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Nome científico:
Bertholletia excelsa H.B.K.
Família botânica: Lecythidaceae
Origem: Região amazônica brasileira - basicamente Pará, mas
encontra-se também nos Estados de Rondônia, Acre, Amazonas e norte de Goiás
e Mato Grosso. Também é encontrada na Amazônia peruana e boliviana.
Nome popular:
castanha; castanha-do-Pará, castanha-do-Brasil, juviá, touca, tucá, tocari,
árvore:
castanheira-do-Brasil, castanheira-do-Pará, amendoeira-da-América.
Castanha do Brasil
Francês - Castagne du Brasil
Italiano - Castagna di Pará
Espanhol - Nuez del Brasil / Castaña de
Pará
Inglês - Brazil nut, Brazilnut, Brazilnut-tree, Creamnut, Paranut
Alemão - Paranussbaum/ Para-nuss







A Cutia (Dasyprocta aguti Linnaeus,
1766) (também conhecida como cotia) é um mamífero roedor, da
família Dasiproctidae, gênero Dasyprocta, de pequeno porte
(medindo entre 49 e 64 cm). Sete espécies de cutias habitam o
território brasileiro.
As cutias têm apenas vestígio de cauda, extremidades anteriores
bem mais curtas que as posteriores, e pés compridos com cinco
dedos, sendo três desenvolvidos, com unhas cortantes
equivalentes a pequenos cascos, e o quinto dedo muito reduzido.
Herbívoras, as cutias se alimentam de sementes e frutos.
Costumam fazer uma coleta cuidadosa na época de abundância para
utilização em épocas de escassez. Sua coloração é variável entre
as espécies.







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CASTANHA-DO-BRASIL
A Carne Vegetal da
Amazônia
Virgínia Brandão
A castanha-do-Brasil,
antes conhecida como castanha-do-Pará, é uma semente, do fruto da
castanheira, Conhecida como a Rainha da Floresta Amazônica, a
majestosa castanheira pode atingir até 50 metros de altura e mil anos de
idade. Considerada uma das maiores riquezas na região dos castanhais
amazônicos, é cada vez mais valorizada no mercado por seu alto valor
nutritivo e sua relação com a conservação ambiental; é a única semente
comercializada internacionalmente que tem que ser coletada na floresta.
Tentativas de cultivar a castanheira para exploração comercial falharam,
pois a árvore só produz o fruto no habitat natural.
Características da planta: Encontradas na floresta de terra firme da
Amazônia, a Castanheira-do-Brasil é uma árvore de grande porte que se sobressai acima da copa de
outras árvores, podendo atingir até 50 metros de altura. Seu tronco pode
chegar a diâmetros de mais de 4 metros, ou roda de 10 a 12 metros. Possui
tronco ereto e liso, ramificando-se somente na sua porção superior numa copa
proporcionalmente pequena. Tem casca escura e marcada por fendas
longitudinais; folhas simples, onduladas e brilhantes, de coloração verde-escura. e flores branco-amareladas vistosas e aromáticas
que aparecem de novembro a fevereiro.
Desenvolvem-se melhor em
clareiras e em áreas não alagadas, com solos argilosos ou argilo-arenosos. As
abelhas grandes polinizam suas flores únicas e a cutia é o único animal
conhecido que dispersa suas castanhas. Ela abre o ouriço, tira as castanhas,
come algumas e enterra outras para comê-las depois. Aquelas que não são
desenterradas podem nascer.
Cultivo: Plantam-se as sementes, mudas ou enxertos em covas profundas
e solo bem adubado, na estação chuvosa. Preferem regiões de clima quente e
úmido.
Fruto: Também chamados de "ouriços" pelos nativos, o fruto da
castanheira é, caracteristicamente, uma cápsula globosa, com uma casca
lenhosa de coloração castanho-escura e superfície espessa e bastante dura.
Têm de 10 a 15cm de diâmetro e pesam, em média, cerca de 900g, podendo
atingir quase dois quilos.
Quando os "ouriços"
amadurecem (de dezembro a março), eles despencam do alto da castanheira,
devendo ser apanhados no chão. Por seu peso e pela altura das castanheiras,
esses frutos, muitas vezes, alcançam o chão com tal força e velocidade que,
dependendo do tipo de terreno, afundam no solo.
Com dimensões e forma equivalentes às de um crânio humano normal, o fruto da
castanheira constitui-se em uma resistente cápsula que não se abre
espontaneamente (para liberas as sementes é preciso romper a sua porção
inferior). Abriga em seu interior, envoltas em polpa amarela, .um número
variado de sementes - entre 10 a 25. Essas sementes, cujo tamanho varia
entre 4 a 7 centímetros de comprimento, por sua vez, têm também uma
casca bastante dura e rugosa e encerram a amêndoa tão procurada.
A Amêndoa
A amêndoa é muito rica
em gordura vegetal de boa qualidade que auxilia na oxidação de gorduras
ruins como o LDL colesterol.
