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GRÉCIA |

A República Helênica, nome oficial da Grécia (Ellinikí Dimokratía ou
Ellás, em grego), é um país europeu situado no sul da península dos
Balcãs. Sua superfície de 131.957 km2 inclui várias ilhas nos mares
Jônico e Egeu, que ocupam cerca de um quinto da extensão total. Faz
fronteira com a Turquia, a leste; com a Bulgária e a Macedônia, ao
norte; e com a Albânia, a noroeste. O nome latino Grécia deriva de
graeci, com o qual os romanos denominaram a tribo dos beócios,
estabelecida na Itália até o século 8 a.C.
Geologia e relevo
A montanha e o mar são os dois
elementos dominantes na paisagem grega. Três quartos do país são
cobertos de montanhas e de tal maneira o mar invade a terra, com
inúmeros golfos, que o ponto mais afastado da costa dista dela apenas
oitenta quilômetros. O relevo tem como principal nó orográfico a cadeia
do Pindo, prolongamento das montanhas balcânicas, na direção
noroeste-sudeste. Do Pindo partem algumas ramificações, como o maciço do
monte Aeta, que se estende, também na direção sudeste, pelos montes
Parnaso, Kizeron e Helicon. Na direção leste partem do Pindo duas
cadeias que delimitam a bacia da Tessália. Na porção mais setentrional
ergue-se o famoso monte Olimpo, com 2.918m, ponto culminante da Grécia.
Na península do Peloponeso, separada do continente europeu pelos golfos
de Patras e de Corinto, erguem-se os montes de Acaia e Arcádia.
As regiões naturais da Grécia são: a Macedônia e Trácia, ao norte,
montanhosas e com planícies litorâneas de origem aluvial; a Grécia
central, onde se encontram a Tessália e a Ática, com férteis vales; o
Peloponeso, zona muito montanhosa mas com vales litorâneos; e Creta, a
maior ilha do país, com montanhas que atingem quase 2.500m de altitude.
Clima e hidrografia
O clima é mediterrâneo em grande
parte do território, com sensíveis diferenças entre as regiões
localizadas a oeste do Pindo, mais quentes e úmidas, e as orientais,
mais secas e de temperaturas mais baixas. Nas regiões montanhosas
ocorrem climas semi continentais.
A hidrografia grega é pobre, devido à abundância de solos calcários, que
determinam represamentos subterrâneos. Os rios são curtos, com volume
irregular durante o ano, não são navegáveis e têm limitadas
possibilidades para a irrigação. Os principais cursos fluviais gregos
são o Vardar, o Struma e o Nestos, que cruzam a Macedônia e a Trácia
para desembocar no mar Egeu.
Flora e fauna
A vegetação é tipicamente
mediterrânea (pinheiros, oliveiras, vegetação rasteira e matas esparsas)
nas regiões meridionais e centrais. No norte prevalece o tipo de
vegetação característico da Europa central, com florestas mistas. Nas
planícies predomina vegetação arbustiva e herbácea. Nos planaltos do
centro e do sul aparecem árvores de folhas caducas, sobretudo o carvalho
e o castanheiro. Acima de 200m estendem-se florestas e cerrados.
Nas regiões centrais, sobretudo nas zonas de floresta, a fauna é do tipo
centro-europeu, com ursos, lobos, javalis, linces, martas, corças,
camurças e vários répteis. No litoral predominam as espécies
mediterrâneas, como o chacal, o bezoar (espécie de cabra selvagem) e o
porco-espinho. Entre as aves, salientam-se
pelicanos, garças, cucos e cegonhas. Muitas espécies do norte da Europa
migram para a Grécia durante o inverno.
População
A população grega é de raça branca, embora se encontrem pessoas de pele
escura devido à mestiçagem ocorrida durante a dominação turca. Outros
grupos étnicos, além da maioria grega, são os macedônios, albaneses,
búlgaros, armênios, turcos e ciganos. A língua oficial e mais falada é o
grego moderno, que conserva os mesmos caracteres gráficos do grego
clássico, mas é sintaticamente mais simples. O tipo de povoamento rural
compreende desde pequenas comunidades montanhesas, semelhantes às da
Europa central, até as maiores do sul e de Creta, semelhantes às do
norte da África. O desenvolvimento econômico e a influência do turismo
favorecem o êxodo do campo para a cidade, o que determina uma
concentração de mais de dois terços da população nas zonas urbanas. A
principal cidade é Atenas, a capital, que com seu porto, o Pireu,
constitui a maior concentração demográfica da Grécia e um importante
centro industrial e portuário. Seguem-se, em importância, Tessalonica,
na Macedônia, e Heracléia (Cândia), em Creta.
