| |
| |
|
|
|


Bardana
Arctii lappae em
Latim
Gobo em Japonês
Bardana e lampazo em Espanhol
Bardane em Francês
Bardana maggiore e
lappola em Italiano
Burdock em Inglês
Große klette em Alemão



























|
BARDANA
Virgínia Brandão
Conhecida e utilizada
desde a Antiguidade, a bardana é uma planta fabulosa, de infinitas
qualidades nutricionais e terapêuticas, empregada como um delicioso alimento
e, também, utilizada como um excelente medicamento para várias moléstias.
Todas as partes da
planta são úteis e eficazes, principalmente quando utilizadas frescas. As
raízes e as folhas tenras podem ser utilizadas como alimento. Na Europa as
folhas e brotos novos são consumidos como verdura.
Apesar de saborosa, seu
consumo é pouco difundido no Brasil, mas é muito utilizada pelos japoneses,
o povo que mais a consome, e, também, por
adeptos da alimentação macrobiótica, integral, natural e antroposófica.
No Japão, onde é conhecida por "gobô"
e cultivada para a alimentação em duas variedades (com talo verde e arroxeado), costuma ser
cozida junto a outros vegetais. No "kinpira", uma receita popular nas
marmitas dos trabalhadores, fatias de bardana e cenoura são fritas
rapidamente e depois cozidas com açúcar e molho de soja e salpicadas com
sementes de gergelim.
A planta
Da mesma família da
margarida - Asteraceae (ex-Compositae), a bardana (gênero Arctium, espécie Arctium lappa) é originária das
regiões temperadas da Europa, sendo muito comum em Portugal, França e
Itália. Na América do Sul, nasce espontaneamente até a Argentina e está bem
aclimatada no Brasil.Tudo indica que o Japão foi o primeiro país a
cultivá-la para o consumo mais intenso.
Cresce ao longo de estradas e em terrenos em que abundem substâncias
orgânicas nitrogenadas, como esterco ou restos de animais. Também é
popularmente conhecida como erva-dos-tinhosos, pegamassa, carrapicho-de-carneiro e carrapicho-grande.
É uma planta herbácea silvestre bienal,
de fácil cultivo, capaz de se desenvolver em ambientes úmidos e sombreados,
atingindo até mais de 80cm de diâmetro. Possui um caule robusto e
canelado que pode chegar a 1,5m de altura .
Suas folhas
caracterizam-se pelo tamanho (grandes), podendo alcançar 40 cm de
comprimento. Apresentam formato oval ou lanceolado (as superiores)
e são presas ao caule por
pecíolos¹.
A colheita de suas folhas deve ser efetuada logo antes da floração.
Suas flores, rosadas ou
púrpuras, são pequenas, vivazes e brilhantes. Reúnem-se em cachos que
formam o fruto, uma bola de 2 a 3 cm, cheia de falsos espinhos, que aderem à
roupa, aos pelos dos animais ou a qualquer superfície com ranhuras. Seu próprio
nome científico vem do grego arktos = veludo e lappa = agarrar, uma alusão à
sua capacidade de aderência de seus frutos. Durante a Idade Média, os jovens
campesinos enamorados tinham costume de colocar nos cabelos de suas
namoradas as flores da bardana, pois se prendiam muito bem e são de uma cor
rosa muito bonita. A floração ocorre no
verão, sendo que suas flores (e os frutos também) são formadas após o
segundo ano do cultivo.
Seus frutos (aquênios²),
castanho-avermelhados quando secos, possuem formato arredondado e "espinhudo" com cerca
de 7 mm de largura. Têm sabor picante, amargo e refrescante
Suas sementes possuem
sabor adocicado, são amarronzadas, lisas, pequenas e
envoltas por uns pelos que provocam urticária quando em contato com a pele.
Por isso, ao retirar as sementes, recomenda-se todo o cuidado para os pelos
não entrarem em contato com a pele.
Sua raiz é carnuda,
fusiforme (em forma de fuso), longa, delgada e profunda, chegando a quase
1,2 m de comprimento e com cerca de 2 a 3 centímetros de diâmetro. São
brancas internamente e pardas externamente. Inodora, tem textura crocante e sabor
amargo, adocicado e frio. Preferencialmente, devem ser coletadas antes da floração, pois as raízes maduras apresentam suas propriedades
terapêuticas reduzidas com o passar do tempo.
Cultivo
Sua reprodução se dá
através de sementes, plantadas de preferência na primavera e no outono.
Desenvolve-se melhor
em temperaturas que variam de 16 a 22ºC e em solos areno-argilosos, bem profundos, férteis e com boa drenagem
para permitir o aprofundamento de suas raízes,
A planta é propagada em monturos, caminhos, fundos dos montes, lugares
úmidos, sombrios e onde há restos nitrogenado.
No Brasil, onde pode ser cultivada em praticamente todo o país e durante
todo o ano, tem um crescimento vigoroso, sendo considerada uma espécie
daninha em pomares e terrenos baldios na região Sul.
Por aqui, além da Arctium lappa, também existe a espécie Arctium minus
Bernh., planta de menor porte, com a designação de bardana-menor,
bardana comum ou bardana ordinária, com propriedades idênticas. Ambas as
espécies vegetam subespontaneamente e florescem no verão.
O cultivo da bardana pode ser uma alternativa para pequenos
produtores, que procuram diversificar a produção. É
indicada ao cultivo consorciado com outras plantas tais como o funcho e a
cenoura.
Na culinária
Suas raízes e as folhas
tenras são cozidas e utilizadas como alimento. No Japão é mais utilizada que
a própria cenoura na culinária do dia-a-dia. Podemos preparar tempurás,
sopas, refogá-la apenas em óleo de soja, cozinhá-la junto com arroz,
colocá-la em refogados de carne, etc.
As folhas frescas
pequenas (sem o talo pois eles amargam) podem ser utilizadas como a acelga.
As raízes frescas têm um
sabor delicado e admitem muitas preparações. As potencialidades da raiz da
bardana estão concentradas na casca, tanto que a sabedoria popular afirma
que ela não deve ser retirada, para que não sejam perdidas suas
propriedades. Para usá-la, é preciso remover bem a terra, escovando-a, mas
não descascando-a. Durante o cozimento, a coloração escurece, o que é
normal, em razão do ácido tânico, uma substância sem sabor e inofensiva ao
organismo. Para evitar esse escurecimento, é só deixar a raiz de molho em
água com algumas gotas de vinagre ou limão.
Onde comprar
Pode ser encontrada em lojas de
produtos japoneses, em supermercados mais sofisticados e até em boas
feiras-livres.
Como Conservar
A raiz fresca pode ser
conservada por mais tempo na geladeira, envolta em papel absorvente e dentro
de um saco plástico.
Para secagem, deve-se
lavar as raízes, e deixá-las a sombra em local com boa ventilação
(temperatura máxima de 35ºC.). Este mesmo processo pode ser aplicado às suas
folhas. As raízes secas devem ser guardadas em sacos de pano bem limpos e as
folhas em recipientes de vidro, bem fechados, sempre ao abrigo da umidade.
Em alguns lugares, costuma-se mergulhar as raízes em água fervente antes da
secagem para conservar um elevado teor em substâncias ativas.,
Propriedades
Nutricionais
Usada como alimento, a
bardana é altamente nutritiva e estimulante do sistema nervoso e
imunológico, eliminando, também, o ácido úrico. Fornece proteínas,
glicídios, fibras, cálcio, fósforo, ferro, vitamina A, B1, riboflavina,
niacina e vitamina C. Assim como todas as raízes, a bardana também é rica
fonte de sais minerais.
Valor Calórico: 100
gramas de bardana fornecem 82,4 calorias.
| |
|
|
|

