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COZINHA ITALIANA
Dia dos Namorados
(muito incorreto)
Gente estou envergonhada, haja celebrações e celebrações, nem passou
Maio, mês das mães, e noivas (embora não seja mais o mês em que se casa
mais na atualidade - agora é dezembro) e já temos outro "grande dia" - o
DOS NAMORADOS, haja caixa não?
Será que todos merecem ser festejados em massa assim? Tenho minhas
enormes duvidas politicamente incorretas.
Todas as "namoradas" casadas e solteiras ou casados e solteiros e outros
e afins etc, merecem ser presenteados? Em época de tudo descartável, só algumas reciclagens na questão Amor?
- alguns chamam de "rever nosso
relacionamento" ou "dar um tempo", eu chamo reciclagem.
Nossa, reparem, precisa reciclar muito, mesmo que a relação seja de pouco tempo, será
que o Dia dos Namorados é para rever? Não deveria ser e sim para
esbanjar de tudo sem "quase limites" ousar, renovar, mudar, deixar,
encontrar, reencontrar, esquecer, lembrar, detestar, amar, e
principalmente perdoar ou de "amor" se tratando nestes tempos "fazer uma releitura", sacou?
Lendas e mais lendas a cada dia que passa, até para este dia que,
lembremos, universalmente se festeja em
14 de fevereiro. Na Roma antiga eram as festas lupercalianas* "de amor e sexo".
no dia 15 de fevereiro, e que, em homenagem a
São Valentin, foi mudado para o dia 14. Aqui é no dia 12 de junho,
véspera do dia de Santo Antonio - como escrevi no ano passado
coincidência ser o "maior casamenteiro".
Tem gente que não acredita no casamenteiro Antônio, com todo respeito se
me permitem tanta intimidade, porém uma vez em
Salvador, cidade mais que deslumbrante, visitei a igreja de
Santo Antônio (aliás visitei quase todas, já estive lá muitas vezes
e adoro muitíssimo a comida baiana). Se você sempre achou que essa
historia do "Antônio casamenteiro é mais uma lenda, vá até lá
e leia as que foram "agraciadas" por ele (nem todas merecem sua atenção)
e DEIXARAM POR ESCRITO SUA ENORME GRATIDÃO. Acreditem vocês que
isso hoje, em pleno século 21! Vocês não acham que a mulher de verdade "quer queimar soutien"?'
Digo
mulher porque lá
na igreja só vi agradecimentos para o casamenteiro santo de mulheres. Eu nunca, jamais, acreditei em
"mulher amar queimar soutien", imagine se "tivesse sido verdade" não haveria mais
Santo Casamenteiro nem Valentin's Day, ou 'Il Giorno di San Valentino,
(nao é repetição, tenho que citar como se fala lá na Itália também) e
não haveria
mais a correria para se depilar, de ponta a ponta. Tente conseguir uma
hora nos beauty shops da vida, neste dia se tiver uma emergência, veja
se consegue. Ou para aquela "roupitcha" ou aquele perfume ou aquele jantar
ou copiar, digamos, as "breguinhas" pétalas de rosas na
banheira, ou velas e mais velas no quarto (eu não aconselho aquelas velas, acho que eles
não gostam, mas não falam)
tudo isto e muito mais não é lenda, é real assim.
Mais uma vez, dizem que foram os americanos, alguém de Massachusetts, a botar o Valentines
Day no mundo. Nada surpreendente - americano transforma tudo em, digamos,
economia, produção e festa. Assim, as caixas registradoras não param. Temos que festejar uma data após a outra sem parar,
afinal o que seria a vida sem uma festinha mesmo profana
como esta? Ninguém é de ferro, ou é?
Há uma gigantesca oferta de quase tudo que se imaginar para este dia, é
só
abrir a carteira, caso não abra ,sinto muito será difícil ter um "festival lupercaliano".
Na Roma era possível festejar
sem pagar, hoje não dá, é impossível e depois os poetas e ,escritores,
ensaístas, historiadores, antropólogos, arqueólogos,
os famosos hoje em dia, "especialistas",
dizem que os ditos povos antigos eran selvagens e que hoje
"evoluímos" muito...
Vejamos, li que
desde que se tenha R$ 14 mil, é possível passar a noite dos namorados em uma
suíte presidencial com
mordomias muitas. Cá entre nós, champagne, um pouco só - 1 garrafa - ou
"lembrancinhas" de R$ 5 a 6 mil mais ou menos, jantarzinhos de pelo menos
R$ 1 mil reais etc... Em Roma, isto
jamais aconteceria, mas luxúria total lupercaliana de graça, isto sim, haveria aos montes, a luxúria ainda não fazia parte dos pecados capitais e era
"usada a vontade". Os meus antepassados romanos, também, não tinham "especialistas", o que incorretamente acho
fantástico, prefiro sem "especialistas".
De maneira mais que "incorreta", darei algumas dicas a vocês
para mais essa data:
Esqueça o motel. As crianças? Seja criativo e dê um jeito nelas.
Velas nem pensar. Lembre-se que eles não gostam, não têm coragem de falar.
Naturalmente há exceções.
Pétalas de rosas na banheira nunca, é clichê para filmes B americanos.
Morangos nem pensar ,por favor.
Brindar entrelaçando os braços é horrível.
Se lambuzar de "qualquer coisa" é pior que filme B.
Tenho muito mais dicas, mas .não vou escrever porque meu script é
gastronomia. Mais ou menos, adoro opinar sobre tudo. Caso você discorde do que
aqui "incorretamente" coloquei, tudo bem, é só me enviar um e-mail dando
sua opinião. Aceito todas "lupercalianamente", ou seja, liberdade, liberdade
e liberdade.
Ai você dirá qual presente? VOCÊ MESMO só. Acha pouco?
Esta coluna parece só para mulheres não é? E de certa forma, embora
muitos homens leiam o Correio Gourmand, ela é mesmo, pois homens não se
ligam muito em datas, eles fingem que sim, sabia?
Eu adoro cinema, "scussi" adorava, hoje é muito ruim. Há em um diálogo sobre relacionamento e
convivência homem-mulher no filme MY FAIR LADY, com Rex Harrison e
Audrey Hepburn (há outras versões anteriores), e cito porque é de Pigmalion, obra de Bernard Shaw, uma história meio
Cinderela, que conta com um personagem, o professor Higgins, que
dificilmente uma mulher século 21 resistiria a ele.
A certa altura do filme, o professor Higgins fala para o coronel
sobre a "visão feminina"
(eles estão morando juntos, trabalham e dividem tudo:
- Coronel você ficaria bravo se eu esquecesse do seu aniversário ou de outra data importante qualquer?
O coronel responde: - de jeito algum, não estaria nem ai.
É por aí, é isso mesmo - a contragosto do consumo e das mulheres,
os homens nem tchums para datas.
Assim, você faz um magnífico jantar (eles adoram
conforto, elas já uma representação) com umas receitas fáceis e que poderão ficar prontas e
só serem servidas na hora. Lembre-se, MENOS e MAIS. Isto serve até para os
"Dia dos Namorados" e não esqueça, vocês dois juntos - esse é o grande presente.
Feliz Dia dos Namorados!
Baci,
Cristina Arce

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do Dia dos Namorados 2007
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Cristina
Arce
é uma gourmet de alto estilo, estudiosa do tema e especialista
na Itália, sua terra natal, e na gastronomia italiana. Além de
escrever em seu site,
www.crisarce.com.br,
ela é responsável pela coluna Cozinha Italiana no Correio
Gourm@nd.
crisarce@uol.com.br
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