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MARACUJÁ

Virgínia Brandão

 

Originário da América tropical, o maracujá possui mais de 150 espécies nativas do Brasil. Devido as suas propriedades terapêuticas, tem valor medicinal: as folhas e o suco contêm passiflorina, um sedativo natural e o chá preparado com as folhas tem efeito diurético. Possui, também, valor ornamental devido as suas belas flores. Seu uso principal, no entanto, está na alimentação humana, na forma de sucos, doces, geléias, sorvetes e licores. É rico em vitamina C, cálcio e fósforo.
 

Características da planta

 

Trepadeira vigorosa de caule frequentemente sulcado. Em algumas espécies, as folhas são arredondadas e em outras são profundamente partidas, com bordos serrados. Flores grandes, vistosas, de coloração que pode variar de branco-esverdeada, alaranjada, vermelho ou arroxeada, de acordo com a espécie. Floresce de dezembro a abril.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um nome banhado de sangue


Os primeiros missionários espanhóis encontraram na América do Sul uma planta grimpante que lhes parecia ser uma justificativa evidente do seu trabalho de catequese e conversão dos indígenas do novo mundo. Eles criaram toda uma simbologia baseada na complexa estrutura da flor do maracujá, encontrando em suas formas e cores exóticas a metáfora perfeita para explicar aos "infiéis indígenas" a truculenta história da Paixão de Cristo. Assim, em primeiro lugar, associaram-se as cores com que a natureza premiou as belas flores do maracujá aos vermelhos e aos roxos utilizados nos rituais cristãos da Semana Santa. Além das cores, a coroa floral, completamente filigrada transformou-se na própria imagem da coroa de espinhos com que Cristo foi crucificado; os três estigmas da flor passaram a ser os três cravos que o prenderam na cruz; suas cinco anteras estariam representando as cinco chagas de Cristo; as gavinhas eram vistas como os açoites que o martirizaram; e o fruto redondo era a representação do mundo que o Cristo veio redimir.

 

 

 

 

 

 

Fruto

 

Geralmente arredondado com casca espessa de coloração verde, amarelada, alaranjada ou com manchas verde-claras, de acordo com a espécie. Sementes achatadas, pretas, envolvidas por um arilo de textura gelatinosa de coloração amarelada e translúcida. Frutifica durante o ano todo, menos intensamente de maio a agosto.

 

História
 

Os maracujás ou flores-da-paixão - seus frutos e suas flores - já eram muito conhecidos e utilizados na América antes da chegada dos primeiros europeus que, desde cedo, encantaram-se com a sua exuberância.

 

A primeira referência ao maracujá, entre nós, data de 1587, no Tratado Descritivo do Brasil, como "erva que dá fruto".

Porém, foi Nic Monardis quem, em 1569, descreveu a primeira espécie do gênero Passiflora, a saber P. incarnata L., mas sob o nome de Granadilla. Essa planta, considerada extraordinária pela conformação de suas rubras flores, foi enviada de presente ao Papa Paulo V (1605-1621), que mandou cultivá-la com grande carinho em Roma e divulgar que ela representava uma revelação divina. Devido à beleza e à característica física de suas flores, a planta foi relacionada com a "Paixão de Cristo". Desse detalhe surgiu o nome do seu gênero botânico, sendo "passio" o equivalente a paixão e "flos oris" o equivalente a flor. O nome específico edulis significa simplesmente que os frutos são comestíveis.
 

Espécies

O maracujazeiro pertence a ordem Passiflorales, família Passifloraceae, gênero Passiflora. Dentro desse gênero existem cerca de 300 a 580 espécies, segundo diversos autores, distribuídas pelas regiões tropicais e subtropicais do mundo. No Brasil já foram encontradas aproximadamente 150 espécies, a maioria para fins ornamentais e cerca de 60 produzindo frutos comestíveis.