Algumas receitas medicinais com Bardana
Chá, feito com
300 gramas de folha para 1 litro de água, é bastante indicado no
tratamento das cólicas hepáticas, enfermidades cardíacas,
furúnculos, bronquite, cálculo renal, cálculo biliar e afecções da
bexiga, além de funcionar como antídoto para o envenenamento por
mercúrio metálico e combater os efeitos de agentes poluentes, como o
dióxido de enxofre e o monóxido de carbono.
Cataplasma da raiz
é útil nas contusões, no reumatismo, artrite, micoses, herpes e
queda dos cabelos.
Para eliminar aquelas
crostas da cabeça do bebê, coloque mais ou menos 30gr. de folha de bardana em um litro de água fervente, tamper e deixe descansar por
15 minutos. Depois de filtrar, aplique sobre o local afetado várias
vezes ao dia.
 |
Usos Medicinais
A bardana de uma planta herbácea especial, totalmente atóxica, cujo êxito medicinal data
da Antiguidade e nunca foi contestado através dos séculos. Sozinha, ela,
praticamente, funciona como uma farmácia inteira. Pode ser empregada até
mesmo diariamente por longos períodos.
Possui uma
grande capacidade depurativa, ou seja, consegue eliminar toxinas que muitas
vezes ficam retidas no sangue e que podem ser a origem de inúmeras doenças:
gota, doenças de pele como psoríase, furúnculos e eczemas, reumatismo, males
digestivos.
Sua principal
indicação terapêutica é em doenças crônicas da pele. Isto pode ser explicado
pela presença de um princípio antibiótico eficiente sobre as bactérias gram+
tipo estafilococos e estreptococos, sendo muito ativo em afecções do tipo
furunculose e acne, aliviando o tormento de muitos adolescentes, além de
promover a cicatrização de feridas e ulcerações consideradas rebeldes.
Por sua ação fungicida,
é utilizada nos tratamentos de afecções do trato genital e suas propriedades
diuréticas e sudoríferas, auxiliam nos processos reumáticos e gotosos, sendo
considerada uma boa planta para eliminar o ácido úrico.
Em função de sua marcante ação purificadora do sangue, ajuda no tratamento
do diabetes atuando como hipoglicemiante, auxilia na normalização da
porcentagem de açúcar no sangue, o que reforça sua ação contra a acne.
Provoca, ainda, o aumento das secreções biliares e hepáticas. Sua ação
estimulante sobre a produção de bílis e seu efeito diurético explicam
seu papel como depurativo.
Acredita-se que o
consumo da raiz da bardana, também, pode ajudar a melhorar o desempenho
sexual.
Na fito-cosmética, tem
indicação nos casos de caspas, seborréia e queda de cabelos.
Pecíolo
Parte da folha que une o limbo ao caule. Organizado para
sustentar a folha, às vezes se desenvolve em forma laminar e
foliácea, como nos filódios das acácias.
Voltar
Aquênio
Fruto provido de semente única, solta no interior do pericarpo,
e que não se abre depois de maduro. Miúdo, seco e indeiscente,
característico da família das compostas, como a dália e a
margarida, ocorre sobre a pele dos morangos e no interior dos
figos, sob a forma de pequenos grãos.
Voltar
Fontes:
Wikipédia
Jornal Rural do Sul
Enciclopédia Britânica
Oficina das Ervas
|
|