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O Rei
dos Mares do Norte
Virgínia Brandão
Alimento milenar, consumido por todo
o planeta, o bacalhau é um peixe elegante, ativo, robusto e resistente, cuja carne
branca, de textura firme e paladar inigualável, ganha diferentes nuances
de sabor de acordo com a forma como é preparado e a combinação de
ingredientes de cada receita.
Um peixe ou um processo de cura?
Alguns autores afirmam que foi na Espanha, no começo do século 16, que surgiu o termo "bacalao"
para batizar o peixe do gênero Gadus e da ordem dos Gadiformes,
pertencente à família Gadidae - cientificamente designado de Gadus
morhua L. Em português, língua com a qual, na verdade, ele acabou
ganhando o mundo a bordo das caravelas portuguesas que cruzaram os
oceanos, ele virou "bacalhau".
E assim foi por séculos - bacalhau
era o Gadus morhua salgado e seco e ponto final. Da mesma forma, por
séculos, esse peixe majestoso, que muitas lendas apresentam como "rei
dos mares", abundou nas águas geladas do Atlântico Norte e parecia que
seus enormes cardumes jamais teriam fim. Existia em tal quantidade, que
se tornou um alimento popular, barato e acessível a uma parcela da
população que raramente podia comprar peixe fresco. Além disso, seu
sabor era mais agradável do que o de outros peixes salgados.
Mas o tempo passou e muita coisa
mudou. A pesca indiscriminada acabou por provocar
o que parecia impossível - a redução dramática dos estoques do Gadus
morhua nos oceanos, a ponto de hoje ele constar da "Lista
Vermelha" de animais ameaçados de extinção como "vulnerável", e sua
população ter chegado aos níveis quantitativos mais baixos da História.
Com isso, o preço do velho e bom
bacalhau foi aumentando muito ao longo do tempo, restringindo o consumo
popular. Vários outros peixes, parecidos mas muito diferentes,
gastronomicamente inferiores, também começaram a ser chamados de
bacalhau por serem vendidos salgados e curados. Assim, embora continue,
por direito, a pertencer ao Gadus morhua, hoje o nome "bacalhau" é muito
mais associado do processo de beneficiamento do que ao peixe em si.
Seja como for, mesmo com tantos "fakes",
já não em tanta quantidade, nem mesmo tão grandes como costumavam ser já
que a pesca sistemática não permite que cresçam tanto, o legítimo
bacalhau Gadus Morhua continua uma iguaria nobre, amada e desejada nos
mais de 200 países que o importam da Noruega, seu mais tradicional e
maior produtor.
Produto de terroir
O termo "produto de terroir", de uma
forma geral, é bem familiar aos amantes da boa mesa - refere-se a
produtos que são o que são por um conjunto de fatores muito específicos
de sua região de origem, como clima, solo, localização, cultura e
tecnologia - cultura e tecnologia, nesse caso, relacionadas, sobretudo,
aos hábitos, tradições e saberes do homem que ali vive. O conceito nos
foi passado pelos franceses que, mais do que ninguém, souberam e sabem
valorizar as peculiaridades do seu território e de seus frutos,
principalmente no que tange à gastronomia.
Como "produto de terroir", é-nos
familiar pensar em vinho, champagne - esse, então, é um exemplo clássico
-, em destilados, no foie gras, nas trufas, queijos. Mas, alguma vez
você pensou no bacalhau como um "produto de terroir"? Provavelmente,
não. Mas é. Um produto muito específico, cuja existência resulta de
circunstâncias, também, muito específicas (e muito interessantes) como
veremos a seguir.
Por isso, sempre que se vir diante de
uma bela posta de bacalhau, tenha em mente estar, decididamente, frente
a uma iguaria muito, mas muito especial, uma jóia gastronômica com que
nos presenteou a natureza e a inventividade humana.
O peixe
O Gadus morhua L é encontrado
nos límpidos e gelados mares do Círculo Polar Ártico, com a maior
parte da sua população mundial distribuindo-se pelos mares
atlânticos da Noruega, Islândia, Rússia, Groenlândia e Canadá (Terra
Nova e península do Labrador)
(clique
aqui e veja no mapa).
Supõe-se que o bacalhau evoluiu para
suas formas atuais há cerca de 120 milhões de anos, no mar de Tétis, um
mar tropical que corria ao redor da Terra de Leste para Oeste e
conectava todos os outros oceanos. O Tétis acabou por fundir-se com um
mar do norte, e o bacalhau tornou-se um peixe do Atlântico Norte. Mais
tarde, quando a ligação terrestre entre a Ásia e a América do Norte se
rompeu, o bacalhau chegou até o Pacífico Norte.
Peixe osteíctio (dotado de esqueleto
ósseo), o bacalhau tem o corpo comprimido lateralmente,
com três barbatanas dorsais arredondadas e duas ventrais. A barbatana
caudal é ligeiramente côncava ou chanfrada. Durante a
época de reprodução, os machos galanteiam as fêmeas através da exibição
das barbatanas e da emissão de ruídos - um tipo de comunicação
rudimentar, que inclui alguns sons que atraem as parceiras e as mantêm
afastadas dos machos rivais.
