|
|

Festa de Nossa
Senhora de Achiropita
A Festa de Nossa
Senhora. da Achiropita e uma das mais populares e tradicionais festas
populares da capital paulista. São ao todo dez noites de festa italiana,
sempre aos sábados e domingos, no período que geralmente vai do começo
de agosto ao começo de setembro
A origem do culto a
N. Sra. da Achiropita, segundo a Igreja, se dá em 580 d.C., quando um
capitão chamado Maurício chegou por engano a uma aldeia calabresa e um
monge local profetizou que ele havia sido mandado para lá por Nossa
Senhora, que ele se transformaria em imperador e naquele vilarejo
construiria um templo. Dois anos depois, Maurício, já imperador, seguiu
as palavras do monge e mandou erguer um santuário dedicado a Nossa
Senhora. Porém, a imagem que era pintada durante o dia desaparecia à
noite. Em uma dessas noites, uma senhora visitou o templo. Quando o
vigia entrou no santuário, preocupado com a mulher que demorava a sair,
encontrou a imagem de Nossa Senhora pintada na parede. O guarda chamou
as pessoas que passavam na rua, gritando "Achiropita!", palavra que
significa, "não pintada" (pela mão do homem). O culto a N. Sra. da
Achiropita se espalhou entre a comunidade italiana de São Paulo, e só
existem duas igrejas dedicadas a ela em todo o mundo.
|
|
|
 |
Para a festa são
instaladas, na rua 13 de Maio, no quarteirão da igreja, trinta e cinco barracas
que funcionam das 18 às 24 horas. Estas barracas oferecem os pratos
típicos italianos, como as pastas (macarrões), as fogaças e pizzas,
bebidas etc. Elas são gerenciadas por pessoas do bairro, que prestam
contas à Associação, no final da noite. Na "Cantina Madonna Achiropita",
além da grande mesa com pratos frios e quentes, há música italiana
típica, ao vivo, com diversos cantores, danças, leilões e sorteio de
brindes. Ali são servidas, também, deliciosas comidas italianas,
preparadas carinhosamente pelas "mammas" (mães italianas, ou que dominam
a preparação dos quitutes italianos) da comunidade. A partir das
terças-feiras, em todas as semanas, as "mammas" se envolvem em tempo
integral na preparação de pratos como fogaça, fricazza, espaguete à moda
Achiropita, polenta, antepastos, peperoni al forno, melanzana al forno,
sfogliatelli e canolli, entre várias outras especialidades bastante
disputadas. Os preços na Cantina são mais altos que os da rua, e muitos
participantes da festa dizem que na Cantina a comida é, também, melhor.
| |
|
|
 |
|
|
Para atender às mais
de 200 mil pessoas, que costumam comparecer à festa, são consumidos por
volta de dez toneladas de farinha de trigo, dez toneladas de
espaguete, 4500 latas de óleo, 5000 quilos de muzzarela, dez mil litros
de vinho à granel, 15 mil litros de chope e 15 mil litros de
refrigerantes. Muitas indústrias colaboram também para a festa, doando
materiais ou concedendo desconto especiais de seus produtos. Igualmente
a Escola de Samba Vai-Vai, reduto de sambistas paulistanos, dá sua
contribuição, participando das festividades com muito samba.
A festa ainda tem atrativos como as danças e canções napolitanas, a
apresentação de grupos folclóricos e a "linha de produção" da fogaça,
com mais de cem pessoas sob o comando de "seu" Vicenzo e dona Neuza. A
preparação dos alimentos insere-se em parte na estrutura de economia
tradicional, pois apresenta aspectos de mutirão, artesanais e o
falatório que descontrai e ameniza o esforço dos que trabalham, além de
envolver os clássicos segredos culinários. A participação de famílias,
cujos membros trabalham em conjunto e não isoladamente, também é comum.
Entretanto, a festa cresceu de tal forma que se tornou impossível
preservar todas as características artesanais do preparo dos alimentos.
Foi necessário confiar a uma padaria do bairro a preparação da massa da
fogaça. O macarrão também é industrializado, embora os molhos continuem
a ser preparados artesanalmente pelas "mammas" (Coimbra, 1987).
|
|
|
 |
Outro costume da
festa é o gigantesco queijo provolone com dois metros de comprimento e
cerca de cem quilos, um dos prêmios mais cobiçados da festa, entre
inúmeros outros, sorteado entre os que freqüentam as barracas.
Na igreja, durante todo o período da festa, há visitação à Santa,
paralelamente às orações e bênçãos. É costume a igreja ficar
completamente lotada de fiéis e nas horas das bênçãos, a demonstração de
fé à N. Sra. da Achiropita é mais intensa.
A parte profana da festa desenvolve-se paralelamente às atividades
religiosas, entre elas a tradicional Novena da Achiropita, que acontece
durante a semana, sempre às 20 horas, com a animação de corais
especialmente convidados. Em 1996, a Novena relembrou a cada dia um
momento da história da paróquia, que comemorava então 70 anos de
existência, embora os italianos do Bexiga afirmem comemorar N. Sra. da
Achiropita há pelo menos 90 anos.
