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CARNE BOVINA

 

 

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RAÇAS BOVINAS


Em zootecnia, a classificação em raças é, em boa parte, arbitrária e convencional, pois se baseia em traços superficiais como coloração dos pêlos, conformação craniana, presença de chifres ou procedência geográfica. Com a aplicação de técnicas destinadas ao aprimoramento das características de importância econômica, como produção de leite e carne, os melhores espécimes adquirem propriedades inerentes a essas funções, que deixam de ser distintivos raciais para se tornarem características próprias de bons animais de qualquer raça.


Segundo sua destinação econômica, as raças bovinas são em geral classificadas em três grupos: raças leiteiras, como a holandesa, suíça, jersey e guernsey entre as européias; sahiwal e red-sindhi, entre as indianas; raças de corte, como hereford, charolesa e aberdeen, européias, e nelore e santa gertrudis, de sangue asiático; por último, entre as raças de dupla aptidão estão as européias simmental, red polled e normanda, além das indianas gir e guzerá. Existem ainda os animais de tração, muito empregados no Brasil e em outros países com agricultura não mecanizada. Na Índia há raças especializadas em tração, como nagore, bachaur, malvi e kangayam, esta última a única introduzida no Brasil.


Gado leiteiro.

Os critérios de classificação do gado vacum sofreram modificações decorrentes dos avanços tecnológicos e das exigências do mercado. Na Comunidade Européia, por exemplo, a carne passou a ser subproduto do leite, já que noventa por cento da carne ali produzida é extraída de raças leiteiras. Mesmo no Reino Unido, onde se selecionaram as primeiras raças de corte, como hereford e aberdeen-angus, a maior parte da carne provém do gado de raça holandesa.


Os novos hábitos alimentares em todo o mundo levaram os consumidores a preferir as carnes magras do gado leiteiro, antes consideradas de segunda. A carne gorda das raças de corte tende a ser progressivamente rejeitada pelo mercado, o que compromete o futuro dessas raças. Para o Brasil, no entanto, as raças mais adequadas são ainda as rústicas de corte, como a nelore, predominante no pantanal mato-grossense e em Marajó, onde não há condições para a cria de raças mais produtivas.

 

 

Holandesa. Originária da Frísia, nos Países Baixos, a raça holandesa é conhecida desde o princípio da era cristã. O padrão preferencial exibe três manchas pretas básicas: a primeira recobre a cabeça e o pescoço, a segunda se estende pelo dorso, lombo e costados, e a terceira, na região posterior da garupa, abrange parte das nádegas e da cauda. Apresenta uma estrela branca na testa, e as manchas pretas não ultrapassam a metade da cauda nem os joelhos. Existe uma variedade malhada de vermelho e outra, menos conhecida, denominada groninguense, preta de cabeça branca.


O gado holandês é considerado o de melhor produção leiteira do mundo. Em condições favoráveis, as fêmeas adultas pesam 550 a 700kg e os novilhos, aos dois anos, de 600 a 700kg. Preparados para corte, chegam a 450kg aos 12 ou 14 meses. As novilhas podem ser fecundadas aos 15 meses. Os melhores exemplares produzem até sessenta quilos de leite por dia.


No Brasil, o gado holandês adapta-se bem a regiões de clima temperado dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, especialmente para a criação intensiva, em que as reses permanecem em estábulo. Em zonas tropicais e subtropicais, ou frias e montanhosas, o cruzamento do gado holandês com raças mais rústicas, como a gir, produz raças mistas, com boa produção leiteira e muito mais resistentes.

 

 

Flamenga. Originária da antiga Flandres, a raça flamenga tem pelagem vermelho-escura, às vezes com manchas brancas nos flancos e no úbere. As fêmeas adultas pesam de 500 a 650kg e os machos, de 800 a 900kg. Seu leite tem alto teor de gordura, adequado para a produção de manteiga e queijos. Existe no Brasil em pequeno número.

