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"Surpreendente em todos os tipos de
música a que se dedicou, soberbo na música sinfônica e de câmara,
foi o criador do concerto para piano como o conhecemos, produziu
magníficas obras corais e talvez tenha sido o maior de todos os
compositores de ópera."
Falando de Mozart, assim se expressou o
Richard Baker musicólogo inglês, biógrafo do mestre.

"Mozart em traje de gala"
Obra de 1763, de Lorenzoni, quando
o artista tinha sete anos de idade

Mozart aos 11 anos de idade, em
obra de J. Vander Smissen

Retrato de Família
Mozart e Maria Anna tocam
observados pelo pai. Ao fundo o retrato da mãe, Anna Maria. Obra
pintada por volta de 1780/81.
Leopold Mozart e Ana Maria, pai e
irmã de Mozart

Salzburg


Chamada a "Roma alemã" e considerada por Wilhelm von Humboldt uma
das três cidades mais belas do mundo, Salzburg é o resultado de uma
combinação única entre a beleza natural das encostas alpinas e a
riqueza de um magnífico conjunto arquitetônico.
Salzburgo é uma antiga cidade da Áustria, atual capital do
Bundesland (estado federal) de mesmo nome, na região centro-norte do
país. Ergue-se em ambas as margens do rio Salzach, a 424m de
altitude, próximo à base norte dos Alpes e à fronteira com a
Baviera, na Alemanha.
Originada numa comunidade celta, Salzburgo tornou-se mais tarde a
cidade romana de Juvavum. Por volta do ano 696 ali foi fundada a
abadia de Sankt Peter, a mais antiga da Europa. Elevada a diocese em
739, a cidade passou a arquidiocese em 798. Os arcebispos que
governavam Salzburgo foram reconhecidos como príncipes do Sacro
Império Romano-Germânico em 1278, quando a cidade tornou-se sede do
principado do poder eclesiástico, que vigorou até 1803. O
príncipe-arcebispo Wolfdietrich von Raitenau, que reinou de 1587 a
1612, ergueu belas construções de estilo barroco e renascentista
italiano que, no entanto, apagaram quase todos os vestígios
medievais da cidade.
Importante entroncamento rodo-ferroviário no norte da Europa e
cartão de visita da Áustria, Salzburgo é uma das cidades turísticas
mais importantes do país, inclusive por sua arquitetura. Sua
catedral, primeira igreja de estilo italiano em solo alemão, foi
erguida entre 1614 e 1628. Outros edifícios importantes são a
fortaleza de Hohensalzburg, de 1077, reformada por volta de 1500; a
capela de São Sebastião, erguida entre 1505 e 1512; o castelo
Mirabell, de 1606; e a Residenzplatz, residência oficial dos
arcebispos. Salzburgo é conhecida pela produção de instrumentos
musicais, sistemas de computação, produtos têxteis e de couro. É a
cidade natal de Mozart, que nasceu na casa número 9 da Getreidegasse,
hoje transformada em museu e sede do famoso festival de música
realizado anualmente desde 1917.
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ampliadas.


