HISTÓRIA DA PIZZA
por Virgínia Brandão
Pizza é uma
preparação culinária que consiste em um disco de massa fermentada de
farinha de trigo, regado com molho de tomates e coberto com ingredientes
variados que normalmente incluem algum tipo de queijo, carnes preparadas
ou defumadas e ervas, especialmente orégano ou manjericão, tudo assado
em forno, de preferência a lenha.
Difundido em todo o
planeta, talvez seja o prato mais democrático que existe, agradando a
ricos e pobres.
Origens
pré-históricas
Primeiro o homem descobriu que se a
farinha resultante dos grãos de cereais que ele moía com duas pedras
fosse misturada com água e, depois, a massa resultante fosse assada
sobre uma pedra quente, ele obteria um alimento capaz de saciar sua fome
e lhe dar muita energia. Assim, nasceu o pão. Acredita-se que tudo
isso aconteceu na Mesopotâmia, atual Iraque, no Período Neolítico, cerca de 10 mil anos atrás, quando o homem já dominava o fogo e a
cerâmica, deixando de ser caçador para explorar uma nova
atividade, cultivando cereais.
Depois - não se sabe bem ao certo em
que tempo isso aconteceu - mas foi quando se descobriu que cobrindo a
massa crua com alguma coisa comível e assando tudo junto, o resultado
ficava
uma delícia, que nasceu a pizza. Claro que não exatamente como a temos hoje, pois essa só apareceu mesmo no início do século 19,
mas, que já foi um grande avanço no paladar daquela época, foi...
Antiguidade
O fato é que, desde
que foi descoberta a fermentação da massa e o forno - graças ao talento
dos egípcios, há mais ou menos seis mil anos - os pães passaram a ser
enriquecidos com diversos ingredientes, como azeitonas e ervas aromáticas
por exemplo. Babilônios, fenícios, persas, hebreus e gregos adotaram a
fermentação egípcia para a panificação por que ela permitia um pão mais
aerado e mais leve. Era comum a todos a mistura de
farinha de vários tipos de cereais e água para moldar discos finos de
massa que eram assados em fornos
rústicos, e chamados de "Pão de
Abraão", algo muito parecido com os pães árabes atuais. Acredita-se que essa seja a base que deu origem à pizza.
Os etruscos, povo que habitou a
Etrúria, atual Toscana, na Itália, entre os rios Tibre e Arno, a partir
do século 7 a.C., já nessa época, tinham o hábito de consumir vários
tipos de coberturas com os discos de massa assados em pedra quente.
Mas os gregos deram um passo além dos
etruscos e, dizem os historiadores, foram os primeiros a colocarem as
coberturas antes de assar a massa, iguaria que chamavam de "Planctunos", e que levaram com eles quando se fixaram no Sul da Península Itálica e
na Sicilia entre os séculos 7 e 5 a. C..
Os romanos adotaram as receitas e
métodos de preparação dos etruscos e gregos e chamaram esse alimento de
"panis focacius" (do latim: "panis" = pão - "focus" = forno/fogo).
Ao longo de poucas centenas de anos,
este prato se tornou conhecido em toda a Itália, ganhando variações
regionais, algumas das quais existem até hoje e, ainda, são preparadas
como naqueles tempos, sem tomates (que só chegou à Europa em 1552): a
"Pizza Pugliese" da região da Puglia, o "Pitta Inchiusa" da Calábria, e
o "Schiacciata" da Toscana, região que fora ocupada pelos Etruscos. por
conta das numerosas campanhas romanas, acabou sendo adotado dentro das
áreas conquistadas, chegando até a Gália.
Iguaria
Napolitana
Realmente, próximo do ano 1000 da
nossa Era, um dos alimentos mais populares entres os pobres do Sul da
Itália eram uns círculos de massa recobertos com ervas e especiarias, e
foi nessa época que, em Nápoles, surgiu o termo "picea". "Picea", indicava um disco de massa assada
com ingredientes por cima. Não muito tempo depois, aparecia, pela
primeira vez, na romântica Nápoles, a palavra pizza.