Vive em
grandes profundidades (de 60 a 500 metros) e
ascende de forma periódica, apesar de nunca se aproximar muito da
superfície.
Apesar dos dois grandes olhos, o
bacalhau quase não enxerga, como acontece com todos os seres que vivem
em águas profundas. Mesmo assim, ele é um exímio caçador, já que a
natureza o dotou de mecanismos compensatórios. O primeiro deles é o
barbilho, um apêndice
carnudo, táctil e gustativo, localizado na sua proeminente mandíbula
inferior, que é útil na detecção de presas. Outro, é uma linha lateral
bem perceptível, que se estende ao longo do corpo, que é um órgão
sensorial, constituído por células que se comunicam com o exterior através
de pequenos poros. Funciona como uma espécie de tato à distância,
proporcionando informações sobre o que se passa à sua volta.
Sua cor varia
consideravelmente, do amarelo ao marrom ou do verde ao cinza, pois o bacalhau se adapta às condições das
áreas em que vive: no mar escuro próximo a Islândia, eles são marrons
com manchas amarelas; mas em apenas dois dias nadando em um oceano
iluminado, eles ficam tão claros que até parecem albinos. Nas zonas costeiras e de algas, são
avermelhados ou ligeiramente pardos; em zonas de ervas marinhas,
esverdeados, e cinza claro ou acastanhados nos fundos de areia e zonas
rochosas muito profundas. O dorso e os lados do corpo têm
numerosas e pequenas manchas arredondadas, acastanhadas avermelhadas e o
ventre é pálido.
Forma cardumes numerosos e, dono de
um apetite voraz, nada de boca aberta, engolindo tudo o que encontra
pela frente - moluscos de concha e polvos,
peixes, larvas crustáceos e,
inclusive, os seus próprios filhotes. Por outro lado, ele é um dos alimentos
preferidos dos tubarões.
Caráter migratório
Uma das principais características do
bacalhau é ser um animal
estenotermo, que não suporta grandes variações de temperatura, precisando viver, sempre, entre 2º e 10ºC.
Por isso, conforme a água de onde ele esteja esquente ou esfrie além
dessas temperaturas, ele migra em busca de outras águas que lhes sejam
propícias,
chegando a percorrer 5 km por dia. Essa característica define não só o
seu caráter migratório, como influi diretamente na forma como ele se
reproduz - sendo essa, a sua grande capacidade reprodutiva e as
peculiaridades em que isso se dá, outra das fundamentais características
desse peixe fabuloso.
Fertilidade excepcional
A fertilidade excepcional e o
crescimento rápido são duas características que destacam o bacalhau
entre as outras espécies de peixe. A desova acontece
uma vez por ano, – entre janeiro e abril - e cada fêmea,
conforme seu tamanho, chega a colocar de 500 mil a 10 milhões de ovos
por vez, embora poucos escapem dos ataques de aves e peixes (estima-se
que em torno de 1% sobreviva). O desenvolvimento embrionário é de
duas a quatro
semanas, dependendo da temperatura da água e nascem com cinco milímetros. Os
filhotes vivem na superfície algumas semanas, antes de procurarem o
fundo. Os que sobrevivem alcançam 40cm de comprimento em dois anos; aos 10 anos já medem
mais de 1 metro e pesam acima de 15 quilos; aos 20, passam
de 1,50m e dos 20 quilos. Pode viver de 15 a 30 anos, chega a medir
dois metros e pesar até 50 quilos. Os exemplares comerciais do Gadus
morua variam entre 1 e 13 quilos.
O peixe atinge a idade adulta aos quatro anos, mas, só a partir dos
seis, a fêmea chega à maturidade reprodutiva e passa a, anualmente,
migrar em busca de
águas mais quentes, com temperaturas entre 4 e 6ºC, para procriar.
Arquipélago de Lofoten
Todos os anos, no final do outono no
Hemisfério Norte, quando o gelo começa a tomar conta dos mares do
Ártico, os bacalhaus Gadus
morhua adultos, em idade de procriação migram em direção a um único
destino - o Arquipélago de Lofoten, na região Noroeste do Mar da
Noruega. Ali, a natureza, talvez por capricho, faz acontecer a maior
anomalia térmica planetária em relação à latitude e, mesmo a um grau
acima do Círculo Polar Ártico, acontece um clima ameno, muito diferente
de outros locais que lhe estão paralelos no Globo, como o Alaska e a
Groenlândia.
O "milagre" do clima das Lofoten se
dá pela Corrente do Golfo (Gulf Stream), uma gigantesca e
potente circulação de água quente que se desloca rapidamente por
milhares de quilômetros, indo do Golfo do México, zona do Equador, em
direção ao Pólo Norte, transportando o calor para toda a Europa
ocidental. Chegando ao Mar da Noruega, a água da Corrente do Golfo, mais
quente e mais salgada, encontra as águas frias e menos salgadas vindas
do pólo; sendo mais densa devido à sua maior salinidade, ela desce em
direção às profundezas do oceano e é em busca dela que os bacalhaus
rumam para o arquipélago.