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MOZART
“Não consigo escrever poesia: não sou poeta. Não
consigo dispor as palavras com tal arte que elas
reflitam as sombras e a luz: não sou pintor... Mas
consigo fazer tudo isso com a música...”
Wolfgang Amadeus Mozart
Wolfgang Amadeus Mozart nasceu em Salzburg, Áustria,
em 27 de janeiro de 1756, sendo o caçula dos sete
filhos de Leopold Mozart e Anna Maria Pertl Mozart.
Seu pai era compositor e mestre de capela do
príncipe-arcebispo de Salzburg e foi o principal
professor dos filhos Wolfgang e Maria Anna, ambos de
incomum aptidão para a música. Desde os três anos de
idade, o menino estudou cravo com o pai. Aos cinco
já compunha e, aos sete, teve quatro sonatas
publicadas. Em 1762, o pai levou-o a Viena, onde
Mozart e a irmã tocaram para a imperatriz Maria
Teresa, e depois a várias cidades alemãs, Paris e
Londres. Ali se demoraram um ano e meio e Wolfgang
conheceu Johann Christian Bach, que exerceu
influência sobre suas obras "galantes" da época.
Aos 11 anos Mozart já compunha óperas. Era, ao mesmo
tempo, um menino de extrema habilidade nos jogos e
de erotismo precoce. Suas cartas para a irmã
continham sempre ditos jocosos e obscenos. Foi em
1770 que, depois de ouvir com o pai o coro da capela
Sistina cantar o Miserere de Gregorio Allegri, de
reprodução proibida, chegou em casa e passou-o todo
para o papel. Entre 1770 e 1773 viajou por toda
Itália, e óperas suas foram representadas em Milão.
Aos 16 anos já compusera 135 obras de todos os
gêneros.
Suas relações com o novo e autoritário arcebispo de
Salzburg não foram boas. Depois de se apaixonar pela
cantora Aloysia Weber, que acabou por rejeitá-lo,
Mozart passou a excursionar com a mãe, que em 1778
adoeceu e morreu em Paris. Em 1779 Mozart assumiu,
em Salzburg, o posto de organista da corte. Em 1781,
ao romper de vez com o arcebispo de Salzburg,
estabeleceu-se em Viena, onde o aguardava a
competição com Muzio Clementi e com o diretor da
Ópera, Antonio Salieri. Em 1782 casou-se com
Constanze Weber, irmã de Aloysia e sua mulher até o
fim da vida. Em 1784, ingressou na maçonaria e em
1785 publicou os quartetos de cordas dedicados a
Haydn. Este, sempre muito formal, mostrou-se
maravilhado.
Nos dez últimos anos de vida Mozart enfrentou graves
dificuldades financeiras, pouco atenuadas a partir
de 1787, quando o imperador José II lhe concedeu
pensão anual de Kammermusicus (compositor da corte),
posto antes ocupado por Christoph Gluck. Foi o ano
da estréia da ópera Don Giovanni, mas também o da
morte de seu pai. A saúde de Mozart, sempre frágil,
piorou bastante no começo de 1791. Trabalhando
intensamente, apresentou fortes sintomas de doença
renal crônica e recebeu a visita de um nobre, o
conde Walsegg-Stuppach, que lhe encomendou um
réquiem, pretendendo fazê-lo passar por seu para
homenagear a mulher morta. Mozart dedicou-se a
compor essa peça como seu próprio réquiem.
Significado da obra
Mozart costuma ser
apresentado como elo entre Haydn e Beethoven na
cadeia do classicismo vienense. A classificação não
corresponde à verdadeira posição do compositor. Não
foi o continuador de Haydn nem o precursor de
Beethoven, se bem que sejam inegáveis suas
antecipações beethovenianas, por exemplo, nos
últimos concertos para piano e na sinfonia 41,
Júpiter.
Ao contrário de Haydn, que se valeu do folclore
austríaco, húngaro e eslavo, Mozart foi
italianizante: usou sobretudo a linguagem de seu
tempo, de modo que sua obra, na aparência, se
articula segundo o gosto mais corrente da época. Em
suas mãos, no entanto, esse material cintila ao
mesmo tempo com uma chama inteiramente singular e
uma eficiência inconfundível: seu poderoso senso
arquitetônico elaborou estruturas perfeitas, tanto
na música instrumental como dramática. Foi,
portanto, pela disciplina formal, um clássico.
Discute-se, porém, se não foi, pelo espírito, um
pré-romântico, inclusive psicossocialmente, pois não
aceitava o vínculo de servidão para com a nobreza,
como seus antecessores. Desfez-se, com o tempo, a
imagem de um Mozart rococó, brilhante e preciosista.
Dessa tendência é só sua música juvenil, ou de
encomenda. O Mozart por excelência é ora trágico e
de profunda melancolia (no auge de sua música de
câmara e nas missas, de fundo mais dramático que
religioso), ora irônico e sarcástico, em suas óperas
"cômicas". Não se pode subestimar a lúcida
identificação de Mozart com o espírito do fim do
século 18 - racional e rebelde, iluminista e
libertino.
O "K" que identifica as obras de Mozart, seguido do
número que lhes designa a ordem cronológica,
refere-se a Ludwig von Köchel, que organizou o
catálogo das obras do compositor, publicado em 1862
e revisto por Alfred Einstein em 1937.
Música vocal
Compositor