Acredita-se que a "picea"
derive de "pinso" (do verbo latino Pinsere - pisar
sobre, esmagar, moer, reduzir a pó), e que daí se derive a palavra
"pizza", que já era conhecida na Alta Idade Média. Durante os séculos
seguintes, surgem várias formas locais da palavra, indicando variações
culinárias sobre o tema - do doce ao salgado, com diferentes métodos de
cozedura. Na região da Puglia, era "Pizza pugliese"; "Pitta inchiusa" na
Calabria e "Schiacciata" na Toscana. Na verdade, no Sul da Itália, até hoje, a idéia de pizza
abrange também as massas fritas e recheadas.
Mas há, também, quem
afirme que pizza vem do grego "pita", que significa pão achatado.
Outros, ainda, afirmam que pizza poderia vir da antiga palavra alemã "bizzopizzo" que significava "mordiscar"
(no alemão atual, seria "bissen", de onde se deriva o verbo inglês
to bit = morder). Na medieval cidade italiana de Gaeta, na região
do Lazio, já no século 9, a palavra "pizzo" designava especificamente o
pão pita, ou pão árabe, de provável origem persa, introduzido pelos
gregos e adotado pelos povos da Lombardia. Impossível saber
ao certo. Mas, uma coisa ninguém nega, a pizza, como a conhecemos hoje,
é napolitana.
Tempos Modernos
Com o descobrimento
da América, no final do século 15, os espanhóis trazem para a Europa um
alimento, até então, desconhecido e que, muitos anos depois, viria a dar
o toque final à definitiva receita da pizza: o tomate. Por vários
séculos, predominaram as chamadas pizzas brancas. Foi só na primeira
metade do século 19 que a pizza incorporou o tomate e, diriam alguns,
atingiu a perfeição.
No princípio, usado
apenas como planta ornamental, porque se acreditava que seus frutos
fossem venenosos, chegou à Itália em 1554, justamente pelo porto
de Nápoles, lugar onde viria a perder o estigma de veneno e a partir do
qual se tornaria muito popular na Itália (ao contrário da França onde
era alimento da elite), transformando-se num dos principais ingredientes
da culinária mediterrânea.
Entre a Idade Média
e Renascença, a pizza começa definir seu caráter democrático, oscilando
entre o uso popular e o gosto aristocrático; entre os banquetes reais e
as cantinas dos pobres.
À medida que se
tornava mais popular, erguiam-se barracas de rua onde eram
vendidas, assim como nas padarias. Eram consumidas dobradas ao meio,
como se fossem um sanduíche, inclusive no café da manhã. Normalmente, a
massa de pão recebia ingredientes baratos como alho, toucinho, peixes
fritos e queijo. Quem tinha um pouco mais de dinheiro colocava queijos
mais nobres, pedaços de lingüiça ou ovos por cima.
Por volta do século
16, os pães redondos já eram muito parecidos com as pizzas, exceto pelo
fato de não se utilizarem tomates. O manjericão já despontava como
tempero predileto e a novidade já era apreciada na corte de Nápoles
Durante o século 18,
as pizzas eram cozidas em fornos a lenha (construídos de tijolos ou
pedras vulcânicas) e, durante o dia, vendidas nas ruas e vielas de
Nápoles por meninos que traziam na cabeça pequenas estufas de estanho
para mantê-las aquecidas e atraíam a clientela com seus gritos
característicos. Este incômodo método de vendas fez, entretanto, ainda
mais popular o novo prato.
É sobretudo entre os séculos 18 e 19 que a pizza impõem-se como o prato
preferido do povo napolitano, tornando-se parte integrante da tradição
culinária e símbolo da cidade de Nápoles. Também, nesse período, o
hábito de degustar a pizza no lugar onde ela é feita e não apenas em
casa ou nas ruas, começa a se firmar, abrindo caminho para o surgimento
primeiras das pizzarias, que já nasceram com as características físicas
que conhecemos hoje.
As pizzarias da
época
O forno à lenha, o balcão de mármore onde a pizza é trabalhada, a
estante que expõe os ingredientes que servem para compor os diferentes
tipos de pizzas a vista de todos para que os interessados pudessem
escolher aqueles que queriam em sua pizzas, as mesas onde os clientes
degustam a iguaria, o balcão externo onde as pizzas são vendidas aos
transeuntes: todos os elementos que ainda hoje são encontrados nas
pizzarias napolitanas e, também, em boa parte das pizzarias do mundo.
