Sergio Frota
Como profissional do mercado de equipamentos para
Cozinhas Profissionais eu estava sempre competindo com a Elvi nas
negociações. O rápido crescimento da empresa e o espírito de união da equipe
chamavam minha atenção. Além disso, eu queria saber por que razão a empresa
teria o nome Elvi. Tinha, também, curiosidade a respeito da história da
empresa.
Um dia, fui convidado a me juntar à Elvi e, quando aqui cheguei, em
fevereiro de 2007, de imediato eu entendi que muito desse rápido crescimento
está fundamentado no espírito de equipe cultuado na empresa. Perguntei os
motivos da escolha do nome e fiquei fascinado pela história que me contaram.
Tudo começou quando um jovem espanhol chamado José Sola Callejo, nascido
antes da 2a. Grande Guerra Mundial, conheceu as dificuldades de viver sob
aquele conflito e, também, da Revolução Franquista. Ele trabalhava como
técnico em refrigeração comercial e, com 27 anos, era o responsável por uma
oficina onde desenvolvia, fabricava e mantinha equipamentos de refrigeração
comercial.
Como boa parte dos jovens, era idealista e inconformado com o regime
político vigente na Espanha sob o jugo do Generalíssimo Franco. Ele decidiu
deixar sua terra, seus amigos, seus bens, suas raízes e partir para uma nova
vida em lugar desconhecido. Escolheu a Argentina.
Com um mínimo de dinheiro no bolso, grandes sonhos na cabeça e muita coragem
ele embarcou no navio que o levaria para Buenos Aires, mas felizmente para
nós o acaso mudou os seus planos. O navio chegou ao porto do Rio de Janeiro
com avarias mecânicas e teve que permanecer atracado por alguns dias. Foi o
suficiente para José dar umas voltas pela Cidade Maravilhosa, perceber a
riqueza do nosso País e sentir que o verde e amarelo do Brasil encantavam
seu coração.
Em suas andanças, notou que o lixo depositado por toda a área do porto e
imediações era muito rico. Via a riqueza que era jogada fora e se lembrava
da escassez que tinha conhecido na Espanha.
Desembarcou, viu o navio zarpar para a Argentina e se colocou pronto para
começar uma nova vida. Conseguiu um emprego em um "ferro velho",
trabalhando na manutenção de máquinas, mas isso durou pouco tempo. Ele não se
adaptou ao clima quente da cidade. Mudou-se, então, para São Paulo, onde conheceu
uma moça chamada Leontina. Os primeiros momentos de convívio foram
suficientes para decidirem que passariam juntos toda a vida. Em 6 meses já
estavam casados. Tiveram 2 filhos, José e Margarete.
Seu primeiro trabalho foi na fábrica de sorvetes da Kibon, que chegava ao Brasil àquela época. Durante 8 anos, ele cuidou da fabricação e manutenção das
primeiras geladeiras que ficavam nos pontos de vendas dos sorvetes. Mais
tarde, fez o mesmo trabalho para a Coca Cola e trabalhou, também, na Chiclettes
Adams, sempre cuidando de refrigeração.
José era um homem inquieto e empreendedor. Há 55 anos, começou a trabalhar
por sua própria conta também. Montou uma oficina para manutenção das geladeiras e
conservadoras de sorvetes da Kibon e dos refrigerantes da Coca Cola, onde
trabalhava todas as noites, por várias horas depois de sua jornada de
trabalho na Chiclettes Adams. A esposa Leontina era "o seu ajudante". Nessa
época, ele iniciou o filho Zezinho, com 11 anos, no trabalho com
refrigeração. Depois de muito trabalho, eles começaram a fabricar vitrines
refrigeradas.
O sonho de ter sua própria empresa passou a fazer parte dos seus
pensamentos. Ele acreditou que conseguiria. A esposa ajudou nas economias
domésticas e juntos mergulharam nessa empreitada. Foi quando nasceu a
Solaska. Mais tarde, a empresa já instalada em São Bernardo do Campo,
recebeu o nome de Refrigeração Rudge. Depois, o nome foi mudado para Elvi em
homenagem a sua mãe, Elvira, que tinha ficado na Espanha.
