História
Virgínia Brandão
No Brasil comemoramos o Dia dos
Namorados no dia 12 de junho. Na Europa e na América do Norte, essa
festa é tradicionalmente comemorada no dia 14 de fevereiro, dia de São
Valentim.
A Igreja Católica reconhece três santos com o nome de Valentim, mas o
santo dos namorados parece ter vivido no século 3, em Roma.
Era um sacerdote cristão
contemporâneo do imperador Cláudio II, que queria constituir
um exército romano grande e forte, mas não conseguiu atrair
muitos soldados, porque os homens não se dispunham a
abandonar as suas mulheres e famílias e partirem para a
guerra. Assim, o imperador proibiu os casamentos entre
jovens e Valentim, revoltado com a injustiça do decreto,
resolveu realizar casamentos secretos. Quando foi
descoberto, foi preso, torturado e decapitado a 14 de
fevereiro de 270 d.C. Enquanto esperava a execução, Valentim
apaixonou-se perdidamente pela filha cega do seu carcereiro
e, sustentado pela sua profunda fé religiosa e pela
intensidade dos seus sentimentos, devolveu-lhe
milagrosamente a visão. Em 498 d.C., o Papa Gelasius
nomeou-o santo e o dia 14 de fevereiro passou a lhe ser
consagrado.
Mas o dia de São Valentim está tão ligado à religião quanto
aos rituais pagãos de um passado ancestral. Como muitas
outras datas comemorativas católicas, sua origem está na
Roma Antiga, nas festas pagãs de Lupercália, que aconteciam
em 15 de Fevereiro (no calendário romano, fevereiro era
oficialmente o início da Primavera e era o tempo de
purificação). O festival era dedicado a Lupercus (o deus
pastoral romano protetor dos rebanhos e da fertilidade) e a
Juno (deusa romana do amor, das mulheres e do casamento) e
buscava assegurar a fertilidade, a purificação e a proteção
contra todos os males. Na véspera desse dia, eram colocados
em recipientes pedaços de papel com o nome das raparigas
romanas. Cada rapaz retirava um nome, e essa rapariga seria
a sua "namorada" durante o festival (ou, eventualmente,
durante o ano que se seguia, acabando até em casamento!).
Como aconteceu com muitas outras festas pagãs, a Lupercália
também foi 'cristianizada', substituindo-se os jogos e
celebrações pagãs por ritos e santos Cristãos. Deste modo, a
transição de uma religião para outra era menos traumática,
aumentando sua aceitação. São Valentim foi o escolhido para
essa transição, tornando-se o patrono dos enamorados.
No século 17, ingleses e franceses passaram a celebrar o Dia
de São Valentim como o dia da união dos namorados e
pretendentes passaram a trocar bilhetinhos de amor e
presentes. Um século depois, a data foi adotada nos Estados
Unidos. Canadenses, mexicanos e australianos também mantêm a
tradição: no dia 14 de fevereiro os casais participam de
missas e trocam presentes, pedindo proteção e felicidade ao
santo. Mas, ao contrário da versão brasileira do dia de São
Valentim, o nosso Dia dos Namorados, é comum nos países
europeus as pessoas presentearem não somente seus
namorados(as), mas aqueles que gostam, como mães, pais,
irmãos, amigos.
No Brasil
No Brasil, apesar de ser
comemorado às vésperas do dia de Santo Antônio, o famoso
santo casamenteiro, tudo começou com uma campanha realizada
em 1949 pelo publicitário João Dória - na época na Agência
Standard Propaganda - sob encomenda da extinta loja Clipper.
Para melhorar as vendas de junho, então o mês mais fraco
para o comércio, e com o apoio da Confederação de Comércio
de São Paulo, instituiu a data com o slogan: "Não é só de
beijos que se prova o amor".
A Standard ganhou o título de agência do ano e a moda pegou,
para a alegria dos comerciantes. Desde então, 12 de junho se
tornou uma data especial, unindo ainda mais os casais
apaixonados, com direito a troca de presentes, cartões,
bilhetes, flores, bombons....uma infinidade de opções para
se dizer "Eu Te Amo!".
No resto do mundo
Nem todos os países comemoram o Dia dos Namorados como nós
fazemos. Na Itália, as pessoas fazem um grande banquete no
dia 14 de Fevereiro. Na Inglaterra, as crianças cantam
canções a recebem doces e balas de frutas de seus pais. E na
Dinamarca, as pessoas mandam flores prensadas umas às
outras, chamadas "flocos de neve".
No Japão o Sei Barentain Dee (Dia de São Valentim) é
reservado especialmente para as mulheres declararem amor aos
seus amados. O presente mais tradicional é o coração de
chocolate, feito pela própria moça. Também é comum oferecer
presentes aos superiores do local de trabalho, veteranos e
até mesmo para colegas da escola que freqüenta. Estes são
chamados de giri tyoko, ou seja, chocolate de cortesia. Em
contrapartida o homem deve retribuir a esta gentileza um mês
depois, na ocasião do "White Day" (white, por responderem à
cortesia presenteando com chocolate branco), enviando
chocolate branco, marshmallow ou ainda biscoitos.
Nos Estados Unidos, nos dias que antecedem o 14 de
fevereiro, lojas de cartões, livrarias, lojas de
departamentos e drogarias oferecem uma grande variedade de
cartões comemorativos chamados Valentines. Os adultos
costumam comprar cartões para acompanhar presentes mais
elaborados como doces, flores ou perfumes. Nas escolas as
crianças costumam comprar ou fazer cartões para seus amigos
e professores.