Com exceção de Chipre, sul da Albânia e Turquia, não há grupos gregos
nos países vizinhos, mas há importantes comunidades gregas no oeste da
Europa, na América e na Austrália. Os limitados recursos econômicos da
Grécia sempre foram motivo de emigração. Enquanto no período clássico
ela se dirigia para o resto do Mediterrâneo, nos tempos modernos se
voltou para os Estados Unidos, Canadá, Austrália, Alemanha e Bélgica,
embora a crise econômica mundial de 1973 tenha freado a corrente
migratória.
Economia
A Grécia experimentou um rápido desenvolvimento econômico depois da
segunda guerra mundial, apesar da limitação de seus recursos naturais e
da excessiva burocratização. O país vinculou-se economicamente à
Comunidade Econômica Européia (CEE) em janeiro de 1981 e, em julho de
1992, o Parlamento ratificou a adesão grega à União Européia, regulada
pelo Tratado de Maastricht. Embora a economia grega tenha se baseado
tradicionalmente na iniciativa privada, a intervenção pública aumentou
bastante -- sobretudo com a chegada ao poder do Movimento Socialista
Pan-helênico (Pasok), em 1981 -- até controlar mais de dois terços da
atividade econômica, especialmente produção de energia, estaleiros,
comunicações, seguros e bancos. A partir de 1970 observou-se uma queda
significativa no número de pessoas empregadas na agricultura e um
aumento proporcional de trabalhadores nos setores industrial e de
serviços.
Agricultura, pecuária e pesca
Aproximadamente trinta por
cento da superfície total da Grécia são aráveis, sessenta são usados
como pastos ou estão cobertos por florestas e os outros dez são
improdutivos. A produção agrícola é economicamente importante, apesar do
solo rochoso, das chuvas escassas, do excesso de minifúndios e da
utilização de técnicas agrícolas obsoletas. As principais lavouras são
as de trigo, cevada, arroz, algodão, fumo e batata, no norte; as regiões
centrais, o sul e as ilhas produzem melões, figos, tomates, uvas e
azeite. A pecuária é constituída, principalmente, de rebanhos ovinos e
caprinos; na Tessália, há criação de gado bovino. Os produtos florestais
não são economicamente importantes.
A grande extensão do litoral e a tradição marítima impulsionaram a
modernização da frota pesqueira. Entretanto, o relativo esgotamento
piscícola do Mediterrâneo transformou a Grécia em importador de produtos
da pesca.
Energia e mineração
A produção de energia elétrica,
baseada na linhita e nas quedas-d'água, aumentou a partir de 1950, em
virtude de investimentos feitos pela Empresa Pública de Energia, que
contou com ajuda financeira e técnica dos Estados Unidos. A Grécia não é
rica em recursos minerais, exceto em bauxita, de que é um dos principais
produtores europeus. Há também produção de linhita, manganês, ferro,
zinco, chumbo, ouro e diamantes. A produção de petróleo e de gás natural
no norte do mar Egeu começou em 1981.
Indústria
Algumas empresas de grande porte,
concentradas em Atenas e Tessalonica, dividem a atividade industrial com
milhares de pequenas empresas que não empregam mais de dez trabalhadores
por unidade. Devido às fortes diferenças regionais, a CEE considerou que
todo o território da Grécia, à exceção da Ática e da Tessalonica, reúne
os requisitos necessários para receber ajuda do Fundo Europeu para o
Desenvolvimento Regional.
Finanças e comércio
O Banco da Grécia, fundado em 1928,
dirige a política monetária do país e supervisiona todas as operações
bancárias. As ruínas da antiga civilização helênica, as aprazíveis ilhas
e o clima ensolarado fizeram da Grécia uma potência turística. O turismo
e as remessas dos imigrantes e marinheiros compensa parcialmente o
déficit do comércio exterior e o saldo negativo da balança de
pagamentos. As principais importações consistem em petróleo, maquinaria
e produtos químicos e alimentícios. As exportações incluem alimentos,
bebidas, madeira e diamantes.
O transporte terrestre, tanto rodoviário como ferroviário, tem menos
importância que o marítimo, já que a Grécia conta com uma das maiores
frotas mercantes do mundo. O transporte aéreo é servido por uma
companhia nacional e várias companhias estrangeiras. O país dispõe de
modernos aeroportos, especialmente em Atenas e Creta.
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