"A festa de Nossa
Senhora da Achiropita é a mais tradicional do bairro, sem dúvida.[...] a
festa tem quase 90 anos. Antes era uma capela, não era reconhecida pelo
clero, não tinha padre e todo casamento ou batizado tinha que ser feito
na Igreja do Divino Espirito Santo, na rua Frei Caneca [...]. No dia 19
de março de 1926, o clero reconheceu aqui como Igreja graças ao esforço
do coronel Nicolau dos Santos. Então hoje a turma da Achiropita fala dos
68 anos de festa, mas eu tenho depoimentos que desmentem isso, inclusive
do "seu" José Scaramuzza [...]. Ele era um grande festeiro e eu tenho o
depoimento dele dizendo que em 1906 já existia a festa, maior do que
hoje. Vinham até bandas da Itália tocar” (Seu Armandinho do Bexiga, apud
Moreno, 1996).
A procissão em louvor à Nossa Senhora Achiropita, pelas ruas do bairro
(com a costumeira homenagem dos alunos da Escola Maria José, que
confeccionam o tapete de flores da rua Manoel Dutra), é também esperada
e minuciosamente preparada, do mesmo modo que a Festa da Apoteose, no
encerramento, com atrações especiais na rua e na cantina da Madonna,
onde o espírito comunitário aflora. No tapete, feito de flores,
tampinhas de garrafa e serragem, as inscrições feitas pelos jovens
demonstram suas preocupações. Em 1997 uma delas lembrava o sociólogo
Betinho, outra recomendava o uso de camisinha no combate à AIDS e outra
mais exaltava o futebol.
| |
|
|
 |
|
|
Ainda hoje é
possível ver, nas janelas de alguns prédios, toalhas e lençóis
estendidos, para saudar a santa, como era comum nos velhos tempos. Este
costume servia, inclusive, para sublinhar as distinções entre os ricos e
os pobres do bairro. Atualmente esta prática incorporou-se aos símbolos
da festa, depois de reconquistada pela ação dos moradores, que a haviam
abandonado durante alguns anos em razão do desânimo que a intervenção
excessiva da Igreja, ditando regras e "organizando" a seu modo o evento,
causou.
A retomada da organização da festa, segundo Coimbra (1987) foi de fato
uma conquista dos moradores do bairro, que conseguiram estabelecer uma
mediação entre seus interesses na festa e os da igreja. São eles,
inclusive, que decidem, atualmente, de que modo será aplicado o lucro
obtido com ela.
Como acontece na Festa do Divino e muitas outras ainda hoje, a Festa da
Achiropita, no princípio também era promovida por um festeiro anual,
escolhido por sorteio entre os candidatos ou por promessa. Atualmente
esta figura se tornou coletiva, uma vez que toda a comunidade se
responsabiliza pela festa.
Eram os comerciantes donos de armazéns que davam as grandes prendas, que
eram levadas das casas numa carroça que a comissão possuía. Para
angariar fundos para a construção da igreja, a comissão angariou
dinheiro, objetos de ouro e mesmo utensílios de uso doméstico (como
panelas) oferecidas à Santa por seus devotos. Ainda hoje é com doações
dos moradores e comerciantes que se conseguem as prendas das festas,
embora já não se use uma carroça (Coimbra, 1987).
A comida também foi
introduzida, mais tarde, na festa, que até então seguia o estilo de
quermesse. A descoberta do interesse do público em geral pela comida das
“mammas" resultou em que ela fosse introduzida na festa, em barracas, o
que afinal acabou se tornando tradição.
Os organizadores não
cansam de repetir que o sucesso da festa se mede pelo crescente público
que prestigia o evento, fruto do trabalho voluntário de seiscentos
membros da comunidade do Bexiga.
Confira!!
80ª Festa Nossa
Senhora Achiropita
De
04 de agosto a 02 de setembro de 2007 (aos sábados e
domingos)
Entrada :grátis
Rua 13 de Maio - Bexiga - São Paulo
Horário: sábados das
18h00 as 00h e domingos das 18h00 as 23h30.
Shows
Convites
Sábado - R$ 40,00 por pessoa (dá direito ao show, a um lugar na mesa, ao
buffet com pratos quentes e frios. Bebidas e sobremesas serão cobrados a
parte) (preço sujeito a confirmação)
Domingos - R$ 20,00 por pessoa (dá direito ao show, a um lugar na mesa e
a um prato de macarrão ao molho Achiropita. Bebidas e sobremesas serão
cobrados a parte) (preço sujeito a confirmação)
Horário de venda dos ingressos
Segunda a Sexta das 18 às 21h
Sábados das 9 às 12h
Informações:
Rua treze de Maio,
478 - Bela Vista - São Paulo
Fone: (11) - 3283-1294 / 3105-2789/ fax 3106-9301
achiropita@achiropita.org.br
www.achiropita.org.br
Fonte: Amaral, Rita.
Festa à Brasileira: sentidos do festejar no país que "não é sério".
Disponível na Internet, via
www.aguaforte.com/antropologia/festaabrasileira/festa.htm
Capturado em 04/08/2005
|