Altamente nutritiva, a
castanha tem tanto valor proteico e calorias que é considerada por muitos
como uma
carne vegetal. Possui de 12 a 17% de proteínas nas castanhas e 46% de proteínas
na farinha sem gordura, enquanto a carne de gado tem de 26 a 31% de proteínas. A proteína da
castanha é quase equivalente à do leite da vaca, contendo aminoácidos
completos. A proteína contida em apenas duas amêndoas equivale à de um ovo de
galinha.
A castanha-do-Brasil também
tem minerais como o fósforo, potássio e vitamina B. Em adição, 100g de
castanha contém 61g de gordura; 2,8mg de ferro; 180 mg de cálcio e 4,2mg de
zinco.
Além de proporcionar energia e proteínas, vitaminas e minerais ao organismo,
a castanha-do-Brasil possui uma impressionante presença de selênio, um
potente antioxidante que protege as células contra os radicais livres, além
de conter bons níveis de Vitamina E.
Na alimentação
Pode ser consumida
fresca ou assada, sendo um tira-gosto muito apreciado em todo o mundo. A
castanha-do-Brasil participa, também, como ingrediente de
inúmeras receitas doces e salgadas. Quando ralada (crua) e misturada com
água obtêm-se um leite usado na culinária que pode até substituir o leite de
vaca
(para saber como fazer o
leite,
clique
aqui).
Da semente também
são extraídos o óleo
e o extrato de castanha-do-Brasil . Com
coloração clara, quase transparente, e o um sabor suave e agradável, o óleo
dá um toque especial
delicioso quando usado em saladas e refogados, bem como em outras receitas
culinárias, Recomenda-se o consumo de 5 a 10 g/dia, equivalente a 1 a 2
colheres de sopa/dia. Cada 1g de óleo equivale a 9 cal. Este produto pode
ser utilizado por adultos e crianças sem qualquer contra-indicação.
Constituintes
químicos: ácido alfa-linoléico, ácido linoléico, ácido oléico, ácido
palmítico, ácido esteárico, antimônio, cálcio, cério, césio, escândio,
esteróis, európio, éter estearina, excelsina, ferro, fósforo, iodo, itérbio,
lantânio, lutécio, oleina, proteínas, samário, selênio, tântalo, tungstênio
e vitamina B.
Composição da castanha-do-brasil
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Composição
para porção de 100 gramas
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Calorias |
729,00 |
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Proteínas |
17,00 g |
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Gorduras |
67,00 g |
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Carboidratos |
7,00 g |
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Tiamina
-Vitamina B1 |
1094,00mcg |
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Riboflavina
-Vitamina B2 |
118,00 mcg |
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Niacina
-Vitamina B5 |
7,71 mg |
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Ácido
ascórbico - Vitamina C |
10,30 mg |
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Vitamina A |
83
U.I. |
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Minerais |
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Água |
5,00 g |
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Fósforo |
746,00 mg |
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Cálcio |
172,00 mg |
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Ferro |
5,00 mg |
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Sais |
3,60 g |
Propriedades medicinais: antioxidante, emoliente, energizante,
hidratante, nutritiva.
Indicações: evitar a formação de radicais livres (o selênio de uma
castanha é maior que a necessidade diária do organismo), fígado, anemia,
hepatite, desnutrição. Esmagadas cruas, servem
para cauterizar feridas. A água
colocada dentro do ouriço, ou a água do umbigo do ouriço, para anemia,
hepatite, desnutrição, malária e como energizante. Na medicina popular a
casca do caule deste vegetal é utilizada como chá ou sumo para o tratamento
de moléstias crônicas do fígado e como antimalárica, e a água do fruto
contra hepatite.
Conservação:
Devido ao seu alto teor
de gordura, a castanha-do-Brasil, assim como o coco, podem adquirir um
paladar rançoso. Para evitar isso, além de ficar atento à data de validade
das embalagens dos produtos beneficiados, convém conservá-las, com casca ou
sem, na geladeira.
A casca das castanhas é
o mais eficiente meio de conservação, protegendo as amêndoas dos agentes
oxidantes, permitindo a manutenção da sua qualidade sem maiores alterações.
Sob refrigeração, a manutenção da qualidade das castanhas em casca e
descascadas é de, pelo menos, 4 meses.
Partes utilizadas:
Castanha (semente)
- pode ser consumida pura ou usada como ingrediente de diversas receitas de
doces e salgados.
Subprodutos:
Leite
Óleo
e extrato
Graças à sua composição graxa, o óleo da castanha-do-Brasil também é
utilizado como matéria-prima na fabricação de produtos farmacêuticos, cremes
de limpeza, hidratantes, batons, sabonetes finos, xampus e condicionadores;
Ouriço - Uso
medicinal. Também é empregada na
fabricação de objetos como cinzeiros, farinheiras e adornos. A entrecasca
fornece uma espécie de tecido natural usado pelos indígenas em suas
vestimentas.
