Os cogumelos
comestíveis, apreciados em muitas dietas européias e orientais,
vêm crescendo de importância nos últimos anos, já que o cultivo
dos mesmos possibilita reciclar economicamente certos resíduos
agrícolas e agroindustriais. Sob o ponto de vista nutricional,
considerando o elevado conteúdo protéico dos cogumelos
comestíveis, seu cultivo tem sido apontado como uma alternativa
para incrementar a oferta de proteínas às populações de países
em desenvolvimento e com alto índice de desnutrição. A cultura é
considerada uma atividade de meio ambiente protegido e tem
mostrado um notável incremento em diversos países.
A literatura
especializada cita aproximadamente cerca de 2.000 espécies
potencialmente comestíveis, porém apenas 25 delas são
normalmente utilizadas na alimentação humana e um número ainda
menor tem sido comercialmente cultivado.
No Brasil, a
primeira espécie cultivada foi o champignon de Paris [Agaricus
bisporus (Lange) Singer] . Segundo a literatura nacional, o
início do cultivo em escala comercial, parece datar dos anos 50.
Não existe uma documentação segura que permita localizar no
tempo o início do cultivo dessa espécie no Brasil, sendo certo,
no entanto, que a popularização de seu hábito alimentar na
região centro-sul data de uns 40 anos.
Outras
espécies atualmente cultivadas são o cogumelo gigante ou
caetetuba (Pleurotus ostreatus) e o
shiitake
[Lentinula edodes (Berk.) Singer]. Pleurotus é um
cogumelo que pode ser encontrado praticamente no mundo todo,
sendo freqüentemente encontrado nas matas brasileiras. Até a
década de 70, o seu consumo era feito basicamente pela coleta
destes cogumelos diretamente na natureza, e a partir de então
iniciou-se o cultivo em escala comercial. O cultivo de
Lentinula edodes é o mais antigo. Segundo a literatura, o
consumo desse cogumelo ocorre há milhares de anos, tendo o seu
cultivo sido iniciado há aproximadamente 800 anos na China. Este
foi, com o tempo, sendo aperfeiçoado principalmente pelos
japoneses, que atualmente ocupam a posição de maior produtor
mundial. No mercado mundial, o shiitake detém o segundo lugar,
sendo sobrepujado somente pelo champignon de Paris (Agaricus
bisporus).
Com
relação ao Agaricus, ao que tudo indica, quem primeiro
deu início a estudos sobre o assunto no âmbito da Secretaria da
Agricultura do Estado de São Paulo, tratando principalmente de
adaptar a tecnologia estrangeira às nossas condições, foi
Júlio Franco do Amaral,
que trabalhou no
Instituto Biológico.
Embora,
recentemente, a farta divulgação tenha despertado grande
interesse pelo cogumelo comestível e já existam cultivos
altamente especializados, nos quais são empregados equipamentos
sofisticados, no Estado de São Paulo a maior parte dos cultivos
é ainda hoje rudimentar e conduzida por famílias chinesas
provenientes de Taiwan. Os métodos de plantio mais
freqüentemente utilizados são resultado de uma experiência
herdada por muitas gerações, porém destituídos de aprimoramento
técnico em decorrência da falta de conhecimentos científicos
mais aprofundados.
Com relação
a produtividade, dados provenientes de Mogi das Cruzes, indicam
estar em torno de 6 a 8 kg/m². Esta produtividade pode ser
considerada baixa se comparada com a produtividade de países da
Europa que atingem de 17-25 kg/m²/ciclo, podendo chegar até 35
kg/m². Em condições controladas, segundo dados do Rio Grande do
Sul, a produtividade pode alcançar até 25 kg/ m².
O ciclo da
cultura pode variar de acordo com o sistema de cultivo mas, em
média, demora 84 dias, o que permite até 4 ciclos por ano nas
mesmas instalações. Um dos fatores que contribuem para o baixo
índice de produtividade são as doenças e fungos competidores que
ocorrem no substrato (composto), reduzindo a quantidade de
espaço e alimento disponível ou, ainda, produzindo substâncias
tóxicas que retardam ou impedem o desenvolvimento normal da
cultura.