Por mais de 1000 anos, as ilhas têm sido um grande centro
pesqueiro de bacalhau, particularmente no inverno, quando a chegada dos
primeiros cardumes ao arquipélago, em meados de dezembro, é
aguardada com ansiedade e
festejada por toda a população local que chega a quintuplicar com a
vinda de pescadores profissionais e amadores, também em levas, como os
peixes.
Noruega é o país do bacalhau
A Noruega é o principal
e mais tradicional produtor de bacalhau do mundo e, como pudemos ver
acima, não bem porque tenha escolhido isso, mas por ter sido eleita por
eles, os peixes, como terra, ou melhor dizendo nesse caso, acqua
mater.
O bacalhau da Noruega, também
conhecido como bacalhau-do-Atlântico, representa 50% do bacalhau à venda
no mercado mundial hoje. Textura, sabor, aroma prolongado, entre outras
propriedades, fazem dele um produto altamente apreciado e utilizado nas
confecções culinárias de diversas culturas.
A exportação do bacalhau é a segunda
maior atividade econômica da Noruega, ficando atrás apenas da exploração
e comercialização do petróleo. Para representar essa ativa indústria
pesqueira no resto do mundo, o Ministério Norueguês da Pesca criou, em
1º de julho de 1991, o Conselho Norueguês da Pesca (CNP). O órgão,
financiado pela indústria pesqueira norueguesa, conta com escritórios de
representação em 10 países - o Brasil é um deles (1993) - e é
responsável por todo o trabalho de marketing dos produtos do mar da
Noruega.
Os noruegueses correspondem à
preferência do peixe pelas suas águas consumindo-o tanto fresco quanto
em qualquer forma de beneficiamento. Apreciam, principalmente, o
lombo, de carne espessa e firme (e quem não aprecia, não é mesmo?). Adoram e utilizam muitas receitas portuguesas, povo com quem possuem um
longo laço de convivência e ao qual, inclusive, se atribui a origem de noruegueses
com traços ibéricos em algumas regiões pesqueiras muito
freqüentadas pelos pescadores lusos de antigamente.
A cidade
norueguesa de Aalesund é conhecida como a capital mundial do bacalhau -
estão lá as maiores indústrias de transformação e um dos
principais portos de exportação. Essas empresas fazem a seleção e o
manuseio de sua preciosa carne e dos valiosos subprodutos, entre eles
fígado e ovas, e, também, dos nem tão caros, como a cabeça.
O Processamento do Peixe
A carne do Gadus mohrua chega aos
mercados consumidores em quatro condições: fresca (codfish), seca sem salga
(stokfish), seca
e salgada (bacalhau), salgada sem cura (verde) e defumada. Dependendo da
condição em que será vendida, existe uma técnica para o seu
processamento. Muitas das técnicas utilizadas no seu processamento são
milenares.
O peixe fresco
O peixe fresco só é distribuído para
a Europa, primeiramente para a Noruega, Dinamarca, Suécia e Holanda,
países que estão próximos das áreas de produção, e, depois, e isso é
coisa recente, para os restantes. O mais aguardado é o que eles chamam
de Skrei, que é o Gadus Mohrua já adulto, pescado em Lofoten
depois de migrarem do Ártico para o mar da Noruega para se procriarem.
O Bacalhau verde
Duas horas depois de pescado, o
bacalhau é descarregado nas fábricas situadas nos cais dos portos.
Segue-se a degola e limpeza das tripas. Já sem cabeça e vísceras, o
peixe é lavado e segue para uma máquina de escalar, que o espalma,
retirando dois terços da espinha central. É empilhado em grandes fardos
com sal entre cada camada. Estes fardos permanecem assim durante oito
dias. Está pronto o bacalhau verde (com pelo menos 16% de sal e 51 a 58%
de umidade), que é exportado, sobretudo para Portugal, onde será
submetido ao processo de secagem.
Stockfish - o peixe seco no Ártico
O mais nobre bacalhau produzido no
arquipélago de Lofoten é o stockfish. Seco ao vento frio do Ártico por
três meses, não tem seu corpo aberto nem recebe sal, tal como o
conhecemos no Brasil. Descartadas cabeça e vísceras, os peixes são
amarrados dois a dois pelo rabo e pendurados em estruturas de madeira,
os jellers (pronuncia-se yélers), espalhadas por toda parte em Lofoten.
Chamado também de torfisk, chega a perder até 77% de seu peso ao longo
do período em que permanece exposto ao vento. Por esse motivo, seu preço
vai às alturas. Considerado pelos noruegueses um must, seu consumo acaba
restrito aos países europeus de alto poder aquisitivo, sendo a Itália
seu maior importador. Em Roma, o quilo do stockfish (ali denominado
stocafisso ou pesce bastone) de primeira classe pode ultrapassar os 50
euros.
