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AS BEBIDAS DESTILADAS
Um pouco de História
Bebidas fermentadas como o
vinho e a cerveja, remontam aos primórdios da humanidade. Não existem
documentos que comprovem, mas a história oferece elementos para se
acreditar que as bebidas fermentadas foram daquelas invenções do homem
que se deram por acaso, provavelmente há 7.000 ou 8.000 anos, no Oriente
Médio, quando alguém esqueceu um punhado de grãos ou frutas amassadas
que, fermentados, viraram um líquido com teor alcóolico.
Os primeiros registros sobre a fermentação vieram do Egito Antigo. Os
egípcios inalavam vapores de líquidos fermentados diretamente do bico da
chaleira, com o intuito de curar moléstias. Na antiga Babilônia, em 1750
a.C., o Código de Hamurabi já mencionava proibições para sacerdotisas
freqüentarem tavernas.
Durante séculos a humanidade
saboreou suas bebidas fermentadas, os babilônios com sua cerveja, os
gregos com o vinho e os índios brasileiros com o caiçuma (ou cauim), uma
bebida fermentada a partir do milho. Os Salmos de Davi 103:15 diz "fazes
brotar plantas úteis ao homem, para que da terra ele tire o pão e o
vinho que alegra o coração do homem".
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As bebidas destiladas,
entretanto, vieram mais tarde, com os gregos, que registram o processo
de obtenção da ácqua ardens. A água que pega fogo - água ardente,
aparece nos registros do Tratado da Ciência escrito por Plínio, o velho,
que viveu entre os anos 23 e 79 depois de Cristo. Ele conta que apanha o
vapor da resina de cedro, do bico de uma chaleira, com um pedaço de lã.
Torcendo o tecido obtém-se o Al kuhu. Foi no século X que Avicena -
médico, astrônomo e filósofo árabe - descobriu o processo de destilação
do material fermentado. A destilação produz um líquido composto em sua
maior parte por álcool etílico. A palavra álcool tem origem árabe "Al
Kuhul" que curiosamente significa fina poeira referindo-se ao sulfeto de
antimônio, cosmético muito usado pelos egípcios. Posteriormente este
termo passou a designar qualquer essência como o álcool. Entre o século
X e XII, os alquimistas europeus classificaram o produto da destilação
como "aqua ardens" literalmente água que pegava fogo, e atribuem a ela
propriedades místico-medicinais. A água que ardia posteriormente foi
obtida com um maior teor alcoólico e foi chamada de aqua vitae, eau de
vie em francês e uisqe beatha em irlandês. Esta água da vida ou
quintessência era usada pelos médicos como remédio e receitada como
elixir da longevidade.
São os árabes que descobrem
os equipamentos para a destilação, semelhantes aos que conhecemos hoje.
Eles não usam a palavra Al kuhu e sim Al raga, originando o nome da mais
popular aguardente da Península Sul da Ásia: Arak. Uma aguardente
misturada com licores de anis e degustada com água. Pela força da
expansão do Império Romano, a tecnologia de produção espalha-se pelo
velho e novo mundo. Na Itália, o destilado de uva fica conhecido como
Grappa. Em terras Germânicas, se destila a partir da cereja, o Kirsch.
Na Escócia o popular o Whisky, destilado da cevada (ou o milho). No
extremo Oriente, a aguardente serve para esquentar o frio das populações
que não fabricam o vinho de uva. Na Rússia a Vodka, de centeio. Na China
e Japão, o Sakê, de arroz. Portugal também absorve a tecnologia dos
árabes e destila a partir do bagaço de uva, a Bagaceira.
Com o avanço da ciência os
químicos classificaram os álcoois e sua grande família, o álcool etílico
é o composto que nos embriaga. A famosa reação de fermentação onde a
glicose vira álcool é chamada de reação de Gay Lussac, famoso químico
francês. Ele deixou sua marca em cada garrafa pois ao lermos o teor
alcoólico usamos a escala que tem seu nome.
Avancemos um pouco no tempo,
estamos no século XVI, período da introdução da cana de açúcar no
Brasil. Nos engenhos de cana, o que restava da produção de açúcar era
dado aos escravos e aos animais. Este resíduo era a borra do melaço
fermentada, conhecido como "vinho de cana". Esta borra é chamada até
hoje pelos espanhóis de "cachaza" ou cagassa em português. Alguém teve
então a idéia de usar a técnica de Avicena, nesta época já espalhada
pela Europa, e destilar este resíduo obtendo um destilado com alto teor
alcoólico. Surgia assim a cachaça, a aguardente genuinamente brasileira.
No mundo inteiro, o homem vem
produzindo bebidas destiladas há séculos, cada país, uma matéria prima
diferente. A variedade ofertada no mercado é muito grande, para todos os
gostos e bolsos. Escolha a sua predileta.
O processo de destilação
alcoólica
A palavra destilação deriva do verbo latino "destillaire", que significa
gotejar ou pingar, e é precisamente assim, em pequenas quantidades, que
o líquido é obtido pelo processo de destilação (Pot Still).
O que é o processo de destilação? A transformação de líquidos de fraco
teor alcoólico em líquidos de graduação alcoólica mais elevada, assim
como a separação do álcool das substâncias fermentadas que o contêm,
através do calor.
Tipos de destilação
a ) Patent Still
b ) Pot Still
Patent Still - Conhecido por Processo Contínuo e por Coffey
Still. Foi registrado em 1831 pelo irlandês Aeneas Coffey, inspetor do
departamento de impostos. Funciona em laboração constante e não requer
tanta atenção como o Pot Still. As vantagens deste sistema de destilação
são imensas, especialmente a possibilidade de obter grandes quantidades
de espírito num curto espaço de tempo e a baixo preço, mas também de
inferior qualidade.
Pot Still - Este sistema de destilação foi o primeiro a ser
utilizado há centenas de anos. Apesar de estar mais aperfeiçoado é ainda
um processo lento. Por esse motivo só se utiliza para produtos de alta
qualidade, tais como: Malte Whisky, Irish Whiskeys e a maioria dos tipos
de rum escuros. Usa-se também para obter o espírito de retificação
utilizado na produção do Gin ou outras aguardentes brancas.
As aguardentes
As aguardentes são bebidas espirituosas obtidas por fermentação e
destilação do mosto das uvas e outras matérias fermentáveis. Em alguns
países as aguardentes são conhecidas por "Water of Life", "Fire Water"
ou "Eau-de Vie", em latim significa Aqua Vitae.
Após a destilação as
aguardentes são incolores e aromáticas.
Classificam-se da seguinte
forma:
Aguardentes Vínicas
Aguardentes de Frutas
Aguardentes de Cereais
Aguardentes de Vegetais
Fontes:
http://inventabrasilnet.t5.com.br/cachaca.htm
www.gastronomias.com
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