 

 

 

Schwyz. A mais antiga raça selecionada pelo homem é a schwyz ou suíça, proveniente das regiões montanhosas da Suíça. Apresenta pelagem cinza-claro ou escuro. Em produção de leite, coloca-se logo após a raça holandesa e, cruzada com gado zebu, produz excelentes novilhos de corte. Juntamente com a jersey, é das raças européias mais resistentes ao clima tropical, embora muito suscetível à aftosa.

 

 

Jersey. Proveniente da ilha de Jersey, no canal da Mancha, a menor das raças leiteiras é, pelo seu porte reduzido, deficiente para a produção de carne. Seu leite é o mais gordo entre as raças européias. De pelagem amarela uniforme, é rústica e se reproduz precocemente. Intensamente explorado na Nova Zelândia, grande produtora de laticínios, o gado jersey, no Brasil, tem seus maiores núcleos em São Paulo e no Rio Grande do Sul.

 

 

 

Guernsey. De pelagem amarela malhada e porte superior ao da jersey, a raça guernsey, originária da ilha de mesmo nome, na Mancha, é excelente produtora de leite gordo. Cria-se no Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Argentina e Brasil.

 

 

 

Red sindhi. O gado vermelho sindhi é muito apreciado na Índia como produtor de leite, mas no Paquistão sua seleção está mais aprimorada. É um gado manso, rústico e de pequeno porte. Seus poucos representantes no Brasil fazem parte do plantel paulista de Ribeirão Preto.

 


Gado de corte.

As tradicionais raças de corte, originárias da Inglaterra, são adaptadas a zonas temperadas. A multiplicação das raças deveu-se principalmente ao desenvolvimento de gado de corte em regiões onde as raças inglesas não conseguiram prosperar. Fatores como adaptação ao meio e velocidade no ganho de peso são determinantes para a escolha da raça adequada. Modernamente, o novilho de corte é resultado de cruzamento de duas raças, uma vez que a hibridez favorece o aprimoramento das qualidades próprias do gado destinado ao abate. No Brasil são criados bovinos de corte de origem inglesa, francesa e indiana, além de algumas raças desenvolvidas no país, como a indubrasil e a canchim.

 

 

Aberdeen-angus. Os animais da raça aberdeen-angus possuem pelagem preta, membros muito curtos e não têm chifres. São precoces e produzem excelente carne. Originários da Inglaterra, adaptaram-se bem nos Estados Unidos, na Argentina e no Uruguai. Não toleram os climas tropicais e são criados, no Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul.

 

 

Hereford. Originária do condado de Hereford, a raça inglesa que leva esse nome expandiu-se nos Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Brasil e Austrália. Sua pelagem vermelha é matizada de branco, que recobre a cabeça e pode estender-se, na parte anterior, pela barbela, peito e ventre. São brancas também as extremidades e o tufo de pêlos da cauda. Rústicos, bons reprodutores e velozes no ganho de peso, os animais dessa raça têm carne macia e gordura distribuída de modo uniforme. Há uma variedade mocha, conhecida como polled hereford.
 

 

Devon. Originária dos condados ingleses de Devon e Sommerset, a raça devon apresenta pelagem uniforme, vermelho-acaju. Sua carne é considerada das melhores e o rendimento de suas carcaças, elevado. Rústica e dócil, supera em certas regiões os animais das raças hereford e shorthorn, mas, como estas, não suporta as condições dos trópicos.
 

 

 

Charolesa. Melhor raça de corte da França, o gado charolês apresenta bons resultados no cruzamento com gado leiteiro e também com zebuínos, para obtenção de novilhos de corte em regiões subtropicais. De cor branca ou branco-creme uniforme, tem couro macio e pêlos finos e longos, que tendem a ondular-se. Sua carne, embora não seja tão macia quanto a das raças inglesas, é menos gordurosa que aquelas. No Brasil serviu de base para a formação do gado canchim.
 

 

Nelore. A nelore é a raça de zebus mais freqüente no Brasil central. De grande porte, rústicos e bons reprodutores, dotados de excepcional longevidade, os nelore partiram dos núcleos iniciais em Uberaba MG, no Rio de Janeiro e na Bahia e se disseminaram pelos estados do Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e pela Amazônia. Em confronto com outras raças indianas criadas no Brasil, os bezerros nelore exigem menos cuidados em criações extensivas e a raça apresenta os melhores resultados em melhoramento e expansão.