Mesmo depois de seco ao ar livre, o
bacalhau não perde o teor de proteínas, em torno de 18%. Ao contrário,
aumenta-o, uma vez que a água se evapora e o peso diminui. Assim, o
peixe pode ser estocado por até três anos sem que suas qualidades
nutricionais se alterem.
O bacalhau salgado e seco
A salga é uma mais antigas técnicas de
conservação de alimentos utilizados pelo homem. O
método se baseia na utilização do sal que, em
concentração adequada, diminui, ou até mesmo
impede, a decomposição do alimento pela ação
de microrganismos. Na salga a ação do sal é
dupla - desidratar o pescado por diferença
de pressão
osmótica entre o meio externo e interno, e
penetrar na carne, baixando a atividade de água.
O tempo em que os pescados são mantidos em
contacto com o sal ou salmoura é conhecido como
tempo de salga.
A secagem natural,
após a salga, também é um dos mais primitivos métodos de preservação de
alimentos, tendo, desde a Antiguidade, sido um dos recursos econômicos
mais importantes das populações, incrementando as trocas comerciais,
proporcionando o aumento da produção alimentar a partir de economias de
escala e, obviamente para o caso do pescado, sustentando o
desenvolvimento da pesca.
Os procedimentos são
simples e rotineiros. Desde a exposição do peixe ao ar, depositado sobre
o solo pedregoso ou com coberto vegetal rasteiro, à exposição solar
sobre tabuleiros ou sobre estacaria de madeira, várias foram as opções
para idênticos resultados. A secagem é, genericamente, a série de
operações necessárias para extrair uma grande parte de água de
constituição dos tecidos, num nível que a salga ainda não conseguiu,
aumentando por isso a conservação do bacalhau. A desidratação do
pescado, tão rápida quanto possível, é o aspecto
fundamental a ser conseguido, fato para o qual se utilizava em primeiro
lugar a salga. O bacalhau, quando fresco, tem cerca de 80 a 83% de água.
Seco, terá cerca de 45% de teor em água, com um teor de sal até 20%.
A salga do
bacalhau
Dizem os portugueses que "bacalhau não é peixe nem
carne; bacalhau é bacalhau". E, de certo modo está correto,
porque, como já vimos, bacalhau passou a ser a designação genérica para
diversos peixes submetidos ao processo de conservação de salga e cura
(secagem).
O Gadus mohrua é o mais famoso e,
indubitavelmente, o melhor peixe para ser submetido ao processo de salga
e cura e, aí, virar um bacalhau. Mas, não é o único.
Outros peixes, aparentados com ele,
também se prestam ao processo - os mais conhecidos são o Cod Gadus
Macrocephalus, chamado no mercado de bacalhau do Pacífico, o parente
mais próximo do mohrua; o Saithe (o escamudo dos portugueses), o Ling e
o Zarbo.
O Pirarucu, peixe típico da Amazônia,
também se presta muito bem ao processo e é vendido salgado e seco no
Norte do Brasil e por isso, muitas vezes chamado, equivocadamente, já
que não tem o menor parentesco com o legítimo Cod, de bacalhau
brasileiro. O peixe que, por justiça, pode ser chamado de "bacalhau
brasileiro", por ser, realmente, um aparentado do Gadus morhua, mesmo
que distante, é a Abrotéa. Mas, essa, normalmente, é vendida fresca por
aqui; portanto, a menos que seja salgada e seca, nem ela pode ser
chamada de bacalhau.
Ainda no Norte e Nordeste
brasileiros, o peixe conhecido como Tarpão (ou Pirapema, ou Camarupim -
o tarpon atlanticus) é apreciado e sua carne tem sido salgada e
exportada, a exemplo do pirarucu amazônico. È de grande porte, podendo
pesar mais de 50 Kg.
Pela legislação, apenas o Cod Gadus Morhua, o Legítimo Bacalhau, e o Cod Gadus Macrocephalus,
o bacalhau do Pacífico, ainda que a semelhança com o primo nobre seja
apenas na aparência, podem utilizar a designação Bacalhau. Os demais deverão receber a designação "peixe
salgado seco" ou "peixe tipo bacalhau".
O
procedimento
O processo de salga do bacalhau dura,
aproximadamente, um mês. Inclui as seguintes
fases:
1- remoção da cabeça, das vísceras,
da coluna vertebral e a abertura do corpo, dando ao peixe o aspecto
triangular, já familiar entre os brasileiros.
2- lavagem para eliminar resíduos de
sangue, em tanques com água do mar, num trabalho totalmente manual.
3- empilhamento do peixe em sal
grosso, dentro de grandes recipientes, onde ficam semi-submersos na água
que a própria carne vai soltando, por cinco a sete dias.
4- retirada dos peixes dos tanques e,
depois de bem escorridos, empilhamento dos mesmos sobre pallets de
madeira, intercalados com camadas de sal grosso - dessa vez, menos do
que na primeira etapa, onde descansarão por mais 20 dias. Conforme o
tamanho e a espessura do peixe, chega-se a trocar o sal mais de uma vez.
