 |
 |
 |
 |
|

 |
|
|
|
 |
 |
|

 |
 |
|

 |
|

Conheça os
melhores endereços da cidade de São Paulo e seus arredores, onde
adquirir produtos gourmands de qualidade. Muitos deles, entregam
em todo o Brasil.
 |
|

 |
 |
|


|
 |
|


|
 |
|


|
 |
|

 |
|
|
 |
|

 |
 |
|


|
 |
|


|
 |
|


|
 |
|

 |
|


 |
|

 |
 |
|

 |
|


 |
|
 |
|

 |
|
|
|
|
|
|
|
 |
|

|
| |
| |
|

Sobremesa predileta nas mesas
nordestinas, a rapadura é um doce obtido pelo aquecimento e
desidratação em caldeiras do caldo da cana-de-açúcar. Um processo
artesanal e secular que teve início nos engenhos de açúcar.
Comercializada em barras, de formatos e pesos diversos, a guloseima
possui versões sofisticadas, temperada com especiarias (cravo,
gengibre e erva-doce) e frutas.
O sabor peculiar, dulcíssimo, e o baixo preço
transformaram a rapadura em um dos itens mais populares na dieta
sertaneja, predileção dividida com a farinha de mandioca. A
vinculação do alimento às camadas de baixo poder aquisitivo - no
passado era predominantemente consumida por escravos - e à aparência
rústica dos tabletes são responsáveis por um rótulo ainda hoje
recorrente: “comida de pobre”. Desde os tempos coloniais, por
exemplo, nas classes mais abastadas, a rapadura era preterida em
benefício das compotas, da doçaria portuguesa.
Além de desprestigiar o valor energético e o potencial nutritivo do
alimento, ratificado pelos especialistas, o esnobismo despreza uma
tradição cultural aprovada por milhões de consumidores e com fortes
reflexos na economia nordestina. De acordo com o Serviço Brasileiro
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Região responde
por 60,7% da produção nacional, o que equivale a 41,3 mil toneladas
anuais (o Ceará lidera o ranking regional, concentrando 47,3% desta
“safra”).





















Sua versão mais célebre, acrescida de coco, tem
presença certa no cardápio cearense.