A primeira
pizzaria
No ano de 1780,
Pietro Colicchio inaugura, em Salita S. Anna di Palazzo, nas cercanias
do palácio real de Nápoles, a primeira pizzaria do mundo, mais conhecida
como "Pietro... e basta cosi". Suas pizzas, que já naquela época
eram um alimento muito apreciado pelos napolitanos, rapidamente se
tornaram conhecidas e apreciadas em toda a cidade.
Pietro Colicchio não
tinha filhos e, anos depois, a pizzaria acabou nas mãos de Enrico
Brandi.
De comida popular
à prato de rainha
Durante todo o
século 19 os pizzaiolos, continuam a oferecer aos cidadãos novos tipos
de pizzas, a todos os preços. Ela havia se convertido num produto
tão popular, tão conhecido, que até a aristocracia queria consumi-la.
Em junho de 1889,
Raffaele Esposito (marido da filha de Enrico Brandi), considerado o
melhor pizzaiolo daquele tempo, foi convidado ao palácio real de
Capodimonte para preparar sua especialidade para os reis da Itália
Umberto I de Sabóia e sua esposa, a rainha Margherita, que estavam de
visita a Nápoles.
Conta-se, que a
rainha Margherita era especialmente exigente com a comida e não lhe
agradavam paladares muito fortes. Por isso, Esposito, junto com Maria
Giovanna, sua mulher, preparou 3 pizzas diferentes: uma com carne de
porco, queijo e manjericão; outra com alho, azeite de oliva e tomates, e
- especialmente para a rainha e para dar um toque patriótico ao prato
- outra com as cores da bandeira italiana (vermelho, verde e branco),
isto é, molho de tomate, mozarela e manjericão.
A rainha gostou
tanto desse último sabor de pizza que, através de seu mordomo chefe,
enviou uma carta a Raffaele agradecendo. Em sua homenagem, o pizzaiolo
batizou a receita como Pizza Margherita, nome sob o qual se tornou
universalmente conhecida.
Com orgulho, a
"Pietro... e basta cosi" (que ainda existe, no mesmo local, com o nome
de
Antica Pizzeria Brandi)
ostenta, até hoje, uma carta com a assinatura de "Dévot Galli
Camillo, Chefe dos Serviços de Mesa da Casa Real", em que este agradece
à Raffaele Esposito, pelas pizzas preparadas para suas altezas reais.
De Nápoles para
mundo
A história virou
notícia e se espalhou, junto com a receita, por toda a Itália. Daí
para o mundo, foi um piscar de olhos. Levada pelas mãos dos imigrantes,
que partiam pra todas as partes do mundo, o século 20 viu a pizza
conquistar os palácios da Europa, as Américas, o Japão e, enfim,
tornar-se um patrimônio gastronômico de toda a humanidade.
Embora a origem da
pizza, como hoje é conhecida, seja italiana. Os grandes devoradores
desse produto ficam do outro lado do oceano. Os dois países que mais
consomem pizza no mundo são respectivamente: EUA e Brasil, com destaque
para as cidades de Nova Iorque e São Paulo.
Estados Unidos
No início dos século
20, a pizza chega com força aos Estados Unidos pelas mãos dos
imigrantes. Elas podem ser encontradas em pequenas padarias e pequenos
cafés, de bairros em cidades com grande populações de italianos como New
York e Chicago.
Foi Genaro Lombardi, em 1905, o primeiro italiano a abrir uma pizzaria
nos Estados Unidos, na cidade de Nova Iorque. Lombardi é conhecido na
América como "Patriaca dela Pizza". Em 1930, ele agregou mesas e
cadeiras aos seus estabelecimentos e começou a servir espaguete
também. E assim, durante os 25 anos seguintes, pizzarias seriam abertas
em todo o país, sobretudo em Boston, convertendo-se algumas delas em
significativas e conhecidas griffes nacionais e internacionais.
Mas foi só depois da
Segunda Guerra Mundial que a pizza virou moda nos Estados Unidos, pois
os soldados americanos voltaram da guerra alardeando maravilhas sobre a
iguaria que consumiram na Itália.
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O MERCADO DA
PIZZA NOS EUA:
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94% DA
POPULAÇÃO AMERICANA COME PIZZA
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São
CONSUMIDAS 3 BILHÕES DE PIZZAS POR ANO
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A MÉDIA DE
CONSUMO POR PESSOA ANO É DE 46 FATIAS
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AS
CRIANÇAS ELEGEM PIZZA COMO PREFERIDA, ENTRE 3 ALIMENTOS
OFERECIDOS, PARA O LANCHE E JANTAR.