De cor branca, acinzentada, prateada ou com manchas, os machos nelore são em geral mais escuros nas espáduas, no pescoço e nos quartos traseiros. Os chifres são achatados, implantados como estacas simétricas para trás e para fora. As orelhas, curtas, terminam em ponta-de-lança. Como as demais raças indianas, possui giba desenvolvida. No Brasil, encontrou boas condições para melhorar a produção de carne, com maior velocidade de crescimento, melhores pesos em idades precoces e melhor cobertura de músculos nos cortes mais valorizados.

 

 

Chianina. De pelagem branca sobre pele preta, o boi da raça chianina assemelha-se ao nelore. Com cabeça pequena em relação ao tronco, tem chifres curtos, mucosas escuras e poderosa ossatura. Apresenta características de animal de tração e acentuado dimorfismo sexual: as fêmeas têm tórax mais profundo, ancas mais afastadas e membros mais curtos. É notável a resistência dessa raça ao calor. Em São Paulo e Minas Gerais foram realizados cruzamentos entre as raças chianina e nelore, com resultados promissores.

 

 

Santa Gertrudis. Desenvolvida no Texas, Estados Unidos, a raça santa gertrudis apresenta animais rústicos e de bom rendimento. Depois de vários cruzamentos de animais shorthorn com mestiços de zebu, chegou-se ao monckey, considerado o marco inicial da nova raça. O gado santa gertrudis caracteriza-se pela cor vermelha, giba inferior à do zebu puro e umbigo longo. É precoce, ganha peso rapidamente e adapta-se bem às condições climáticas de São Paulo e do Rio Grande do Sul.

 

 

Mocha Tabapuã. O touro tabapuã foi o ponto de partida da linhagem desenvolvida no município paulista de mesmo nome. Tão logo se constatou sua produção uniforme, isto é, filhos mochos e de excelente conformação, o touro passou a ser utilizado intensamente como reprodutor. Consta que descendia de pais mestiços de guzerá e nelore, com predomínio da primeira raça. Os novilhos mostraram bom rendimento de carne limpa e as fêmeas são leiteiras razoáveis.

 

 

Brahman. Obtidos por criadores do sul dos Estados Unidos que buscavam um gado resistente às doenças, às secas e às temperaturas elevadas, capaz de longas caminhadas em busca de água e alimento, os animais brahman mostraram-se aptos a ingerir forragens com alto conteúdo fibroso e baixo teor protéico. Fruto do cruzamento da várias raças indianas com predomínio da guzerá, da qual herdou a cor cinza com manchas escuras do pêlo, a brahman mostrou-se indicada para exploração direta e para cruzamento com raças britânicas.

 

 

Indubrasil. Resultado do cruzamento de raças indianas, com predomínio de guzerá e gir, a raça indubrasil foi desenvolvida por criadores do Triângulo Mineiro que pretendiam preservar as características do puro zebu. O indubrasil predominou, em sua região de origem, até a década de 1930, quando começaram a ressurgir as raças nelore, guzerá e gir. De boa precocidade, apresenta ganho de peso às vezes superior ao apresentado pelas raças nelore e guzerá. De pelagem uniforme branca, cinza-claro ou cinza-escuro, tem grande porte e pernas mais longas que outras raças zebuínas. As fêmeas apresentam boa conformação, com ancas afastadas, membros mais curtos e arqueamento das costelas.

 

 

 

Canchim. Formado numa fazenda de criação de São Carlos SP, o gado canchim resultou do cruzamento de zebu com a raça charolesa. De pelagem branco-creme, forte ossatura e poderosa massa muscular, o canchim mostrou-se rústico, bom ganhador de peso e adaptado ao clima paulista.

 


Gado de dupla aptidão.