5- após esses dois processos de
salga, o peixe é desidratado. Hoje, praticamente, o processo de secagem
passou a ser feito em estufa mais do que ao sol. Diz-se que a secagem ao
sol permite uma seca mais regular. No entanto, são poucos os industriais
que concordam com essa situação. A secagem ao sol é eficaz até à
primavera quando o sol ainda não é intenso, pois expor o bacalhau a
temperaturas superiores a 24ºC é correr o risco de queimar as partes da
carne e da pele. Para uma secagem de sol eficaz, são necessárias cerca
de 10 a 15 semanas. Na estufa consegue-se uma secagem perfeita no espaço
de três a cinco dias, uma vez que a passagem do ar é contínua e a
temperatura sem oscilações. A higiene é um outro fator favorável nas
estufas, já que o bacalhau não está exposto à poluição, aves, insetos e
outras intempéries. A mão-de-obra necessária em estufa também é
consideravelmente menor. Entretanto, alguns apreciadores do peixe alegam
que a secagem em estufa deixa a cor do Gadus Morhua
mais clara e com o sabor nem tão
concentrado.
Em muitos casos, essa etapa de
secagem acontece no país comprador.
6. seco o peixe, ele segue para o controle de
qualidade onde é pesado, embalado e
exportado em containers refrigerados
entre 2 e 4 graus, que, no caso do
Brasil, levam 3 semanas
de navio para chegar aqui.
Todo o processo de transformação é
natural, não utilizando nenhum produto químico ou conservantes, o que
permite a conservação integral de seus nutrientes.
A salga permite
conservar o
bacalhau muito tempo a uma temperatura ambiente.
Antes de cozinhar o bacalhau, é preciso demolhar
o peixe em água para retirar o sal e hidratar a
carne novamente. Espanha, Portugal, Grécia,
Estados Unidos, Brasil e Nigéria o consomem dessa forma.
Aproveitamento total
Do bacalhau, como do
porco, praticamente, tudo se aproveita. Por isso, na gíria, ele é
conhecido como "porco do mar". E, realmente, ele faz jus ao apelido: a carne é consumida fresca, seca - com salga ou sem
salga, ou
defumada. A língua e as ovas, também, são consideradas iguarias; do
fígado se extrai um óleo, amplamente
utilizado como fonte das vitaminas A e D, e da bexiga se faz
alguns tipos de cola.'
As ovas
A temporada de pesca coincide com a
da desova e, por isso, muitas fêmeas, são capturadas antes de desovar.
Nesse caso, separam-se e lavam-se
as ovas em água doce, em seguida, são dispostas dentro de barricas de
madeira, intercaladas com uma salga composta de 70% de sal e 30% de
açúcar. Permanecem ali curtindo por um a dois anos. Os países
escandinavos as consomem cozidas, freqüentemente como recheio em pratos
à base de peixe. As ovas também são processadas na forma de caviar e
exportadas para o Japão.
O fígado
Apesar de possuir valor bem
inferior ao das ovas, o fígado de bacalhau sempre encontrou mercado
garantido para a produção do notório (e odiadíssimo pelas crianças
obrigadas a tomá-lo) óleo de fígado de bacalhau, ao qual
se atribui qualidades benéficas à saúde. Além do óleo, vende-se o fígado
enlatado, conservado em azeite, e exportado para diversos países,
principalmente os asiáticos. Também é largamente utilizado na culinária
norueguesa, em diferentes combinações e usos, como molhos para pratos de
peixe. Até há pouco tempo, os islandeses comiam a vesícula seminal e o
esperma do bacalhau. Ainda hoje têm o costume de cozinhar o peixe com o
estômago recheado com o próprio fígado, para saboreá-lo como embutido.
A cabeça
A cabeça segue para vários destinos.
Uma parcela ínfima vai para restaurantes, onde a servem assada aos
clientes, que a quebram com um martelinho. Porém, quase todas as cabeças
de bacalhau em Lofoten são penduradas para secar ao ar livre, e dali
seguir para países pobres da África. Trituradas, transformam-se em
farinha de peixe para enriquecer alimentos.
O que se encontra no mercado
Do ponto de vista técnico, entende-se por
peixe salgado e seco o produto elaborado com peixe limpo, eviscerado, com ou
sem cabeça e convenientemente tratado pelo sal (cloreto de sódio),
devidamente seco, não podendo conter mais de 40% de umidade para as espécies
consideradas gordas, tolerando-se 5% a mais para as espécies consideradas
magras.
Dentro destas características, existem 5 tipos diferentes de peixes salgados
secos no mercado: Cod Gadus Morhua, Cod Gadus Macrocephalus, Saithe, Ling e
Zarbo. Saiba mais sobre cada um deles:
BACALHAU COD GADUS MORHUA (Gadus morhua L.) - ordem dos
Gadiformes, família Gadidae, gênero Pollachius -
O legitimo Cod - conhecido também como bacalhau do Porto
ou Imperial
Pescado no Atlântico Norte,
habita as costas da Noruega, Islândia, Groelândia, Mar de Barents, Labrador,
Terra Nova, Nova Escócia e também as costas americanas. o Cod Gadus Morhua é considerado o legítimo
e mais nobre bacalhau, sendo, normalmente, o maior deles.
