longo das águas (Golfo Pérsico, Mediterrâneo, Nilo, Mar Vermelho,
Oceano Índico) os
peixes passam a ter significado.
Tradicionalmente,
o pão é consumido em todos os países árabes, servindo, muitas vezes, não só
como parte da refeição, mas, também, como substituto do talher. Com ele são
pegas, em porções, as comidas degustadas, os molhos são absorvidos e os
pratos esvaziados. O trigo, também, é base para outras iguarias da
culinária árabe: o cuscuz (couscous) do Norte da África e o bulgur, que no
Brasil familiarmente, chamamos de "trigo para quibe". Ambos, semelhantes no
formato, sabor e forma de produção. O couscous é, talvez, uma das mais
conhecidas iguarias árabes, produzido com semolina moída e úmida, de trigo,
cevada ou milho. Embora as bebidas alcoólicas sejam proibidas, o Iraque tem
tradição milenar no preparo da cerveja, inventada ali, quando aquela região
era chamada de Mesopotâmia, e, até bem pouco tempo, mantinham muitas
cervejarias artesanais.
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Fontes::
Libreria Islamica
Arabische Küche
Taccuini Storici
La cucina araba
Enciclopédia Britânica
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