essencialmente vocal, Mozart expressou na ópera o
essencial de seu talento. Entre suas 15 óperas,
sobressaem seis, todas do último período da vida:
Idomeneo, rè di Creta (1781), é influenciada por
Gluck, e Die Entführung aus dem Serail (1782; O
rapto do serralho), é comédia brilhante, onde a
música supera todas as falhas da estrutura
dramática, muito mais segura em Le nozze di Figaro
(1786; As bodas de Fígaro), socialmente subversiva
para a época, e do início de sua colaboração com o
libretista Lorenzo Da Ponte.
Don Giovanni (1787) é certamente a mais ampla dessas
obras-primas. Apesar do subtítulo de dramma giocoso,
que exprime por certo a intenção de Da Ponte, é a
ópera mais complexa e ousada de Mozart, e a mais
polivalente, pois resume, em seus acentos ao mesmo
tempo trágicos, eróticos e burlescos, a própria
existência humana. Na comédia de equívocos Così fan
tutte (1790; Assim fazem todas), também em
colaboração com Da Ponte, o tom é deliberadamente
artificial e faz-se retrato irônico da frivolidade
burguesa, magistralmente sugerida e expressa com a
música, integrada ao texto.
Surge depois a ópera mais heterogênea de Mozart, Die
Zauberflöte (1791; A flauta mágica). Das
extravagâncias do libreto, Mozart extraiu obra de
encantadora riqueza humana, síntese de ópera séria,
comédia musical popular, tragédia filosófica e drama
sentimental.
Pouco afeito à religião, Mozart compôs por dever
profissional, na corte eclesiástica, grande
variedade de peças litúrgicas que, como a famosa
Missa da coroação, K. 317 (1779) e a missa K. 427
(1783), não têm a gravidade comum ao gênero e são,
por isso mesmo, de fascinante substância dramática,
que anuncia o primoroso motete Ave, verum corpus, K.
618 (1791) e o réquiem K. 626 (1791), de conteúdo
mais patético do que litúrgico, obra-prima composta
às vésperas da morte.
Música sinfônica
Entre mais de 600
títulos, Mozart escreveu 56 sinfonias. Como foram
elaboradas em fases distintas, dão idéia clara da
evolução estilística. As obras-primas são da fase
final e revelam a sabedoria da arquitetura musical
mozartiana: nº 35 (Haffner), K. 385 (1782), nº 36
(Linz), K. 425 (1783), nº 38 (Praga), K. 504 (1786),
nº 39, K. 543 (1788), nº 40, K. 550 (1788) e nº 41
(Júpiter), K. 551 (1788).
A forma do concerto ainda estava indefinida na
metade do século 18. Os concertos de Mozart,
inclusive os para outros instrumentos e orquestra,
marcaram decisivamente a formação do gênero,
conferindo-lhe a estrutura que manteve, em linhas
gerais, até os nossos dias. São admiráveis, entre
seus 21 concertos para piano, sobretudo os K. 466
(1785), K. 482 (1785), K. 488 (1786), K. 491 (1786),
K. 537 (1788) e K. 595 (1791). Dos concertos para
outros instrumentos, o para clarinete e orquestra,
K. 622 (1791) é uma das últimas jóias de Mozart, mas
não o desmerece a inventividade melódica de muitos
dos concertos para violino, oboé, flauta, fagote e
trompa.
Piano e música de câmara
As obras para piano
solo de Mozart vão, ao longo de 25 sonatas, do
mágico rococó da sonata em lá maior K. 331 (1778)
até a intensidade contagiante da sonata em dó maior
K. 457 (1784), pré-beethoveniana. É na música de
câmara, porém, zona de sombra entre a esfuziante
energia e a angústia desolada, que se revela mais
densa a personalidade de Mozart, no avesso da imagem
de um compositor brilhante, mas "fácil", como ainda
se mostra, generosamente, na Eine Kleine Nachtmusik,
K. 525 (1787; Um pequeno sarau noturno).
As mais expressivas obras camerísticas de Mozart,
também dos anos finais, encerram um mundo de
surpresas, como a riqueza temática e emocional que
se esconde no nome do divertimento para trio de
cordas K. 563 (1788), ou o vigor quase febril da
sonata para violino e piano K. 526 (1787), e a
austera melancolia do trio para clarinete, piano e
viola K. 498 (1786).
O nível mais alto, contudo, é atingido nos seis
quartetos de cordas dedicados a Haydn, entre seus
26: K. 387 (1782), K. 421 (1783), K. 428 (1783), K.
464 (1784; Dissonâncias), K. 465 (1785; A caça) e K.
458 (1784). Ao lado do experimentalismo formal,
revelam aguda introspecção e, no quarteto
Dissonâncias, de tonalidade indeterminada, Mozart
realizou sua mais corajosa inovação harmônica. Não
são, porém, menos preciosos em calor e profundidade
psicológica os quintetos de cordas K. 515, 516, 593
e 614.
Mozart morreu em Viena, em 5 de dezembro de 1791, ao
que se acredita vitimado por uma "febre inflamatória
reumática". Nada corrobora as versões segundo as
quais teria sido envenenado, por Salieri ou outra
pessoa. Seu sepultamento numa vala comum era
costumeiro na Viena da época para pessoas de sua
condição social, e um pequeno grupo de amigos
compareceu ao funeral.
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