Tem
postas altas, largas e coloração palha e uniforme, quando salgado e
seco. Depois de cozido, sua carne se desfaz em lascas claras e tenras de
sabor inconfundível e sublime. É o bacalhau recomendado em todos os
pratos da cozinha internacional.
Características do peixe processado:
Tem linha lateral branca
Peritoneu prateado
Barbatana caudal ligeiramente côncava ou chanfrada.
BACALHAU COD GADUS MACROCEPHALUS
(Gadus macrocephalus) - ordem dos Gadiformes, família Gadidae,
gênero Pollachius
Conhecido como "Bacalhau do
Pacífico", o Cod Gadus Macrocephalus,
distribui-se extensamente nas regiões mais frescas dos mares do Pacífico
e adjacências - do Japão ao mar de Bering, até o Norte da Califórnia. O
peixe fresco tem o corpo escuro sem manchas, a cabeça relativamente
grande e o maxilar superior maior que o inferior.
No aspecto, depois de processado, é muito semelhante ao Cod Gadus Morhua, o que confunde boa parte dos compradores. É preciso,
portanto, ficar bem atento pois as diferenças da carne dos dois, depois
de cozidas, é bem grande: o Macrocephalus não se desmancha em lascas
(mas pode ser facilmente desfiada), é fibroso e não tem o mesmo paladar
- o que faz dele um peixe mais barato. Procurar sempre por fornecedores
confiáveis é a melhor maneira de evitar ser enganado, pois não é muito
fácil diferenciá-los.
Características do peixe processado:
Zona ventral mais escura que o bacalhau Gadus morhua
Zona das nadadeiras muito larga
Peritoneu muito preto.
Distinguindo o legítimo Bacalhau
do Atlântico
1- A forma do peixe - o legítimo bacalhau é largo e
permite o corte em lombos.
2-
O rabo do peixe - deve ser quase reto ou ligeiramente curvado para
dentro, de cor uniforme. Se tiver uma espécie de "bordado" branco na
extremidade, não é o legítimo, é o Macrocephalus.
3-
A cor "palha": se o bacalhau é branquinho, não é o legítimo.
4-
A pele: solta-se com facilidade; puxe um pouquinho para verificar.
PEIXE TIPO BACALHAU SAITHE (Pollachius
virens)- ordem dos Gadiformes, família Gadidae, gênero
Pollachius
Saithe é o nome pelo qual é conhecido
internacionalmente o peixe escamudo, tão tradicional em Portugal.
Tem uma coloração esverdeada mais ou menos escura na região dorsal,
amarela ou esverdeada nos lados do corpo, prateada na região ventral e
ausência de malhas. O maxilar superior é menos saliente do que o
inferior. Encontra-se em águas de . Vive nas mesmas águas que o Gadus
morhua (entre 100 e 300 metros de profundidade) e atinge idênticas
dimensões, sendo, também, rico em vitamina B12, selênio, potássio e
sódio. Entretanto, não é um peixe migratório, vive nas áreas onde nasce
e cresce, não se deslocando propositadamente para desovar. É uma das
espécies comercialmente mais importantes na Noruega, sendo pescado desde
as Ilhas Lofoten até o Mar do Norte. É apresentado para consumo da mesma
maneira que o seu primo nobre: fresco, seco ou salgado seco. No Brasil,
só é encontrado salgado e seco.
Seu sabor é mais intenso e a cor da sua carne é um pouco mais escura. Quando cozido, sua
carne macia desfia com facilidade. É perfeito para preparar bolinhos,
saladas e ensopados. Seu preço é muito menor que o do Cod.
Características do peixe processado:
Ausência de malhas
Barbatana caudal bifurcada, com o vértice bem definido
Barbatanas ventrais muito pequenas e finas
Escamas grossas
PEIXE TIPO BACALHAU LING ou lingue (Molva molva)
- ordem dos Gadiformes, família Lotidae, gênero Molva
O peixe fresco tem cor castanho
avermelhada no dorso e branca na face ventral, barbatanas com uma linha
escura com as pontas brancas. Maxilar superior maior que o inferior,
cabeça pequena e apenas duas barbatanas dorsais.
Depois de processado, o Ling é bem claro e mais estreito que os demais. Tem um bom corte
e é muito apreciado no Brasil. Sua carne é clara, bonita e por isso
atrai muitos compradores. É perfeita para assados, cozidos e grelhados.
Características do peixe processado:
Apenas duas barbatanas dorsais
Barbatana caudal arredondada
Corpo alongado aproximadamente retangular.
PEIXE TIPO BACALHAU ZARBO (Brosme brosme)-
ordem dos Gadiformes, família Lotinae, gênero Brosme
Zarbo é o nome pelo qual é conhecido
internacionalmente o peixe bolota, também, muito tradicional em
Portugal. São peixes, geralmente, menores que
os dos outros tipos. A cor varia desde o castanho avermelhado ao
castanho esverdeado ou amarelo. O corpo é alongado e as escamas são
muito pequenas em todo o corpo. O maxilar superior é levemente mais
saliente do que o inferior. Encontra-se entre os 100 e os 400 metros de
profundidade, podendo ir até aos 1000 metros.