Existem raças igualmente utilizadas para a produção leiteira e para corte, que são as mais convenientes para as condições climáticas e econômicas do Brasil. A algumas delas pertence grande parte dos rebanhos nacionais; outras, como a caracu, mocho nacional e friburguesa, tiveram desenvolvimento mais restrito.
 

 

Gir. Desenvolvida inicialmente para a produção de carne, a raça gir conquistou, em porte e em peso, desempenho melhor que o obtido na Índia, onde é considerada leiteira. Distingue-se de outras raças indianas criadas no Brasil pela pelagem, cuja coloração varia do branco ao vermelho, sempre com uma mancha em alguma parte do corpo, e pela implantação típica dos chifres, que se desenvolvem em espiral. A raça apresenta características extraordinárias para animais de corte. Os maiores plantéis brasileiros localizam-se na região do Triângulo Mineiro e em Mococa, Casa Branca e Jacareí, no estado de São Paulo. Nessas localidades, foi submetida a intenso trabalho de seleção, que a transformaram numa raça de grandes possibilidades leiteiras e também de corte.

 

 

Guzerá. Embora selecionado em alguns rebanhos nacionais para a produção de leite, o animal guzerá apresenta características inequívocas de bom produtor de carne: tronco profundo, costelas arqueadas, ancas afastadas, equilíbrio entre quartos dianteiros e traseiros e dorso longo. De pelagem uniforme cinza-claro ou cinza-escuro, com manchas quase negras, o guzerá apresenta chifres em forma de lira alta e orelhas largas e pendentes como folhas de fumo. Tem postura imponente e temperamento dócil.

 

 

Simmental. De origem suíça, a raça simmental produz na Europa vacas adultas de 600 a 700kg e touros de 900 a 1.200kg; os novilhos chegam a 500kg dos 12 aos 14 meses. De pelagem malhada, apresenta manchas que variam do amarelo-claro ao vermelho, com cabeça branca. Nos machos, os pêlos da cabeça e do pescoço costumam ser longos e ondulados. É selecionada intensamente na Suíça, para carne e leite, e na Alemanha, onde sua média de produção leiteira apresentou expressivo aumento. Os produtos do cruzamento simmental-zebu são de ótima qualidade.

 

 

Shorthorn. Inglesa com influência do gado holandês, a raça shorthorn apresenta três possibilidades de pelagem: vermelha uniforme, branca ou creme e a rosilha, que é uma combinação de pêlos vermelhos e brancos. Foi a primeira raça formada intencionalmente, por meio de estreita consangüinidade, que determinou, em algumas linhagens, redução da fertilidade. Embora não apresente a mesma rusticidade da hereford, serviu de base para a formação de uma nova raça adaptada aos trópicos, a santa gertrudis. As vacas chegam aos 800kg, enquanto os machos podem ultrapassar uma tonelada.

 

 

 

South devon. Uma das mais antigas raças inglesas, a south devon é boa produtora de carne e leite para a fabricação de manteiga. Apresenta pelagem vermelha, pele amarela e chifres de tamanho médio. Os novilhos podem atingir 800kg sem acumular gordura em excesso.

 

 

 

Normanda. Oriunda da Normandia, a raça normanda tem pelagem que varia do vermelho-claro ao escuro, com manchas claras características. Já foi criada em Minas Gerais, mas a falta de uma associação de defesa e difusão da raça prejudicou seu desenvolvimento. Há plantéis no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

 

 

 

Red polled. Resultante do cruzamento das raças inglesas norfolk e suffolk, a red polled é mocha e tem pelagem vermelha. Sendo sua carne excelente, as fêmeas destinadas ao abate alcançam melhor cotação que as das raças especializadas para leite.

 

 

 

 

Pitangueiras. O gado pitangueiras foi desenvolvido pela Companhia Frigorífica Anglo do Brasil, e nele entram 3/8 de sangue guzerá e 5/8 de red polled. As reses são vermelhas, mochas e boas produtoras de leite. Os machos atingem a idade de abate com bom peso.
 

 

Fontes: Enciclopédia Britânica

SIC - Serviço de Informação da Carne

 

 

 

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Atualizado em: 20 julho, 2008.