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BARREADO - O PRATO TÍPICO DO
PARANÁ
Símbolo de fartura, festa
e alegria
Virgínia Brandão
Mais expressivo prato da culinária paranaense,
o Barreado é um cozido de carne de peito de boi preparado, originalmente, sem adição de água, em fogo muito baixo, numa panela de barro cuja tampa deve ser colada ao corpo com uma massa, um pirão de farinha, para evitar que o vapor escape durante o cozimento. Essa operação se chama barrear a panela e,
daí, vem o nome do prato.
É uma receita simples e ao mesmo tempo exótica,
que surgiu entre os caboclos das encostas da Serra do Mar, no litoral do
Paraná, ainda no período colonial, e, com o tempo, acabou associado às
festas que antecediam a quaresma (o período do nosso atual carnaval). As
características da receita tornaram o prato ideal para ocasião - três
dias em que as pessoas
não faziam
outra coisa senão dançar o fandango e comer,
e não queriam se preocupar com a cozinha: demandava poucos ingredientes,
sendo relativamente barato; era fácil de ser feito e podia ser preparado
com antecedência; conservava-se por um bom período de tempo e,
mesmo requentado, não perdia o sabor
original. Além disso, por
tratar-se de uma receita altamente calórica, o Barreado era, também, ideal para dar energia aos foliões.
Diz a lenda que os caboclos dançavam dia e noite durante toda a festa sem se deixar abater pelo cansaço. Quando não agüentavam mais, comiam Barreado
acompanhado de farinha de mandioca seca e voltavam à farra ainda mais animados. A bebida pouco fazia efeito frente à energia que obtinham quando se alimentavam de Barreado.
Também há uma possibilidade de que o
barreado fosse a comida dos tropeiros que subiam a serra para
comercializar erva-mate, mas o que é mais interessante sobre esse prato
é a lenda de que ele não deve ser consumido com água em hipótese
nenhuma. A tradição popular diz que beber água na hora de comer o
barreado ou até duas horas depois é quase um suicídio. O único
acompanhamento admitido é a cachaça.
Os primeiros barreados eram feitos
dentro de um panelão de barro, vedado hermeticamente, que depois era
enterrado e sobre o qual se acendia uma fogueira. O cozimento se dava
com o próprio calor, sem que fosse adicionada água alguma. A carne fica
tão cozida que se desfia à toa, tomando o aspecto de um pirão.
Durante
séculos, o Barreado foi consumido apenas por moradores da região
costeira do Paraná.
Até hoje,
as cidades de Paranaguá, Antonina e Morretes, reivindicam a paternidade
do prato.
Somente no início dos anos 70 foi que esta delícia da culinária artesanal ganhou status e subiu a serra, passando a fazer parte do cardápio de sofisticados restaurantes de Curitiba. Comer o Barreado é um ritual para personalidades e visitantes ilustres que chegam à capital paranaense nos dias atuais.
Não por acaso, o restaurante-escola do Senac-PR, no centro de Curitiba,
é uma das principais referências para aqueles que apreciam o bom e
legítimo Barreado - o órgão fez o resgate histórico da receita e desenvolveu campanha institucional, tornando
a iguaria conhecida em nível nacional.
Hoje,
o prato pode ser encontrado em restaurantes de todo o País e em muitos
no exterior também. Nas festas típicas portuguesas que acontecem no litoral de Santa Catarina, o Barreado,
também, é bastante consumido. Há quem afirme que o prato tem propriedades afrodisíacas. Isto pode não ser verdade, mas o fato é que o Barreado produz um efeito estimulante em quem o degusta.
Segundo os apreciadores, este é um prato para ser saboreado aos poucos, devagar, sem a menor pressa. Seu sabor é especial e inconfundível. Comer o Barreado uma vez significa apreciá-lo para o resto da vida.
A grande dificuldade para a massificação do Barreado é o seu tempo de preparação e cozimento, um ritual que pode levar de 16 a 24 horas.
Muitas receitas foram adaptadas para reduzir este tempo, usando a pressão.
O resultado agrada a muita gente mas, os puristas, afirmam que o sabor peculiar do prato
fica alterado. É preciso provar para saber.
Assim, apresentamos as duas formas de
fazer. Caso ache muito complicado o modo tradicional, não perca a
oportunidade de experimentar o prato em um bom restaurante, melhor ainda
se na própria região de origem (que também é famosa pela cachaça,
produzida até hoje em engenhos seculares), ou, claro, no Restaurante-Escola do
Senac Curitiba.
Bom apetite!!

Mapa do Paraná com as
cidades de Antonina, Morretes e Paranaguá assinaladas em vermelho
Fontes: Senac-PR
Wikipédia
Avelar Lívio dos Santos
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