osso
ou não posso comer carne?
O atual
surto de febre aftosa que atinge alguns pontos de criação do Brasil,
maior exportador de carne bovina do mundo, tem preocupado o
mercado de uma forma geral e confundido o consumidor que
afinal não tem certeza de poder continuar desfrutando
tranquilamente dos, literalmente, "prazeres da carne". A
resposta para os carnívoros, felizmente, é sim. Não há o menor
risco.
Embora a
febre aftosa seja considerada uma zoonose, o homem raramente
se infecta e adoece, sendo este um hospedeiro acidental. Fato
comprovado pelo reduzido número de casos humanos descritos no
mundo, mesmo perante as freqüentes oportunidades de exposição
ao agente, a ampla distribuição geográfica e a alta incidência
da enfermidade nos animais domésticos. A transmissão ocorre
por contato com animais enfermos ou material infeccioso,
através de lesões mínimas, por exemplo, arranhões e erosões da
pele, pelos quais o vírus penetra no organismo ou pela
ingestão de leite não pasteurizado.
A
contaminação humana devido à ingestão de carnes e produtos
cárneos não foi comprovada. A transmissão entre seres humanos
também não foi relatada. A infecção no homem pode ocasionar
uma enfermidade clinicamente aparente ou pode ser
assintomática, diagnosticada apenas por provas sorológicas.
Acredita-se que para produzir a infecção em humanos, deva
haver exposição massiva ou causas predisponentes que alterem a
suscetibilidade do indivíduo. É de caráter benigno e o período
de incubação varia de 2 a 8 dias, sendo a evolução da doença
similar à dos animais.
O que é
febre aftosa
A Febre
Aftosa, ou doença de pé-e-boca (foot and mouth disease),
é uma doença viral altamente contagiosa que afeta gado bovino,
búfalos, caprinos, ovinos, cervídeos, suínos e outros animais
que possuem cascos fendidos. Também afeta elefantes, camelos,
lamas, ratos e capivaras. Não afeta eqüídeos (cavalos, asnos,
mulas e bardotos). Os seres humanos raríssimas vezes são
infectados pelo vírus.
A
doença representa uma importante ameaça para o bem estar da
população, devido ao seu impacto sobre a economia nacional de
diversos países, onde o comércio com o exterior e
estabilidade, dependem diretamente da confiabilidade dos
alimentos de origem animal, que devem ser oriundos de animais
isentos desta enfermidade, demonstrando a estreita relação que
existe entre saúde pública, o ambiente e o bem estar
sócio-econômico.
A
importância da Febre Aftosa em saúde pública seria ínfima se
não considerássemos sob o ponto de vista social e econômico.
Afeta os produtores, empresários e famílias rurais por seus
efeitos desfavoráveis sobre a produção, produtividade e
rentabilidade pecuária. Incide negativamente nas atividades
comerciais do setor agropecuário, prejudicando o consumidor e
a sociedade em geral pela interferência que a enfermidade
exerce na disponibilidade e distribuição dos alimentos de
origem animal, assim como pelas barreiras sanitárias impostas
pelo mercado internacional de animais, produtos e subprodutos.
E mais, onera os custos públicos e privados, pelos
investimentos necessários para sua prevenção, controle e
erradicação.
A febre aftosa foi descoberta na Itália no século XVI. No
século XIX, a doença foi observada em vários países da Europa,
Ásia, África e América. Com o desenvolvimento da agricultura
houve também uma grande preocupação em controlar esta
enfermidade e no início do século passado vários países
decidiram combatê-la. A enfermidade agora está presente de
forma endêmica em algumas regiões da Ásia, América do Sul,
África e no Oriente Médio. Surtos da doença tem ocorrido em
alguns países como Grécia, Taiwan, Argentina, Brasil, Uruguai,
Japão e recentemente, no Reino Unido.
Virgínia Brandão