É o mais popular entre os peixes tipo bacalhau.
Mais roliço do que o Ling, possui barbatana dorsal contínua. Tão
saboroso quanto o Ling, só muda o preço e o tamanho,
é ótimo para a preparação de
pratos desfiados, caldos, pirões e bolinhos.
Características do peixe processado:
Uma só barbatana dorsal confluente com a caudal
Barbatana caudal arredondada
A barbatana anal inicia-se no meio do corpo e é também confluente com a
caudal.
Classificação qualitativa de peixe salgado e seco
Durante a pesca e o
processamento, o peixe pode ser danificado,
sofrer corte e machucados. A partir do aspecto
apresentado, todos os tipos de bacalhau
oferecidos no mercado, são classificados em uma
das três categorias: Imperial, Universal ou
Popular.
-
Imperial - É a melhor
classificação. O bacalhau está bem
cortado, bem escovado e bem curado. O
Porto Imperial é o exemplo do melhor dos
melhores.Nesta
categoria, o produto advém de peixes que
são inteiramente sangrados, bem lavados
e enxaguados até a remoção total dos
resíduos intestinais e de sangue, e com
a pele da nuca incorporada. O peixe deve
estar habilmente cortado e uniformemente
salgado e bem prensado, bem como possuir
coloração clara, estar sólido e sem
manchas.
-
Universal -
Classificação que identifica o bacalhau
que apresenta algumas manchas e pequenos
defeitos, que não chegam a comprometer
sua qualidade.
Nesta categoria, o peixe não deve
possuir coloração amarelada e deve
manter o seu formato natural. Marcas de
desfiguração, coágulos de sangue seco e
resíduos das entranhas devem ser
removidos. Em geral, o pescado que não
possuir os requisitos de
Imperial/Superior deverá ser
classificado como Universal.
-
Popular - É o bacalhau
que apresenta manchas e do qual faltam
pequenos pedaços, extirpados pelo arpão
na hora da pesca.
O pescado que não satisfaz os requisitos de Universal, mas que todavia é
adequado ao consumo humano, deve ser classificado como Popular. Contudo,
esta categoria não incorpora peixe deteriorado, que tenha sido exposto à
contaminação, possua barriga áspera, conteúdo de bílis ou intestinal, ou
que esteja muito rachado ou com a carne mole.
Propriedades Nutricionais
O bacalhau salgado seco, conserva todas as
propriedades do peixe fresco. É nutritivo, saboroso, de fácil digestão,
rico em minerais (ferro, fósforo, magnésio) e vitaminas (A, E, D,
niacina), apresentando uma baixa taxa de colesterol e gorduras. Deve,
entretanto, ser consumido com moderação e em pequenas quantidades por
que tem problemas de hipertensão arterial, pois é bastante rico em sódio
(cerca de 1400mg/100g de bacalhau).
O bacalhau também possui proteínas de
alto valor biológico em sua composição, e, como é um alimento seco, as
proteínas estão presentes em maior quantidade se comparada a um peixe
fresco.
O bacalhau, também, é considerado uma
boa fonte de ácidos graxos do tipo Ômega-3, um ácido graxo
poliinsaturado que favorece o desenvolvimento do sistema imunológico e
contribui para a redução dos níveis de colesterol e triglicerídes,
atuando favoravelmente na coagulação sanguínea. O Ômega-3 está
relacionado com a redução do risco de doenças cardiovasculares e das
dislipidemias.
Um quilo de
bacalhau tem o valor nutritivo equivalente a 3,2 kg de peixe, mais
nutritivo do que a carne de vaca e de frango, com 38g de proteínas por
cada 100 g. É também o animal com a maior porcentagem de partes
comestíveis, com 85%. É saudável e totalmente natural.
Tabela Nutricional do Bacalhau
(100g)
|
Proteína |
±
38 % |
|
Água |
41 % |
|
Gordura |
±
0,6 % |
|
Carboidratos |
0 |
|
Cálcio . |
60 mg |
|
Fósforo |
225 mg |
|
Ferro |
2 mg |
|
Magnésio |
42 mg |
|
Iodo |
100
mg |
|
Vitamina PP |
1,2 mg |
|
Vitamina B1 ... |
6
mg |
|
Vitamina B2 ...
|
42
mg |
|
Zinco
|
1700
mg |
|
Sódio |
9168 mg |
|
Potássio |
612 mg |
|
Tiamina |
0,01mg |
|
Riboflavina1 |
0,20mg |
|
Niacina |
2,4mg |
|
Fibras
|
0 |
|
Calorias |
170 kcal
|
Na culinária
Graças a sua versatilidade, o bacalhau pode ser preparado de diversas
formas e se adapta a uma infinidade de receitas.
