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COZINHA ITALIANA

 
   
     
 

 

IL GELATO

 

 

 

Diria eu, neste verão escaldante, que a “terra do sorvete” devia ter sido aqui, ou melhor, nos trópicos. Mas a mãe natureza (quem a entende?) resolveu que a terra do “gelati” seria  uma belíssima e “lontana” paisagem, com temperaturas também escaldantes, mas de curtíssima duração. Às vezes, só uns 45 dias por ano, ou até menos -  apesar das páginas e páginas que nos falam do aquecimento global, o que, provavelmente, agradaria muito aos sorveteiros. Politicamente incorreto? Mas quem fica sem sorvete com uma temperatura acima de 30 graus?

 

Mas o fato é que foi na Itália, terra mãe de muitas coisas (e não apenas gastronômicas – piano, óculos, Papa, etc...) que “surgiu” o sorvete no Ocidente. Aliás, seria impossível escrever ou falar da História da humanidade nos últimos 3000 anos sem notar que o “italianos” se fazem presente o tempo todo na enciclopédia da vida, deixando suas marcas. E uma delas, das mais saborosas, é o “gelati” que bate qualquer concorrente, sendo a sobremesa mais consumida do mundo, assim como outra “cria” da Itália, a pizza, ganha do fast-food em todo o planeta. Podemos dizer que, de forma imperialista, a culinária italiana se espalhou pelo mundo. Mas, isto, no fundo, é normal, afinal nunca houve nada mais imperialista do que ROMA...

 

Houve um tempo na minha vida em que o “gelati” tinha uma enorme importância. E, sempre aos domingos da infância, a primeira paixão quase infantil ainda, tudo com "gelati". A grande diversão dominical, após o cinema, inverno ou verão, tanto fazia, eram as “gelaterias”, e o sucesso maior eram os ice creams ou a banana split, tudo muito pós guerra, tudo muito Cinema Paradiso. Embora mais cosmopolita, minha infância foi como a do menino do filme.

 

Os “gelatis” fazem parte da grande e “caseracia” culinária italiana. Ele era feito em casa, artesanalmente, em todas as épocas. Naturalmente primeiro foi iguaria rara, destinada aos poderosos. Mas, como quase tudo o mais, depois se tornou popular. Apareceram as geladeiras, mesmo antes da eletricidade, funcionando com gelo. O vendedor “di ghiaccio” passava diariamente, barras enormes eram cortadas a pedido dos clientes e iam para as geladeiras. Estas, de madeira, marrom brilhante. E lá íamos nós, as crianças, esperar fazer o “gelati”... Mas quem conseguia esperar? Então, por isso, a geladeira era rigorosamente vigiada para não permitir que as crianças “atacassem” o sorvete antes que estivesse pronto como os gordinhos "atacam" a geladeira de madrugada.

 

 

Hoje, não tem mais “corpo de vigia de geladeira”... os tempos são outros. Quase ninguém mais faz sorvete em casa – o que é uma pena, pois ficam deliciosos. Também quase ninguém mais passa as receitas “ocultas”, com segredos seculares de família aos seus descendentes. Num só clique, atualmente, você tem acesso a milhões de receitas na Internet – chamo isso de a “Era do mundo aos seus pés”... parece que tudo já foi descoberto, escrito ou feito e está ali.

 

Mas, o “gelati” continua sendo a mais irresistível sobremesa do planeta, encantando a todos, de todas as idades e culturas. Eu nunca conheci alguém que não gostasse de sorvete. E você, conheceu?

 

 

“Dicas sobre os Sorvetes”

 

1- No Brasil, sejam de cremes ou frutas, tudo é sorvete. Não é assim na Itália. “Gelati” e “Sorbetti”, embora já tenham sido sinônimos um dia, hoje não são mais. Há uma diferença ente o “Gelati” feito com ovos, gemas, leite e creme de leite, e o “sorbetti”, feito de suco, polpa de frutas, açúcar e, quase sempre, água.

 

2- O sorvete de baunilha (vanilla) é a base de quase todos os sorvetes cremes, assim como a maionese ou o molho bechamel são base de uma infinidade de outros molhos.

 

3- Nunca coloque um sorvete ainda quente no freezer, espere esfriar bem.

 

4- Não guarde o sorvete sem tampar ou cobrir.

 

 

Que tal experimentar fazer o seu "gelati" em casa? Veja as receitas abaixo e anime-se, além de fáceis de fazer, ficam deliciosos. Confira!!

 


 

Cristina Arce é uma gourmet de alto estilo, estudiosa do tema e especialista na Itália, sua terra natal, e na gastronomia italiana. Além de escrever em seu site, www.crisarce.com.br, ela é responsável pela coluna Cozinha Italiana no Correio Gourm@nd.

crisarce@uol.com.br

 

 

 

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Atualizado em: 26 maio, 2010 .