 |
|
|
AÇÚCAR
RAPADURA
Rapadura é o caldo de cana aquecido e posteriormente resfriado
dando origem a uma massa solidificada, devido a grande
quantidade de cristais formados, e moldada em formas de madeira.
A fabricação da rapadura teve início no século 16, nas Canárias,
ilhas espanholas do Oceano Atlântico e foi exportada para toda a
América espanhola no século 17, época de grande expansão
açucareira.
A rapadura originou-se da raspagem das camadas (crostas) de
açúcar que ficavam presas às paredes dos tachos utilizados para
fabricação de açúcar. O mel resultante era aquecido e colocado
em formas semelhante às de tijolos.
No Brasil, os engenhos de rapadura existem desde o século 17, ou
talvez antes. Há registro da fabricação de rapadura, em 1633, na
região do Cariri, Ceará.
Os engenhos de rapadura eram pequenos e rudimentares. Possuíam
apenas a moenda, a fábrica, onde ficavam as fornalhas, e as
plantações de cana que, normalmente, dividiam o espaço com
outros tipos de cultura de subsistência.
Os grandes engenhos também fabricavam rapadura, mas não para
fins comerciais. O produto era utilizado apenas para consumo dos
habitantes locais.
A cana usada para fabricar a rapadura no Brasil, até o século
19, era a crioula. Surgiu depois a caiana, mais resistente a
pragas, aparecendo, posteriormente, diversas variedades, como a
cana rosa, fita, bambu, carangola, cabocla, preta, entre outras.
No início, as moendas eram de madeira, movidas a água (onde
havia abundância do líquido) ou tração animal (cavalos e bois).
No século 19, surgiram as moendas de ferro, usando-se ainda o
mesmo tipo de tração. Depois os engenhos evoluíram passando a
ser movidos a vapor, óleo diesel e finalmente a eletricidade.
Por ter um mercado reduzido, em comparação com o do açúcar, a
produção tinha um caráter regional, não sendo necessária a
sofisticação exigida para fabricar o açúcar que era exportado.
Até hoje produz-se rapadura no Brasil com métodos e técnicas
rudimentares. Não houve a introdução de inovações no processo
produtivo nem diversificação de produtos. A grande maioria dos
engenhos continua produzindo rapadura em tabletes de 400g a 500g
que são comercializados nas regiões próximas das áreas
produtoras.
No Nordeste do Brasil, os engenhos de rapadura em atividade são,
na sua maioria, unidades antigas, com vários anos de existência.
Sua produção é sazonal, feita em geral nos meses de julho a
dezembro, ou seja, no período de estiagem no Agreste e Sertão.
Os Estados do Ceará, Pernambuco e Paraíba são os maiores
produtores, existindo também produção significativa nos Estados
do Piauí, Alagoas e Bahia.
No Ceará, destacam-se as regiões do Cariri e da Serra do
Ibiapaba. Em Pernambuco, os engenhos de rapadura de concentram
no Sertão, sendo os municípios de Triunfo e Santa Cruz da Baixa
Verde os maiores produtores. Na Paraíba, os dois grandes pólos
são a região do Brejo e o Sertão.
Segundo Câmara Cascudo, a rapadura foi o doce das crianças
pobres, dos homens simples, regalo para escravos, cangaceiros,
vaqueiros e soldados.
A rapadura está presente na mesa do sertanejo. É o adoçante do
café, do leite, da coalhada. É consumida com farinha, mungunzá,
carne de sol, paçoca, cuscuz, milho cozido. Não há casa
sertaneja sem farinha e rapadura.
Os curandeiros também a usavam como adoçante do leite de cabra
para os "fracos-do-peito", bebido de manhã cedo; misturado com
mastruz esmagado e azeite quente, para curar úlceras e frieiras,
além de considerá-la fortificante.
O consumo da rapadura manteve-se no Nordeste, mesmo tendo que
enfrentar a concorrência do açúcar e de outros adoçantes,
principalmente nas regiões semi-áridas, porém é um mercado hoje
em declínio. Nas cidades de grande porte da região a rapadura é
comercializada, principalmente, nas feiras livres e em menor
escala em grandes cadeias de supermercados. São Paulo tornou-se
também um consumidor que merece destaque, devido aos migrantes
nordestinos.
A rapadura vem sendo introduzida, ultimamente, na merenda
escolar de vários municípios, e nas cestas básicas distribuídas
às famílias pobres pelo Governo.
O consumo da rapadura no Brasil é de 1kg por habitante/ano. O
maior consumidor mundial é a Colômbia, com a marca de 25kg por
habitante/ano, além de ser também primeiro país produtor de
rapadura na América e o segundo do mundo depois da Índia.
Propriedades Nutricionais
A rapadura é rica em potássio, ferro, cálcio e fósforo, possui
grande teor energético. Enquanto 100 gramas do açúcar refinado e
embranquecido possuem 40 miligramas de sais minerais, na
rapadura o teor chega a 500 miligramas.
|
Rapadura
(e
melaço de cana) |
| Quantidade |
2 colheres de sopa
|
| Água (%) |
24 |
| Calorias |
85 |
| Proteína (g) |
0 |
| Gordura (g) |
0 |
| Ácido Graxo Saturado (g)
|
0 |
| Ácido Graxo Monoinsaturado
(g) |
0 |
| Ácido Graxo Poliinsaturado
(g) |
0 |
| Colesterol (mg) |
0 |
| Carboidrato (g) |
22 |
| Cálcio (mg) |
274 |
| Fósforo (mg) |
34 |
| Ferro (mg) |
10,1 |
| Potássio (mg) |
1.171 |
| Sódio (mg) |
38 |
| Vitamina A (UI) |
0 |
| Vitamina A (Retinol
Equivalente) |
0 |
| Tiamina (mg) |
0.04 |
| Riboflavina (mg) |
0,08 |
| Niacina (mg) |
0,8 |
| Ácido Ascórbico (mg) |
0 |
Usos Culinários
Para obter um sabor peculiar com toque adocicado em carnes e
saladas, coloque raspas de rapadura ou um pouco de melaço
de cana. Você também pode fazer um delicioso sorvete de
rapadura, bastante encontrado nas capitais do Nordeste.
a Cidade de Areia e o Museu da Rapadura
|
|
|
|

Interior do Museu da Rapadura em Areia - PB

Pão-de-açúcar:


Vista da cidade de Areia
A presença de antigos engenhos no
interior
da Paraíba levou à criação
de um roteiro turístico chamado
Caminho dos Engenhos. No trajeto, além de Areia, é possível conhecer
outras cidades que tiveram sua história forjada na cultura da cana,
como, por exemplo, Alagoa Grande, Mamanguape, Bananeiras e Serraria.
Assim como aconteceu com os engenhos de Areia - que eram quase 100 e
hoje não passam de 30 -, esses lugares não contam mais com os
profusos recursos advindos das colheitas do canavial.
|
|
|
A rapadura esteve presente na região Nordeste desde os primórdios
da colonização. Tal como o conhecemos hoje, o doce teve sua
origem na produção de açúcar mascavo, que chegou ao Brasil com
os portugueses no século 16.
Patrimônio Histórico Nacional, Areia, uma pequena cidade no
interior da Paraíba, a 125 quilômetros de João Pessoa, na região
serrana do Estado, preserva em seus engenhos a fabricação
tradicional da rapadura - iguaria que se tornou um símbolo da
cultura brasileira: Eles são os remanescentes de um período que
se estendeu do século 19. até a década de 1960, quando o lugar
contava com quase 100 engenhos, responsáveis por transformar a
cana-de-açúcar na principal fonte de riqueza da região. A
opulência daqueles dias proporcionou à cidade um legado
arquitetônico bastante rico, notado no colorido centro
histórico.
Na intenção de manter viva a fabricação tradicional e o seu
significado popular, a Universidade Federal da Paraíba criou, em
Areia, na Fazenda da Várzea, o Museu da Rapadura - o único do
país. O acervo, disposto na antiga casa-grande, reconstrói o
clima dos tempos dos engenhos e conta com algumas relíquias da
época áurea da cana.
O Museu preserva uma casa-grande típica da região do brejo,
ou seja, simples e despojada, raramente apresentando senzala e
capela. Sua construção, portanto, data do século dezenove e
início do vinte. No seu acervo, estão utensílios da época, como
móveis rústicos um relógio de parede de 226 anos funcionando
perfeitamente, uma moenda que era puxada por bois,
uma pedra de moer milho, um gargalho de ferro que servia para
prender os escravos pelo pescoço, um palmatória de ferro e um
acervo de 280 garrafas de cachaça,etc.
Ritual Secular
O caldo da cana era cozido e depositado num recipiente chamado
pão-de-açúcar: um cone de madeira cujo formato iria nomear o
morro carioca, o mais famoso cartão-postal brasileiro. Antes do
século 19 - momento em que a produção se intensifica -, os
primeiros produtores de cana no Nordeste brasileiro moíam a
planta em engenhos de almanjarra, nome que caracteriza as
moendas puxadas por bois. Muitas vezes, no entanto, eram os
escravos que faziam o serviço.
No decorrer do processo, depois que o caldo era cristalizado,
uma massa com diversas tonalidades era concebida. Na camada
inferior, por onde o restante do líquido escorria, acumulava-se
uma parte escura. Em cima, a massa tinha um tom alvo. Os
senhores-de-engenho faziam questão de ficar com a porção clara
do açúcar, considerada mais nobre. Aos escravos, por sua vez,
restava o trecho pardacento do doce, ironicamente, o mais rico
em nutrientes.
No pão-de-açúcar - o utensílio português -, a massa escura
permanecia em depuração durante seis dias, período no qual o
caldo vertia por meio de um único orifício, até que restasse
somente o açúcar cristalizado. Em seguida, os escravos quebravam
o bloco para fazer o mascavo. Foi só no século 17 que a rapadura
ganhou o formato de tabletes e há quem diga que essa forma de
produção teve início justamente em Areia.
Na Segunda Guerra Mundial, ela garantiu energia aos soldados
aliados
De qualquer maneira, mais tarde, passaram a ser utilizados
mecanismos movidos a rodas-d'água e, finalmente, no século 19,
chegaram as primeiras máquinas inglesas a vapor. Só por volta de
1930, quando a Inglaterra enviou motores a diesel para o Brasil,
a rapadura começou a ser produzida em larga escala. Um único
engenho passaria, então, de uma média de 200 tabletes (de 500
gramas) por dia para 2 mil unidades. Foi nessa época que a
rapadura de Areia serviu de alimento para as Forças Aliadas na
Europa, durante a Segunda Guerra Mundial, orgulha-se a população
local.
Leia também:
O Açúcar
A
Cana de Açúcar
Para os que se interessam por produzir rapadura, a Emater-MG
oferece um material interessante, para conhecê-lo,
clique aqui.
Fonte: Emedic
Wikipédia
Enciclopédia Britânica
Emater-MG
Caminhos da Terra
Fundação Joaquim Nabuco
Obras Consultadas:
CASCUDO, Luís da Câmara. Rapadura. In: _____. Sociologia do
açúcar: pesquisa e dedução. Rio de Janeiro: IAA. Serviço de
Documentação, 1971. p.121-132. (Coleção canavieira, n.5)
JAMBEIRO, Marusia de Brito. Engenhos de rapadura: racionalidade
do tradicional numa sociedade em desenvolvimento. São Paulo:
USP. Instituto de Estudos Brasileiros, 1973. 193p.
LIMA, João Policarpo Rodrigues; CAVALCANTI, Célia M. Lira. Do
engenho para o mundo? A produção de rapadura no Nordeste:
características, perspectivas e indicação de políticas. Revista
Econômica do Nordeste, Fortaleza, v.32, n.4, p.950-974,
out./dez. 2001.
RABELLO, Sylvio. Os pequenos engenhos de rapadura. In: REGIÃO,
formação social e desenvolvimento - suas inter-relações: o caso
nordestino. Recife: IJNPS, 1974. p.133-142.
|
|
Voltar ao topo

|