Como Comprar
- O ideal é comprar bacalhau inteiro e,
no caso de optar pelo pré-embalado, não comprar quantidade inferior a
meio peixe. Para saber quanto comprar, calcule entre 150g e 250g de bacalhau por
pessoa.
- Verifique o aspecto do peixe. Rejeite-o quando tiver cor avermelhada
ou cheiro desagradável.
-
Procure sempre os peixes mais secos, que, em regra, são os mais bem
curados.
Alguns comerciantes inescrupulosos umedecem o bacalhau para que fique mais
pesado. Essa atitude, além de lesiva ao bolso do consumidor, pode estragar o
produto. O bacalhau com umidade igual ou superior a 50% é considerado meia cura,
devendo por isso ser vendido a preço inferior. Quanto aos teores de sal,
num bom bacalhau, devem estar compreendidos entre os
16 e os 20%.
- Para identificar se o bacalhau está
bem curado, pegue o peixe firmemente pela "cabeça" e solte a cauda. Se o bacalhau ficar
reto - ou quase reto - significa que a cura está boa e o rendimento no dessalgue ficará em torno
de 20% do peso do bacalhau salgado e seco, sem contar que o seu sabor característico estará garantido.
Se o bacalhau envergar muito, "caindo" para baixo, está mal curado e úmido.
- Repare se o peixe está bem escovado: sua aparência deve ser limpa, sem
manchas escuras. Manchas (pretas, marrons ) podem ser resíduos do peixe
como sangue, bílis, etc., significando que o mesmo não foi bem
trabalhado.
- Repare, também, se há cortes
estranhos no lombo central do bacalhau. Este pormenor é essencial para
saber se o bacalhau foi limpo e salgado fresco ou teve congelamento
prévio em alto mar. Quando processado fresco, o peixe seca
harmoniosamente; quando o processamento se faz depois do congelamento em
alto mar, resulta, geralmente, num desprender de pedaços da carne ao
longo da espinha central. O tradicional corte em três bicos na parte
mais larga do bacalhau seco mostra que ele foi processado mal acabou de ser
pescado, pois assim que o peixe é descarregado na fábrica de transformação,
é-lhe retirada a cabeça - o corte é feito à faca ao longo da abertura das
guelras, mantendo o lombo que termina junto à parte posterior da cabeça.
Quando o bacalhau é capturado por "navios-fábrica", é congelado de
imediato e só é possível separar a cabeça com um corte feito com serra.
- Se optar pelo bacalhau embalado, verifique o rótulo, que deve conter a
indicação do tipo comercial, a data de durabilidade mínima, o peso
líquido e a denominação de venda.
- O bacalhau pré-embalado terá, obrigatoriamente, a indicação do tipo
comercial quando a embalagem contiver um peixe inteiro, meio peixe, ou
postas provenientes de um único peixe que, depois de juntas, o permitam
reconstituir.
- Confira se o preço e peso correspondem ao tipo de peixe que você está
levando.
Como armazenar
Quanto melhor for a cura (feita
depois da salga), mais tempo ficará conservado. Ainda assim, o peixe
deve sempre ser colocado num local seco e frio. Entre 2º e 5º, poderá
conservar-se por 12 meses; entre 5º e 15º, a validade cairá pela metade.
O mais garantido é colocar o bacalhau dentro de um saco plástico bem
fechado (o que vai evitar que o cheiro exale) e guardá-lo na gaveta de
legumes da geladeira, a parte menos fria.
Como Preparar
Segundo os portugueses, de 1001 maneiras. Há quem defenda que o bacalhau não deve ser fervido,
exceto se indicado na receita, pois a fervura prejudica o paladar e
seca o peixe. Todos são unânimes em dizer que é carne pra ser preparada
em fogo brando. Se a receita
for de bacalhau no forno ou na brasa, pode pré-cozer o peixe durante
cinco minutos. Para apurar o paladar, pode temperá-lo com azeite e ervas
ou submergi-lo em leite duas horas antes.
O preparo do bacalhau:
Assado: grelhe-o, virando-o de todos
os lados numa frigideira com um pouco de azeite.
Na brasa:
disponha-o diretamente sobre as brasas, é natural que sua
superfície fique levemente chamuscada.
Cozido: leve-o ao fogo em
água prestes a entrar em ebulição, nunca fervendo.
Para acompanhar, use batatas cozidas, pão, cebola e alhos
dourados. Sempre regado com azeite.
A Dessalga
O bacalhau é seco e salgado, então é
necessário dessalgá-lo e hidratá-lo novamente para se poder consumi-lo. Após esta
operação, o bacalhau
deverá ter readquirido sua maciez, tendo ganho uma consistência e um gosto que
o peixe fresco jamais terá. O bacalhau pode ganhar
até 20% peso se for corretamente dessalgado.
Veja como é simples dessalgar e aproveitar o melhor do peixe, fazendo
ele render e ficar com um sabor excepcional:
1- Depois de cortar o bacalhau em postas, lave-bem em água corrente para
tirar o sal que recobre o peixe.
2- Coloque o bacalhau num recipiente fundo, sobrepondo as partes de modo
que a pele fique em contato com a car |