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CARNE BOVINA

 

 

  Os Bovinos

  História dos Bovinos

  Principais Raças

  Carne Bovina no Brasil

  Valor Nutricional
  Cortes e Usos

  Formas de Preparo

HISTÓRIA


Em várias religiões antigas, o boi e a vaca são animais carregados de significado simbólico relacionado a ritos religiosos. Assim, no Egito se incluía entre as divindades a vaca Hathor, encarnação da Grande Mãe celestial. O culto hindu à deusa Sarasvati identifica o bovino com a Terra e o Sol.

 

 

Não se sabe ao certo quando o homem passou a utilizar bovinos, mas na pré-história européia, há cerca de trinta mil anos, já eram caçadas espécies selvagens. Existem desenhos primitivos desses animais nas paredes das cavernas ou em pedras. Acredita-se que o boi tenha sido um dos primeiros animais domesticados, devido a sua utilidade na agricultura. Em 5000 a.C. os babilônios possuíam gado vacum, assim como os egípcios em 3500 a.C.

 

 
 

No antigo Egito, havia pelo menos duas raças de origem européia e uma zebuína. O boi Ápis, considerado encarnação do deus Osíris, era negro, com pêlos duplos na extremidade da cauda, a figura de uma águia branca no dorso, um crescente branco na testa e o desenho de um escaravelho na mucosa bucal. Na Índia, o zebu é sagrado desde tempos imemoriais. O selo de cobre de Mohenjo-Daro, descoberto às margens do Índus e datado de mais de 3000 a.C., traz a estampa de um touro com chifres semelhantes aos da raça guzerá. Os indianos bebem leite de vaca, mas não comem carne bovina. Na China já se importavam bovinos em 3400 a.C. e sua criação deve ter sido responsável pela prosperidade do país na antiguidade.

 

A Grécia pré-clássica já possuía rebanhos bovinos. Nos tempos de Homero, o boi era a medida pela qual se avaliavam as fortunas e servia como moeda. Os dotes eram freqüentemente pagos em bois, costume que perdura entre povos asiáticos e africanos. Os lacedemônios sacrificavam um boi a Áries cada vez que obtinham uma vitória por meio da astúcia. Em Creta, terra de origem da lenda do Minotauro, surgiram provavelmente as primeiras lutas com touros, esporte que se disseminaria depois pela zona mediterrânea.

 

O carro real dos etruscos era puxado por um touro branco, que simbolizava a força e a bravura, e por uma vaca da mesma cor, símbolo da fartura. Na Roma antiga, era proibido matar bois destinados ao trabalho, mas havia o costume de imolar bois brancos a Júpiter Capitolino depois de uma vitória militar. As cabeças dos bois imolados eram suspensas às portas dos templos. Antes do sacrifício, os romanos adornavam os chifres dos animais. As pessoas que não podiam pagar o preço de um animal sacrificavam uma imagem moldada em farinha.


Após a queda do Império Romano, a criação de gado declinou muito na Europa, situação que perdurou até o século 17. A veneração religiosa explica a pouca vulgarização do consumo de carne bovina durante tantos séculos, com a conseqüente decadência da bovinocultura. Depois da invenção da refrigeração industrial, em 1868, o consumo de carne popularizou-se rapidamente.


A criação de gado vacum expandiu-se notavelmente no continente americano, principalmente no Brasil, Argentina, Uruguai, Estados Unidos e México, onde encontrou situação ecológica favorável. No Brasil, o gado bovino foi importante fator de desbravamento, de dilatação de fronteiras e de alimentação rica em proteínas. No final do século 20, os rebanhos bovinos ainda eram uma das principais fontes de riqueza do pampa sulino, do pantanal mato-grossense, da Ilha de Marajó, dos campos e cerrados do Centro-Oeste e da caatinga nordestina.

 

Domesticação
Para as regiões em que as condições do solo -- terras ácidas ou pobres em nutrientes -- ou a posição geográfica de difícil acesso tornam pouco econômica a instalação de lavouras, a pecuária é a solução ideal. Permite a ocupação de vastos espaços inexplorados com escassa mão-de-obra e sem meios de transporte, já que os rebanhos podem deslocar-se por grandes distâncias.


Dentre as espécies de bovinos domesticadas, destacam-se três: o boi comum ou europeu (Bos taurus), provavelmente uma subespécie do auroque (B. primigenius), cujo habitat nos tempos pré-históricos estendia-se pela Europa e parte da África; o zebu ou boi indiano (B. indicus), dotado de giba, habitante natural das regiões tropicais, domesticado provavelmente na Ásia em épocas remotas; e o búfalo (Bubalus bubalis), criado no sul da Ásia.


O boi europeu tem pêlos longos, couro espesso, chifres curtos e pelagem pouco pigmentada. O indiano tem pêlos mais curtos e lisos, couro mais fino e pigmentado, barbela desenvolvida e giba. É provável que as duas espécies tenham se cruzado, em tempos remotos, dando origem a grande número de variedades, que de acordo com suas características se adaptaram a diferentes regiões. Os cruzamentos entre as espécies foram depois promovidos pelo homem, a fim de combinar a resistência do boi indiano aos climas quentes com a melhor produção leiteira do gado europeu.


Considera-se que a zootecnia moderna surgiu na Inglaterra na segunda metade do século XVIII, quando se inventaram técnicas que permitiam a conservação de alimentos perecíveis e passou-se a empregar novas plantas forrageiras como alimento do gado. A expansão das populações urbanas que se seguiu à revolução industrial trouxe maior demanda de alimentos e incentivou os ingleses a produzirem mais carne.


Outros países começaram a desenvolver técnicas de melhoramento do gado europeu, para corte e produção de leite, além de aprimorar o alimento das reses e suas condições sanitárias. Assim, as raças européias tornaram-se muito produtivas e foram o ponto de partida dos excelentes rebanhos surgidos depois nos Estados Unidos, Canadá, Argentina, Uruguai, Brasil, Austrália, Nova Zelândia e sul da África.


As raças européias, em climas adversos, perdem a resistência e não revelam as qualidades de que são portadoras por herança genética. O zebu, pelo contrário, embora por motivos religiosos não tenha sido submetido a processos de melhoramento em seu lugar de origem, adaptou-se bem às regiões onde o boi europeu encontrava dificuldades de aclimatação, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais. A seleção da espécie só começou por volta de 1920, mas deu ótimos resultados.


O Brasil foi muito beneficiado pela importação de zebus, iniciada no final do século 19. Esses bois encontraram no país condições de alimentação, de defesa sanitária e aplicação de procedimentos zootécnicos superiores às existentes em seu país de origem. Puro ou cruzado com o boi europeu, concorreu para a multiplicação dos rebanhos por ser resistente e fecundo. Outros países tropicais dedicaram-se a programas de melhoramento do zebu, para carne e leite, obtendo excelentes raças provenientes da combinação de suas qualidades com as do boi europeu.

 

Fontes: Enciclopédia Britânica

SIC - Serviço de Informação da Carne

 

 

 

 

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Atualizado em: 20 julho, 2008.