 

Embora o gênero agrupe muitas espécies, poucas são de importância, que é dada pela qualidade dos seus frutos, pelo aspecto ornamental ou pelas suas qualidades farmacológicas. Assim, temos as espécies P. edulis Sims. (maracujá roxo); P. edulis Sims. f. flavicarpa Deg. (maracujá amarelo); P. alata Dryander (maracujá doce); P. macrocarpa (maracujá melão); P. quadrangularis L. (maracujá açú); P. ligularis Juss (m

aracujá urucu); P. laurifolia L. (maracujá laranja); P. maliformis L. (maracujá maçã); P. caerulea L. (maracujá azul), como produtores de frutos comestíveis.

 

 

Com propriedades medicinais citam-se a P. foetida L. (maracujá de cheiro) cuja raízes são anti-espasmódicas e P. quandrangularis L. (maracujá açú) que possui raízes com efeitos anti-helmínticos. As sementes de algumas espécies, tais como, a P. laurifolia L. (maracujá laranja), P. alata Dryander (maracujá doce), P. edulis Sims. (maracujá roxo), P. quadrangularis L. (maracujá açú), P. mucronata Lam. (maracujá pintado) e P. incarnata L. quando trituradas também apresentam propriedades anti-helmínticas. Com propriedades sedativas, citam-se a P. caerulea L. (maracujá azul) e a P. incarnata L.
 

De todas as espécies citadas, o maracujá amarelo (P. edulis Sims. f. flavicarpa Deg.) é a mais importante e a mais cultivada no mundo. Ele é conhecido por vários nomes, entre eles, maracujá peroba, do norte, amarelo, azedo, e mirim. Esse maracujá, amarelo da cor do sol, possui inúmeras sementes pequenas de cor amarronzada. Quando sua casca enruga completamente, então, é a melhor hora para aproveitar o sabor suculento e azedinho de sua polpa. O maracujá-amarelo é a variedade que apresenta maior produtividade, sendo ideal para doces, geléias, batidas, sucos, refrescos e sorvetes, adoçados à vontade e a gosto.

O maracujá-roxo (Passifora L'dlf,7is), por sua vez, é bem redondo e menor que o maracujá-amarelo. Reputado como menos ácido do que o outro, o maracujá-roxo é delicioso para o consumo in natura. Prefere os climas subtropicais como os da África do Sul, Austrália e do sul do Brasil.

 

No Brasil

 

No Brasil, a cultura do maracujá vai muito bem. O País é, hoje em dia, um grande produtor e exportador da fruta, destacando-se o Estado do Pará, com mais de um terço da produção nacional Em seguida, vem a região Nordeste, onde os Estados da Bahia, de Sergipe e do Ceará, juntos, alcançam também quase um terço da produção total, e, depois, a região Sudeste, com um quarto da produção, onde o Estado de São Paulo é o líder.
 

No entanto, em algumas regiões, o maracujá vem sofrendo com os desmatamentos, uma vez que o desaparecimento das matas faz desaparecer também a mamangava, espécie de abelha grande, fundamental na polinização das flores-da-paixão dos maracujás.

 

 

 

 

 

Atualmente, vários maracujás nativos do Brasil são cultivados em outros países tropicais, tais como o Havaí, a Venezuela, a África do Sul e a Austrália, onde alcançam considerável importância econômica.

Medicina
 

O maracujá é uma boa fonte de carboidratos. Contém vitaminas A e C, além de vitaminas do complexo B. É rico em minerais como cálcio, fósforo e ferro.
 

Ele tem tem propriedades depurativas, sedativas e anti-inflamatórias. Suas sementes atuam como vermífugos. Por essas características, está incluído na monografia da Farmacopéia Brasileira.
 

 

Acredita-se popularmente que o chá de suas folhas, além de atuar como calmante, é também um antitérmico eficaz e que ajuda no combate às inflamações cutâneas, mas essa ação não tem confirmação científica.

 

 


Fontes: Biblioteca do Estudante

Embrapa

Enciclopédia Britânica

Wikipédia

Jardin Botanique National de Belgique
 

 

 

 
   

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Atualizado em: 21 julho, 2008.