Casca
- Oerece fibras úteis
para calafetar embarcações.
Caule: A madeira
do castanheiro, rija e compacta, serve para construção civil e naval, mas
hoje é ilegal derrubar castanheiras.
Importância Econômica
Após a decadência da
borracha, a castanha-do-Brasil passou a constituir o principal produto
extrativo para exportação da Região Norte do Brasil, na categoria de
produtos básicos. A exploração de exemplares nativos desta árvore é
protegida por lei (Decreto 1282 de 19 de outubro de 1994) e seu fruto tem
elevado valor econômico como produto extrativo florestal, mas não impede seu
plantio com a finalidade de reflorestamento tanto em plantios puros quanto
em sistemas consorciados.
A castanheira-do-Brasil
é uma das mais importantes árvores amazônicas conhecidas e sua exploração
tem um papel fundamental na organização sócio-econômica de grandes áreas
extrativistas da floresta. A colheita e beneficiamento das sementes
constitui importante atividade econômica das populações amazônicas. De
acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
a região amazônica é responsável por 98% da produção nacional da castanha,
atividade que reúne aproximadamente um milhão de pessoas só no território
amazônico. Toda a produção é derivada da exploração dos castanhais nativos,
feita por um tipo de trabalhador da região, o castanheiro. A colheita se faz
de janeiro a julho.
Desde 1980, o Brasil tem
uma produção anual de 40.000 toneladas. Castanhais nativos produzem de 16 a
120 litros de sementes por hectare. Uma castanheira nova produz de 30 a 50
ouriços por ano, enquanto as árvores maduras, de 200 a 400 anos, podem
chegar a produzir 1000 ouriços em apenas um ano. E, ainda, essa alta
produtividade pode ocorrer em anos alternados.
As sementes da
castanha-do-Brasil são objeto de intenso comércio, tendo cotação nas bolsas
mundiais sob as designações de Brazil nuts ou Para nuts. É exportada para
Inglaterra, França, Estados Unidos e Alemanha. Cerca de 20 mil famílias que
moram na floresta extraem e vendem castanhas. O Brasil fornece 75% da
produção mundial de castanha-do-pará, alcançando 45 mil toneladas
anualmente. O comércio internacional é estimado em R$ 32 milhões.
Consumo Interno
O consumo interno, no
entanto, irracionalmente (já que seria um alimento fundamental para combater
a desnutrição no país), é mínimo (cerca de 2% da produção nacional).
Entre as razões para o reduzido consumo, podem estar a baixa qualidade de
conservação das castanhas e a dificuldade de se quebrar a casca. O gosto
rançoso, derivado da má conservação parece ser o principal motivo da
rejeição entre os brasileiros. Mas isso se resolve com mais informação e com
o aprimoramento das técnicas de conservação, o que vem sendo objeto de
estudo de muitos pesquisadores, já com resultados eficientes comprovados.
Realidade da
produção hoje
O resultado da
exploração dos castanhais nativos, alem de servir para o sustento de uma
grande parcela das populações da região amazônica, tem alcançado índices
bastante relevantes no montante das exportações do pais.
No entanto, nos últimos tempos, com o avanço da fronteira agrícola na
Amazônia, milhares de castanheiras tem sido
derrubadas pelas motos serras dos exploradores da madeira, pois, alem dos
valiosos frutos, a castanheira produz valiosa madeira. Apesar de ilegal,
este comércio vem causando uma significativa redução dos castanhais
nativos, especialmente na região conhecida como Polígono dos Castanhais,
no Estado do Pará.
Em contraponto, outras localidades, no Acre e em Rondônia, por exemplo,
vivem experiências muito bem sucedidas de exploração racional dos frutos
da floresta. Ali, com o estabelecimento das chamadas reservas
extrativistas, os trabalhadores, organizados em cooperativas, fazem a
coleta da castanha e cuidam de seu pré-processamento, armazenando
grandes quantidades. Assim, podem negociar diretamente com os grupos
nacionais e estrangeiros interessados e conseguem obter melhores valores
por seu produto.
Mas não e só isso: experimentos desenvolvidos pelo Centro de Pesquisa
Agro Florestal da Amazônia Oriental, da EMBRAPA de Belém do Pará, tem
demonstrado que, ao lado de outras essências florestais, a castanheira-do-Brasil
é excelente alternativa para o reflorestamento de
áreas degradadas de pastagens ou de cultivos anuais. Assim, espera-se
que, motivados pelos lucros advindos tanto da produção de frutos como da
extração racional de madeira reflorestada, muitos proprietários e
investidores se voltem para o cultivo da castanha-do-Brasil, deixando os
castanhais nativos e seculares em paz.
FONTES:
Embrapa
Wikipédia
Enciclopédia Britânica
Vitalatman
Biblioteca Virtual do
Estudante Brasileiro - USP
Herbário
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Receita com
CASTANHA-DO-BRASIL:
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