Seguindo seu exemplo, o filho Zezinho também colocou seus 2 filhos, ainda
muito jovens, para trabalhar. Desde os 11 anos, eles se empenharam nesse
projeto familiar. Eles estudavam pela manhã e à tarde trabalhavam na
oficina. Tiveram o privilégio de trabalhar por muitos anos ao lado do pai e
do avô - 3 gerações trabalhando juntas e unidas pelos mesmos sonhos e
mesmos ideais.
Há 12 anos a Elvi começou a vender balcões refrigerados para empresas
montadoras de cozinhas profissionais, que hoje são suas concorrentes. Com o
tempo, passou a fabricar outros itens para as cozinhas e acabou surgindo uma
oportunidade de entrar nesse mercado.
No começo, foi muito difícil, porque passou a concorrer com os seus próprios
clientes. Mas, com perseverança, enfrentou os desafios e conseguiu conquistar
os seus primeiros clientes importantes. Um dos primeiros, foi a rede de
Supermercados Pão de Açúcar, que foi trazida pelo amigo Walter Vale. Depois,
vieram outras redes de Supermercados, como o Wal Mart e o Carrefour.
Logo, ficou evidente a necessidade de mais conhecimento a respeito do mercado das
cozinhas profissionais, deficiência essa, que foi resolvida com a contratação
do João Cambaúva, profissional com vasta experiência no mercado de São
Paulo. Em pouco tempo, ele montou um Departamento Comercial com vários
vendedores técnicos. Nesse ponto, a empresa passou a participar das
principais feiras do setor realizadas no Brasil e o nome da Elvi começou a
ficar conhecido.
Logo depois, a Elvi entendeu que havia chegado o momento de participar do
mercado público e decidiu montar um departamento exclusivamente para esse
fim. Essa tarefa está a cargo do Abino Firmino da Silva, que montou uma
estrutura onde também está o Jorge Luiz Padin, um velho amigo da família,
que corre o Brasil participando de licitações.
Com o crescimento da participação no mercado,
foi necessário ampliar e
reequipar a fábrica. A
indústria expandiu-se por outro galpão anexo, também de propriedade da
família e, ainda, foi adquirido mais um galpão nas proximidades, onde são
fabricadas as vitrines expositoras. Foram instalados equipamentos
modernos, monitorados por computadores, para fazer o corte do aço
inoxidável, a principal matéria prima, e dobradeiras equipadas com controle
digital. Alem disso, a Elvi dispõe de todos os demais
equipamentos indispensáveis em uma planta industrial moderna. Tem sido dada
muita ênfase ao treinamento e todos os colaboradores são incentivados a
crescer como profissionais e como pessoas.
Na Elvi, as mulheres ocupam papeis importantes. Elas atuam em todos os
setores e recebem tratamento especial. Como profissionais, logicamente, têm
os mesmos direitos dos homens e, como mulheres, são tratadas com carinho
especial. São mulheres como a Dona Elvira que empresta seu nome para a
empresa.
Agora, uma nova fase se inicia. As fronteiras do crescimento do Brasil estão
se alargando por esse imenso território e, para conquistar esses novos
horizontes, muitos parceiros têm que ser encontrados e conquistados nos mais
diversos e distantes pontos do País. Para isso, foi montado, então, um Departamento de
Expansão e essa missão foi confiada a mim, que terei o privilégio de viajar
por todo o Brasil divulgando a empresa, identificando e desenvolvendo
oportunidades de negócios.
Hoje, a Elvi é uma realidade,
comandada em conjunto
pelo, José Sola Bertini, "Zezinho para os amigos", filho do fundador, seus 2
filhos, Cristiano e Luciano. e, também, por um grupo de profissionais
competentes que passaram a fazer parte da família Elvi. Uma família feliz, fruto de um sonho, de
muito trabalho e do espírito de união dos seus muitos colaboradores -
impossível mencionar todos. E, a partir deste ano, a Elvi adotou uma nova
identidade visual - em homenagem ao amor que o fundador, José Sola Callejo, sempre sentiu pelo verde e amarelo
do Brasil, as cores da bandeira brasileira foram incorporadas à marca da
empresa.
"Respeitar os Clientes, os Colaboradores, os Fornecedores e a Comunidade"
são valores que eram cultuados por José Sola Callejo
e são pontos de honra para a Família Elvi.