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O MERCADO
DE PIZZAS EM EUA É DE 22 BILHÕES DE DÓLARES.
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Hoje, 350
pedaços de pizza são consumidos por segundo nos EUA,
onde há cerca de 61.200 pizzarias.
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Brasil
A pizza chegou ao
Brasil por São Paulo, também pelas mãos dos primeiros imigrantes
italianos que, no final do século 19, desembarcaram no porto de Santos.
Chegou e ficou.
O bairro paulistano
do Brás foi o berço das primeiras pizzarias do Brasil. Acredita-se que o
primeiro pizzaiolo estabelecido na cidade de São Paulo tenha sido o
napolitano Carmino Corvino, o Dom Carmeniélo, dono da já extinta Cantina
Santa Genoveva, instalada na esquina da Avenida Rangel Pestana com a Rua
Monsenhor Anacleto, inaugurada em 1910.
Mas antes mesmo da
existência das pizzarias por aqui, a pizza já era consumida pelas ruas,
como um lanche, a qualquer hora do dia. Eram vendidas, como na Itália,
por garotos que carregavam pequenas estufas de cobre, como tambores,
cheios de pizzas pré-preparadas que eram mantidas quentes por brasas de
carvão.
Mas apesar da sua origem italiana, a pizza
assim como a cidade, aceitou a influência de outras raças. Nos anos 20,
surgiram os primeiros pizzaiolos de origem não-italiana, que incluíram o
tempero de seus países ou regiões ao prato.
Em outra esquina da região do Brás - na
da Celso Garcia com a Bresser -, o habilidoso confeiteiro espanhol
Valentim Ruiz fez fama na padaria Santa Cruz como pizzaiolo e como
mestre de futuros profissionais. Giovanni Tussato, o lendário Babbo, que
hoje dá nome a algumas casas da cidade, foi um deles. Hoje, 80% dos
pizzaiolos da cidade são nordestinos.
A mais antiga
pizzaria ainda em funcionamento, a Castelões, foi fundada em 1924 e
mantém em seu cardápio, até hoje, as mesmas pizzas com borda alta
e massa grossa dos primeiros tempos.
A partir dos
anos 50, as pizzarias se disseminaram por todo o Brasil e a pizza é,
hoje, consumida de Norte a Sul do país, já fazendo parte do cardápio
tradicional dos paulistanos, paulistas e da maioria dos brasileiros.
De acordo com o Sindicato de Hotéis,
Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo, atualmente, são consumidas
cerca de 43 milhões de pizzas por mês na Grande São Paulo - incluindo aí
as entregues em casa. Só na Capital, existem cerca de 6 mil
pizzarias, lanchonetes e padarias onde o paulistano pode saborear uma
redonda.
Dia da Pizza
Desde 1985, em São Paulo, o dia
10 de julho é o Dia da Pizza. A data foi instituída pelo, então,
secretário de turismo, Caio Luís de Carvalho, por ocasião de um
concurso estadual que elegeria as 10 melhores receitas de
mussarela e margherita. Empolgado com o sucesso do evento, ele
escolheu a data de seu encerramento, 10 de julho, como data
oficial de comemoração da Pizza.
No final de 2007, o "SP na Mesa", uma
série especial do programa SPTV, da Rede Globo sobre a gastronomia
paulistana, fez uma enquete entre a população paulistana que, entre 10
opções, escolheu a Pizza, como o "Prato com a cara de São Paulo", apenas
confirmando aquilo que todos nós já sabíamos.
Que tal uma "redonda" fumegante
agora?
Bom apetite!!
Fontes:
Wikipédia
Palumbi
Mucho Gusto
Sinhores-SP
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Receitas
As regras básicas para o preparo de uma boa pizza são poucas,
portanto, os ingredientes devem ser de altíssima qualidade.
Uma boa pizza tem massa crocante por fora e macia por
dentro, sal na medida certa, molho de tomates cremoso e
cobertura na dose certa, sem exageros. Do ponto de vista
nutricional, a pizza é um alimento completo: carboidratos na
massa, vitaminas e sais minerais nos tomates e proteínas nos
queijos o que fornecem uma boa dose de energia. Para quem
quiser arriscar a fazer suas próprias pizzas em casa,
trazemos duas excelentes receitas. Experimente!!
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